O anthropos é um espaço de reflexão, de pausa e de abertura para os diálogos do pensamento... para a poesia que exala das palavras, para o imaginário que nos delicia e nos transporta à infância, para a literatura, para as viagens... para o lúdico... para as causas reais pelas quais nos devemos afirmar. Convido-o desde já a participar nesta minha primeira aventura bloggista e espero que seja divertido!!
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
«Histórias & Memórias fotográficas» no Seixal
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Lançamento de «Muitas Coisas e um Pássaro», de Joaquim Pais de Brito
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Colóquio sobre o Cante Alentejano no Cine Teatro Academia Almadense
III Congresso do Bombo em Amarante
Nos dias 24, 25 e 26 de novembro realizou-se em Amarante o III Congresso do Bombo, onde se discutiram aspetos ligados à cultura e tradição do bombo, nomeadamente na zona do Douro, em Amarante e no Fundão. Participaram grupos musicais do bombo, etnomusicólogos, músicos, e outros interessados na preservação e salvaguarda da prática do bombo.
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
Antes da sessão há uma entrada livre à exposição.
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Moda do Bombo em Lavacolhos - registos visuais no passado e presente
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
III Congresso do Bombo- Amarante
Cante Alentejano: 3 anos de Património Imaterial da Humanidade
Este domingo vamos celebrar 3 anos do Património Imaterial do Cante Alentejano, e esta iniciativa será uma forma de reforçar a importância de salvaguardar este legado, tal como a candidatura à UNESCO preconizava. Vai ser em Almada, no Cineteatro da Academia Almadense e promete ser uma tarde animada, com um debate que se pretende dinâmico e possa trazer algumas questões importantes sobre o cante alentejano 3 anos depois de ser considerado património Imaterial da Humanidade.
Lá estarei na moderação do debate. Conto também com a tua presença!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Masai- Quénia
Entre os masais, que vivem entre o Quénia e a Tanzânia , ao contrair matrimónio, a mulher abandona o lar paterno e muda-se para o domicílio do marido, que, por sua vez, teve de pagar ao pai da noiva o preço de duas vacas e outras duas cabeças de gado menor. Os masais não têm limite de esposas, ainda que na prática este esteja determinado pelo número de vacas que o homem possui, que devem proporcionar às suas mulheres todo o leite de que elas necessitem para si e para os seus filhos.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Os Sherpas do Nepal

O seu matrimónio é monógamo mas podem encontrar-se casos de dois tipos de poligamia: poliginia e poliandria. Se a mulher tiver dois maridos isso pode considerar-se como uma conquista feminina, mas no caso dos Sherpas não se trata de um caso de independência mas sim de um interesse social: praticava-se a poliandria – pelo menos até 1983, data em que foi abolida- para evitar a fragmentação da terra e manter intacta a propriedade do clã familiar.
Outra das características que diferencia a sociedade sherpa é a naturalidade com que aceitam a sexualidade pré-matrimonial. Os jovens sherpas mantêm relações sexuais durante a celebração das festividades, que podem ser muitas ao longo do ano. O natural é que as jovens recebam em sua casa, com o consentimento dos pais, a visita nocturna de algum acompanhante. Também é frequente que as adolescentes tenham relações com vários pretendentes. Esta espontaneidade para desfrutar o sexo contribui para que o facto de se ter uma filha solteira não seja uma vergonha ou uma desonra entre os sherpas, é algo que não afecta as perspectivas de um futuro casamento. Contudo, esta liberdade cessa quando se contrai matrimónio definitivamente. Os sherpas solucionam quase todas as zangas com dinheiro. Quando uma viúva não deseja casar-se com o irmão do seu marido e quer ficar independente da sua família política paga o changri-thou-wu, que significa “reintegração do prelo da cerveja consumida na cerimónia da petição da mão”. Também é com dinheiro que se solucionam os adultérios. O esposo infiel paga uma multa. O divórcio é pacífico e obtém-se por um curioso ritual: o marido agarra a ponta de uma corda, enquanto a família da noiva segura na outra ponta. A ruptura da corda simboliza o fim do matrimónio. Se o marido não esteve de acordo com o divórcio, o aspirante a segundo marido da sua mulher paga uma compensação e o casamento dissolve-se assim.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Rituais de Boda
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Homenagem a Jill Dias

Para homenagear Jill Dias e divulgar a sua obra e arquivo - e no âmbito do projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia: "Jill Rosemary Dias: acervo documental, bibliográfico e fotográfico" - realizar-se-á, no dia 17 e 18 de Fevereiro na Fundação Calouste Gulbenkian um colóquio internacional "As lições de Jill Dias. Antropologia, História, África e Academia".O Colóquio será aberto.
