Entre os masais, que vivem entre o Quénia e a Tanzânia , ao contrair matrimónio, a mulher abandona o lar paterno e muda-se para o domicílio do marido, que, por sua vez, teve de pagar ao pai da noiva o preço de duas vacas e outras duas cabeças de gado menor. Os masais não têm limite de esposas, ainda que na prática este esteja determinado pelo número de vacas que o homem possui, que devem proporcionar às suas mulheres todo o leite de que elas necessitem para si e para os seus filhos.
O anthropos é um espaço de reflexão, de pausa e de abertura para os diálogos do pensamento... para a poesia que exala das palavras, para o imaginário que nos delicia e nos transporta à infância, para a literatura, para as viagens... para o lúdico... para as causas reais pelas quais nos devemos afirmar. Convido-o desde já a participar nesta minha primeira aventura bloggista e espero que seja divertido!!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Masai- Quénia
Entre os masais, que vivem entre o Quénia e a Tanzânia , ao contrair matrimónio, a mulher abandona o lar paterno e muda-se para o domicílio do marido, que, por sua vez, teve de pagar ao pai da noiva o preço de duas vacas e outras duas cabeças de gado menor. Os masais não têm limite de esposas, ainda que na prática este esteja determinado pelo número de vacas que o homem possui, que devem proporcionar às suas mulheres todo o leite de que elas necessitem para si e para os seus filhos.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Os Sherpas do Nepal

O seu matrimónio é monógamo mas podem encontrar-se casos de dois tipos de poligamia: poliginia e poliandria. Se a mulher tiver dois maridos isso pode considerar-se como uma conquista feminina, mas no caso dos Sherpas não se trata de um caso de independência mas sim de um interesse social: praticava-se a poliandria – pelo menos até 1983, data em que foi abolida- para evitar a fragmentação da terra e manter intacta a propriedade do clã familiar.
Outra das características que diferencia a sociedade sherpa é a naturalidade com que aceitam a sexualidade pré-matrimonial. Os jovens sherpas mantêm relações sexuais durante a celebração das festividades, que podem ser muitas ao longo do ano. O natural é que as jovens recebam em sua casa, com o consentimento dos pais, a visita nocturna de algum acompanhante. Também é frequente que as adolescentes tenham relações com vários pretendentes. Esta espontaneidade para desfrutar o sexo contribui para que o facto de se ter uma filha solteira não seja uma vergonha ou uma desonra entre os sherpas, é algo que não afecta as perspectivas de um futuro casamento. Contudo, esta liberdade cessa quando se contrai matrimónio definitivamente. Os sherpas solucionam quase todas as zangas com dinheiro. Quando uma viúva não deseja casar-se com o irmão do seu marido e quer ficar independente da sua família política paga o changri-thou-wu, que significa “reintegração do prelo da cerveja consumida na cerimónia da petição da mão”. Também é com dinheiro que se solucionam os adultérios. O esposo infiel paga uma multa. O divórcio é pacífico e obtém-se por um curioso ritual: o marido agarra a ponta de uma corda, enquanto a família da noiva segura na outra ponta. A ruptura da corda simboliza o fim do matrimónio. Se o marido não esteve de acordo com o divórcio, o aspirante a segundo marido da sua mulher paga uma compensação e o casamento dissolve-se assim.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Rituais de Boda
terça-feira, 24 de maio de 2011
Debate sobre o Cante Alentejano
Entre os oradores, encontrava-se o Padre Manuel Cartageno, que tem estudado o cante alentejano numa perspectiva musical; Jorge Moniz que desenvolveu uma tese de mestrado no campo da etnomusicologia, com o grupo coral «Ceifeiros de Cuba»; Luís Clemente, outro jovem musicólogo que se tem interessado pelo cante; Joaquim Soares, da Associação MODA, defensor acérrimo do cante tradicional; Jorge Raposo, director da ESE de Beja e também da área musical; Paulo Lima, antropólogo que se dedicou ao estudo da cultura popular alentejana, com destaque para as décimas, poesia popular, e também um estudioso do cante, tendo estado envolvido na defesa de uma candidatura do cante alentejano a património mundial da humanidade. E por fim, Ana Machado, autora deste texto, que estudou o cante Alentejano no Feijó, no âmbito da sua dissertação de mestrado em Antropologia.
