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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cante

á dias no amontoado dos meus papéis descobri este poema, daquele que é para mim um dos meus poetas preferidos, Manuel Alegre.

Lembrei-me dos dias em que o meu universo se chamava “Alentejo” e “Feijó” e da importância que a Antropologia tinha então nos meus dias... belos tempos esses! Chama-se «O Cante», o poema:



O Cante

«O cante alentejano é outro som

É voz que se constrói como instrumento.

Mas não é cante sem- é cante com.

O cante Alentejano é mais de dentro.

Voz do avesso quase gesso quase cal

Unha no branco: esse é o ritmo.

O Cante Alentejano é em espiral

De logaritmo em logaritmo.»


Manuel Alegre

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