Mais informações em: http://www.cria.org.pt
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
O Povo – encontros com uma realidade idealizada
Após o 25 de Abril, a nova ideologia de Esquerda dedicou-se também ao estudo do povo e à divulgação e preservação das suas tradições. O povo transformou-se numa entidade mítica, redentora, ao qual se devia levar a cultura, os conhecimentos por ele produzido.“ Temos obrigação [ afirmou José Mário Branco] de ir às raízes culturais do povo português, pegar nelas, trabalhá-las muito e devolvê-las ao povo com os seus conteúdos avançados para a frente e inovando aquilo aquilo que tivermos de inovar em função dos interesses da luta. A questão é esta: nós não temos que nos inssurgir contra o vira; temos de nos insurgir contra o populismo que, para mim, é pegar nas formas adulteradas da arte popular e devolvê-las ao povo(...) Nestes casos, o que é que estamos a dar ao povo? Estamos a dar ao povo abortos que a burguesia fez com a cultura, em vez de se estar a dar aquilo que lhe pertence e que lhe tiraram.”
Podemos constatar, que esta ideologia muito diferente da do Estado Novo se aproximava em alguns pontos do discurso da construção da Nação de Salazar, na medida em que o povo continuava a ser alvo de um ensinamento, sendo esse conhecimento transmitido pelas elites culturais - pela burguesia no estado Novo, e pelas elites intelectuais de Esquerda, no pós 25 de Abril. Uma espécie de ideal romantizado do “bom selvagem” continuava a reflectir-se no “povo”, o qual permanecia em estado puro e atrasado.
Neste contexto, Michel Giacometti apelou para o nascimento de uma cultura nacional e para o estabelecimento de condições que favorecessem esse desenvolvimento. Para isso seria necessário, segundo as suas palavras, que deixasse de “subsistir a subalternização social e cultural de vastas camadas da nossa população” , existindo um sentimento identitário mais forte que conferisse ao folclore uma expressão nacional, e não um “refúgio da criatividade popular”.
O povo é assim o ponto de referência de cantores e músicos, ditos de intervenção, como é o caso de José Freitas Branco, José Afonso, Vitorino, José Barata Moura, José Carlos Ary dos santos, entre muitos outros.
José Afonso, afirmou que preferia “cantar canções de folclore a partir de uma recolha tão conscienciosa e documentada quanto possível, e só esporadicamente tentaria musicar
um ou outro poeta...”O desejo desta elite de esquerda é deste modo, recolher as bases da cultura popular e devolvê-la ao povo, de forma a que este dê valor ao que lhe pertence e com este desejo partem pelo país em busca de um povo etnográfico, de uma realidade idealizada.
Foram várias as iniciativas que se efectuam neste período revolucionário, de recolha e divulgação da cultura popular, principalmente no campo musical. Uma das iniciativas foi a do ALMANAQUE- Grupo de Recolha e Divulgação da Música Popular da Juventude Musical Portuguesa, surgido em 1975, aquando da cisão do antigo Coro da Juventude Musical Portuguesa, que teve como finalidade divulgar “ a verdadeira música popular portuguesa”, através de recolhas directas no campo. Segundo depoimentos registados na época o seu objectivo era acabar com “ a prostituição da música popular”, denunciar as adulterações, divulgar o verdadeiro folclore “em prol da cultura popular”.