Tratou-se de um momento deveras interessante, por ter reunido especialistas com experiências tão díspares e complementares, tendo permitido um diálogo centrado sobretudo nas questões das origens do cante e na sua estrutura musical.
Por ter sido pouco tempo, e porque muito mais haveria a dizer, sinto que faltou sobretudo espaço para a partilha de saberes relacionados com os estudos de caso que cada um dos intervenientes desenvolveu, contribuindo para um maior leque de perspectivas e um enriquecimento do tema, pois um antropólogo não vê com clareza aspectos musicais que podem ser interessantes para a sua compreensão, do mesmo modo que um musicólogo pode não apreender outros aspectos sociais e antropológicos que escapam ao seu olhar.
O debate finalizou com diferentes perspectivas sobre a identidade do cante alentejano, havendo quem defendesse, como o Sr. Joaquim Soares, um cante tradicional e sério em cima de um palco, e quem defendesse a necessidade da coexistência de um cante performativo e de um cante espontâneo, pois este último é igualmente importante para a construção dessa mesma identidade alentejana, sobretudo nos contextos migrantes, como é o caso da Margem Sul do Tejo, sendo através desse que os homens se aproximam e se expressam cantando, mais próximo do cante que se ouvia cantar nos campos alentejanos no passado.
Por terem ficado muitas questões em suspenso e por muito mais haver para discutir, espera-se que o encontro se volte a realizar em breve, desta vez com temas menos abrangentes. O debate contou com a presença ainda do Sr. Governador Civil de Beja e espera-se que o mesmo venha a ser publicado, com o patrocínio do Governo Civil de Beja.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Azul Longe nas Colinas – uma peça de teatro no D. Maria II

Nesta peça com texto de Dennis Potter e encenação de Beatriz Batarda, a infância é retratada numa Inglaterra em tempo de guerra, nos anos 40. Infância esta que é tudo menos doce…doseada com muita violência à mistura, onde não há a habitual inocência que a caracteriza. Dotada de um sentido de humor acutilante, a peça mostra-nos um grupo de amigos constituído por Willi, Peter, John, Raymond, Donald, Angela e Andrey, que transportam para as suas brincadeiras a violência que vêem nos adultos, reproduzindo os seus padrões de conduta. Em determinadas alturas da peça, esta violência é cada vez mais psicológica, mais intensa atingindo o seu clímax no final.
Representam personagens tipo, onde não falta o fanfarrão, o valente, o gago tímido, a sonhadora, a intriguista, a criança problemática com a falta do pai…Durante o tempo que vemos a peça, somos obrigados a transpor-nos para a criança que já fomos, pois só assim podemos entender a sua linguagem, uma vez que os adultos que vemos em cena são eles as crianças da peça.
Surpreendente a representação de Bruno Nogueira, habitual presença em programas humorísticos, que aqui sabe dar corpo a uma criança que não sabe lidar com a ausência do pai e com a sua possível captura pelos soldados japoneses, na guerra -aliás, como a de todos os restantes actores, pois regressar ao universo das crianças e representá-lo exemplarmente como o fizeram não é fácil…a tal ponto, que eles se transfiguram e são mesmo crianças aos nossos olhos.
A última representação foi hoje!
Com as participações de: Albano Jerónimo, Bruno Nogueira, Dinarte Branco, Elsa Oliveira, Leonor Salgueiro, Luísa Cruz, Nuno Nunes
domingo, 13 de março de 2011
Exposição «Educar: educação para todos. Ensino na I República»
A exposição encontra-se organizada em diversos núcleos, dos quais salientamos os seguintes: o Ensino antes da República, os pedagogos, a educação cívica, manuais de ensino, ensino primário, liceus, laboratórios, ensino técnico e profissional, o ensino universitário, a mulher e o ensino e a festa da árvore.