A cultura popular torna-se assim, o leitmotiv de uma militância cultural, e a expressão pura da “portugalidade”.

Para além do grupo Almanaque, outros grupos surgem com os mesmos objectivos. É neste contexto que surge o P.T.C (PLANO TRABALHO E CULTURA), coordenado por Michel Giacometti, no âmbito do Serviço Cívico Estudantil, cuja finalidade era construir um Museu do Trabalho, onde o povo tivesse um papel de destaque, e pudesse ser representado, tal como ele era, testemunhando a vida e a luta do povo.
No Verão de 1975 reuniram-se 124 jovens estudantes pré-universitários, com o objectivo de uma recolha nacional de tradições populares, incluindo objectos de cultura material, cantos e danças, instrumentos musicais, literatura oral, medicina popular, bem como campanhas de educação sanitária, programas de animação sócio-cultural entre outros. Ao todo foram formadas 32 brigadas, nas quais os jovens, agrupados em equipas de quatro elementos, permaneciam cerca de 3 semanas em cada lugar previsto.
Tratou-se da maior “ Missão Etnográfica” alguma vez realizada em Portugal, na qual os jovens na presença das massas populares “in loco” tomaram contacto directo com o povo e com a cultura rural, através do canto ou colaborando nos trabalhos agrícolas. Partiam com uma ideia de povo que nem sempre encontravam, debatendo-se com muitas dificuldades no terreno, nomeadamente as logísticas, não sendo muitas vezes fácil a sua actuação. Uma das vozes anónimas presentes nesta acção definiu a sua experiência do seguinte modo:
“ O SCE não interessa a ninguém, quer dizer, poderá interessar, relativamente ao meu caso, e eu acho que sim, a uma valorização pessoal que eu acho mesmo que se tem, porque eu, por exemplo é a primeira vez que estou numa aldeia sem luz, sem água canalizada, sem instalações sanitárias, sem nada daquilo que temos em casa, portanto, penso(...) que só nesse ponto, valorização pessoal, é que se poderá ter algum proveito, mas não para as populações em que estamos, para nós próprios, só assim, mais nada.”
Deste encontro com o povo, surgiu o acervo etnográfico que deu origem à colecção do Museu do trabalho, com cerca de 1200 peças, que viria a ser inaugurado em Setúbal. Este museu veio segundo as palavras de Giacometti, preencher uma lacuna deixada pela política museográfica do Estado Novo e surgiu como uma crítica cultural.

Giacometti, é deste modo, um nome que não pode ser dissociado deste período conturbado e agitado que Portugal viveu, reflectindo sobre a nossa cultura de uma forma apaixonada, começando como um colector solitário e transformando-se num colector colectivo com uma militância cultural importante e destacada .Com a sua pesquisa pôs em causa toda uma herança salazarista e renovou o universo camponês. Juntamente com Lopes Graça, e outros intervenientes, proporcionou uma leitura mais reivindicativa do Povo Português.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
A importância da Esquerda Popular na Revalorização da Música Tradicional, no Pós-25 de Abril
O período revolucionário que se seguiu foi uma contra imagem do Estado Novo. Há um mergulho redentor no povo e assiste-se a uma atitude política da cultura popular orientada para o futuro, para a transformação profunda do regime.
Dois dos nomes mais importantes, nesta viragem política no estudo da Cultura Popular, nomeadamente na música tradicional, foram os de Fernando Lopes Graça, e Michel Giacometti.

Michel Giacometti é um intelectual de esquerda, corso, que veio para Portugal, em 1959,captar os sons e as melodias do nosso povo rural, tendo percorrido o país inteiro de microfones na mão.[1] A pesquisa da música tradicional em Portugal durante a ditadura pouco se fez e a existente serviu sobretudo fins políticos, daí que os poucos investigadores nesta área defendessem a existência de uma cultura tradicional decadente.