Vista a exposição, fui até ao pátio da antiga escola, que tão pequeno me pareceu, e revi mentalmente um jogo de futebol que ali joguei, numa equipa de raparigas, uma lembrança algo estranho, pois não aprecio muito futebol actualmente. Um pulo até ao pátio de trás, e foi como se o Grandella e o antigo Chiado ali ainda estivessem… Não há nada a fazer sou mesmo uma saudosista das coisas boas do meu passado!
domingo, 20 de fevereiro de 2011
«Diários Gráficos em Almada – Não somos desenhadores Perfeitos» - exposição no Museu da Cidade de Almada
Trata-se de uma exposição notável. A mostra apresenta trabalhos de 30 autores diferentes, que têm em comum o gosto pelo desenho, embora com formações e percursos profissionais muito distintos, integrando desde médicos, arquitectos, professores, designers, artistas plásticos, geólogos e antropólogos, entre outros.Dizem que não são desenhadores perfeitos, mas estes diários gráficos são verdadeiras obras de arte! Cadernos de viagem, de registo diário, de apontamentos de observação da paisagem, de pensamentos íntimos ou divagações, de desabafo de experiências e vivências, estes cadernos são mais do que um acessório prático de uso quotidiano, eles são para muitos dos artistas representados um vício, sem o qual não passam. Um caderno dá origem a outro, e outro e outro…

Tal como a palavra, o desenho é aqui forma de expressão que diariamente fixa o pensamento do autor. Podem não ser desenhos perfeitos, mas são únicos e irrepetíveis, têm valor de testemunho. Acompanham os autores como uma segunda pele, uma forma de memória dos espaços e lugares.
Gostei sobretudo da forma como a exposição se apresenta, organizada por autores e com os cadernos arrumados em gavetas. Para Eduardo Salavisa, comissário da exposição , esta dimensão permite « realçar o lado pessoal e íntimo desse objecto que foi concebido, pela sua forma e estrutura para ser visto só pelo próprio e a quem ele quiser mostrar». Neste sentido, ao abrirmos cada gaveta, deparamo-nos com o desconhecido, com a surpresa do que vamos encontrar e entramos numa relação muito pessoal e intimista com o autor descobrindo objectos que são muito seus e que nos vão sendo revelados através da nossa procura. Por outro lado, reforça o simbolismo das obras que se deixam “escondidas na gaveta”, que não são normalmente exibidas ou publicadas. Aqui é o visitante que toma a decisão de revelar e tornar visível esses objectos recatados.
A exposição encontra-se patente ao público até dia 16 de Abril.

domingo, 13 de fevereiro de 2011
Oficina SerSentir no CCB



Orlando Ribeiro e os estudos olisiponenses

Foi professor universitário, nasceu em Lisboa em 16 de Fevereiro de 1911. Estudou nas Faculdades de Letras e de Ciências e no Instituto Superior Técnico de Lisboa, tendo-se licenciado em História e Geografia. Entre as muitas actividades que ocupou em vida, foi leitor de português na Sorbonne em 1937-1940, director e organizador dos Centros de Estudos Geográficos da Universidade de Coimbra e de Lisboa.
Foi discípulo de José Leite Vasconcelos, tendo ajudado na compilação dos volumes póstumos da obra “Etnografia Portuguesa”.
Destacam-se as suas obras mais importantes: Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1967 e Atitude e Explicação em Geografia, de 1960, entre muitas outras.
No artigo “ Evolução e Perspectivas dos Estudos Olisiponenses” – Lição inaugural da cadeira de “Estudos Olisiponenses” da Universidade de Lisboa, Orlando Ribeiro elabora uma breve síntese sobre os estudos mais importantes que se foram fazendo desde o século XV até à actualidade sobre a cidade de Lisboa, apontando o seu carácter pouco rigoroso e objectivo, por serem ou demasiado técnicos ou demasiado amadores, não dando uma noção real e concreta da cidade.