“ (...) Os estudos da nossa música tradicional não poderiam escapar à situação em que se encontram os estudos da totalidade gnoseológica de que fazem parte. Assim, também aqui o que até agora foi realizado entre nós não ultrapassou a fase da etnografia musical (...)” [2]
Giacometti, veio revolucionar tudo o que neste âmbito se tinha feito anteriormente, e ainda no regime de Salazar, desafiou a ideologia reinante, utilizando tecnologias pouco habituais e procurando um povo, que poucos conheciam existir.
Em 1959, mostrou as primeiras gravações que efectuou em Trás -os Montes, a Fernando Lopes Graça, e decidiu permanecer em Portugal a investigar, pois encontrara uma realidade etnográfica completamente desconhecida. 
Esse trabalho viria a mostrar como a política folclorizante tinha idealizado um povo, tendo descoberto lógicas diferentes das preconizadas pelo regime. Segundo este etnomusicólogo, a política cultural oficial que promovia os ranchos folclóricos “era uma maneira de ter na mão organizações populares que podiam ter outro sentido e que assim estavam limitadas a cantar e a dançar um “folclore” que já à partida era deturpado. É por isso que se recolhermos as letras cantadas pelos ranchos folclóricos, vemos que são letras castradas, porque não há dúvidas que o povo a exprimir-se à vontade teria cantado à vontade. Mas o cacique, o chefe do grupo dizia “vocês não podem aparecer assim no festival...”, não só no aspecto social e político eram cortadas, mas também aquelas que eram um bocadinho “apimentadas”.[3]
Do árduo trabalho de Giacometti surgiu o “Cancioneiro Popular Português”, o qual contou com a colaboração de Fernando Lopes Graça, tendo sido concluído em 1981.Para a realização deste cancioneiro Michel Giacometti analisou cerca de 7000 espécimes musicais, sendo cerca de 3000 resultado da sua recolha directa.
Com esta obra Giacometti pretendeu “restituir ao povo português o que lhe pertence de uma herança legítima, nem sempre avaliada justamente como um dos mais preciosos bens do património comum”.[4]
Esta colecção de cantares portugueses revela assim um povo que se assume, que vai abandonando aos poucos os fantasmas do passado, e que se torna mais espontâneo e liberto. 
Estão presentes no Cancioneiro canções de todo o país, mesmo das localidades mais remotas, incluindo canções de berço, de morte, de noivado, de festas e de arraiais, de amor e mal dizer, religiosas e de trabalho. Eram, sobretudo os cantos de trabalho, que fascinavam Giacometti, dando a conhecer uma cultura popular assente nas tarefas rurais (sementeira, ceifa, varejo da azeitona, espadelada do linho, etc) , e um canto polifónico que testemunha a solidariedade colectiva.
Nesta perspectiva, a Esquerda põe em causa a geografia simbólica do Estado Novo, descobrindo-se regiões musicais que não se coadunam com as habituais divisões da geografia humana. Diferentes regiões, como o Alentejo ou o Minho, podem estar bem mais próximas em termos musicais do que se pensava, quer pelos ritmos como pelas temáticas expressas nos seus cantos. Esse canto descoberto por Giacometti reforça a ligação do homem rural à terra,aos seus ritos e rituais, ao mundo profano e religioso.
[1] Michel Giacometti, nasceu em Ajaccio (Córsega)em 1929, foi poeta, crítico de arte, actor e director de uma companhia teatral. Fez o curso de Letras e Etnografia e organiza uma missão internacional de estudos do folclore das ilhas do Mediterrâneo em 1956.Morre em Portugal em 1990, deixando na Etnografia Portuguesa, um valioso espólio.
[2] João Ranita Nazaré, Música Tradicional Portuguesa – Cantares do Baixo Alentejo, Lisboa, Instituto de Cultura Portuguesa, 1979, p.15
[3] Michel Giacometti, in Voz do Povo, de 25/ 04/ 77
[4] Michel Giacometti, Fernando Lopes Graça (colaborador) – Cancioneiro Popular Português , Círculo de Leitores, 1981, p. 5
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