Este texto é datado de 1945, década em que houve a institucionalização dos Estudos Olisiponenses na Universidade de Lisboa.
Para Orlando Ribeiro, esta área do conhecimento não é uma ciência feita, mas uma matéria sobre a qual professores e estudantes poderiam debater, investigar e chegar a novas conclusões. Esta nova disciplina seria integrada na área da Geografia Humana.
Os estudos de Geografia urbana em Portugal tinham-se iniciado antes, em meados dos anos vinte, com Amorim Girão, com o estudo das cidades de Viseu e Coimbra, e Mendes Corrêa, que tinha instituído a Geografia no Porto, e que se começara a interessar por estudos relativos à cidade do Porto.
São trabalhos bastante importantes, mas que não ganham ainda muito destaque num País essencialmente rural, onde as cidades parecem pouco relevantes.
É depois da estadia de Orlando Ribeiro em Paris, que o autor se começa a dedicar ao estudo das cidades, nomeadamente à cidade de Lisboa e ao modo como esta vai alterando a sua paisagem e estrutura com o crescimento que começa a revelar.
A definição de cidade para orlando Ribeiro, é marcada pela forte presença humana na natureza. Trata-se de uma forma de civilização moderna, um organismo vivo, que contrasta do campo pelo pulsar acelerado da vida e pelo processo de mudança e transformação.
A cidade de Lisboa é vista como uma cidade com um crescimento exponencial, a qual sofre modificações profundas, alastrando as suas periferias e expulsando do seu centro a população que aí vivia. A cidade torna-se segundo as suas palavras, demasiado moderna e ruidosa, deixando de existirem espaços de lazer, em virtude do progresso.
A cidade vê assim, aumentar o número de residências, e as indústrias que se localizam junto ao estuário do Tejo e na Margem Sul.
Lisboa, é uma cidade onde se começa a estar mal, a viver-se “ num ambiente ruidoso e inquieto e afastado da natureza e de uma vida tranquila e ordenada”.
O trabalho e os modos de viver distinguem os vários bairros da cidade e dão-lhe uma autonomia própria, é o caso por exemplo da Madragoa que se associa a varinas e embarcadiços, e que contrasta da Lapa, pela aristocracia que aloja.
Os arredores, assumem um papel muito importante na cidade, tendo a ver com três factores: residencial, industrial e de veraneio (ex. Estoril, Cascais).
Orlando Ribeiro reconhece que o estudo de uma cidade, como a de Lisboa, abarcaria outros assuntos do que os tratados por ele, principalmente os de cariz sociológico, como é o caso da vida espiritual, da expressão artística, ao seu reflexo na literatura e no pensamento do país.
Nos anos 50, as cidades são integradas no campo da Geografia cultural, começando a existir ligações com a Antropologia, a Etnologia e a Sociologia. Começa-se a dar importância aos pormenores e vivências citadinas, começando a existir um conhecimento directo dos espaços urbanos. Estudam-se os bairros típicos, onde o convívio e a interdependência entre os seus habitantes são uma constante e alarga-se o interesse pelas periferias, como espaços que se constroem para fazer face às necessidades de crescimento das cidades, e nas quais as redes de interdependência se vão perdendo, transformando-se em pólos dormitórios.
Entre 1966 e 1972 Os estudos das cidades ocupam muito Orlando Ribeiro, o que coincide com o boom de Geografia urbana Portuguesa durante a década de 60.
O interesse do autor decairá um pouco nos começos dos anos 70, interessando-se novamente nos anos 80, que ficarão marcados pelos trabalhos que desenvolveu em Évora e Toledo.
Alpha: a história de uma amizade que sobrevive há milénios
Alpha é um filme que conta uma história que se terá passado na Europa, há cerca de 20.000 anos, no Paleolítico Superior, durante a Era do...

