quarta-feira, 18 de maio de 2011

Debate sobre o cante alentejano em Beja

Os temas a debater são os seguintes:


1. Introdução ao tema

2. Origens e influências do Cante

3. Estrutura musical do Cante

4. Evolução do Cante no Século XX

5. Cante e identidade

6. Balanço e perspectivas

domingo, 20 de março de 2011

Azul Longe nas Colinas – uma peça de teatro no D. Maria II



Nesta peça com texto de Dennis Potter e encenação de Beatriz Batarda, a infância é retratada numa Inglaterra em tempo de guerra, nos anos 40. Infância esta que é tudo menos doce…doseada com muita violência à mistura, onde não há a habitual inocência que a caracteriza. Dotada de um sentido de humor acutilante, a peça mostra-nos um grupo de amigos constituído por Willi, Peter, John, Raymond, Donald, Angela e Andrey, que transportam para as suas brincadeiras a violência que vêem nos adultos, reproduzindo os seus padrões de conduta. Em determinadas alturas da peça, esta violência é cada vez mais psicológica, mais intensa atingindo o seu clímax no final.
Representam personagens tipo, onde não falta o fanfarrão, o valente, o gago tímido, a sonhadora, a intriguista, a criança problemática com a falta do pai…Durante o tempo que vemos a peça, somos obrigados a transpor-nos para a criança que já fomos, pois só assim podemos entender a sua linguagem, uma vez que os adultos que vemos em cena são eles as crianças da peça.
Surpreendente a representação de Bruno Nogueira, habitual presença em programas humorísticos, que aqui sabe dar corpo a uma criança que não sabe lidar com a ausência do pai e com a sua possível captura pelos soldados japoneses, na guerra -aliás, como a de todos os restantes actores, pois regressar ao universo das crianças e representá-lo exemplarmente como o fizeram não é fácil…a tal ponto, que eles se transfiguram e são mesmo crianças aos nossos olhos.
A última representação foi hoje!
Com as participações de: Albano Jerónimo, Bruno Nogueira, Dinarte Branco, Elsa Oliveira, Leonor Salgueiro, Luísa Cruz, Nuno Nunes

domingo, 13 de março de 2011

Exposição «Educar: educação para todos. Ensino na I República»

Está patente no Palácio Valadares (eu continuarei a chamar-lhe Escola Secundária Veiga Beirão, por ter sido ali que fiz o 7º, 8º e 9º ano de escolaridade), no Largo do Carmo mais uma exposição sobre a I República, sendo esta dedicada ao ensino.
A exposição encontra-se organizada em diversos núcleos, dos quais salientamos os seguintes: o Ensino antes da República, os pedagogos, a educação cívica, manuais de ensino, ensino primário, liceus, laboratórios, ensino técnico e profissional, o ensino universitário, a mulher e o ensino e a festa da árvore.
Percorrer cada sala é um viajar ao passado, confesso que com alguma nostalgia, pois por detrás de cada cenário, de cada placard, estavam as paredes das salas de aula, a sala dos professores, os corredores, onde eu passei três belos anos da minha adolescência, embora quase irreconhecível, pois o edifício sofreu uma remodelação e agora é amplo. Arrepiei-me até um pouco porque quando cheguei a uma das salas que apresentava o mobiliário de uma sala de aula do ensino primário, revi carteiras semelhantes àquelas em que me sentava na minha escola primária, também no Largo do Carmo, em frente a este palácio. Como se não bastasse, enquanto estava nessa sala, ouvi precisamente um “toque” igualzinho àquele que tocava nos anos 80 e nos avisava que era altura de entrar ou sair da sala… parecia estar mesmo a recuar no tempo.
Dei por mim, a tentar descortinar os fios da memória, a lembrar-me de peripécias, de acontecimentos, mas infelizmente, passados tantos anos, esqueci-me de tantos pormenores … de certos recantos do edifício… A verdade é que foi muito estranha esta sensação, pois já não entrava ali há muitos anos. Curiosamente não reparei em nenhuma alusão à Escola Secundária Veiga Beirão ao longo da exposição dedicada ao ensino, provavelmente porque se tornou escola num período posterior ao da I República.
Vista a exposição, fui até ao pátio da antiga escola, que tão pequeno me pareceu, e revi mentalmente um jogo de futebol que ali joguei, numa equipa de raparigas, uma lembrança algo estranho, pois não aprecio muito futebol actualmente. Um pulo até ao pátio de trás, e foi como se o Grandella e o antigo Chiado ali ainda estivessem… Não há nada a fazer sou mesmo uma saudosista das coisas boas do meu passado!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

«Diários Gráficos em Almada – Não somos desenhadores Perfeitos» - exposição no Museu da Cidade de Almada

Trata-se de uma exposição notável. A mostra apresenta trabalhos de 30 autores diferentes, que têm em comum o gosto pelo desenho, embora com formações e percursos profissionais muito distintos, integrando desde médicos, arquitectos, professores, designers, artistas plásticos, geólogos e antropólogos, entre outros.
Dizem que não são desenhadores perfeitos, mas estes diários gráficos são verdadeiras obras de arte! Cadernos de viagem, de registo diário, de apontamentos de observação da paisagem, de pensamentos íntimos ou divagações, de desabafo de experiências e vivências, estes cadernos são mais do que um acessório prático de uso quotidiano, eles são para muitos dos artistas representados um vício, sem o qual não passam. Um caderno dá origem a outro, e outro e outro…
Tal como a palavra, o desenho é aqui forma de expressão que diariamente fixa o pensamento do autor. Podem não ser desenhos perfeitos, mas são únicos e irrepetíveis, têm valor de testemunho. Acompanham os autores como uma segunda pele, uma forma de memória dos espaços e lugares.
Gostei sobretudo da forma como a exposição se apresenta, organizada por autores e com os cadernos arrumados em gavetas. Para Eduardo Salavisa, comissário da exposição , esta dimensão permite « realçar o lado pessoal e íntimo desse objecto que foi concebido, pela sua forma e estrutura para ser visto só pelo próprio e a quem ele quiser mostrar». Neste sentido, ao abrirmos cada gaveta, deparamo-nos com o desconhecido, com a surpresa do que vamos encontrar e entramos numa relação muito pessoal e intimista com o autor descobrindo objectos que são muito seus e que nos vão sendo revelados através da nossa procura. Por outro lado, reforça o simbolismo das obras que se deixam “escondidas na gaveta”, que não são normalmente exibidas ou publicadas. Aqui é o visitante que toma a decisão de revelar e tornar visível esses objectos recatados.
A exposição encontra-se patente ao público até dia 16 de Abril.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Oficina SerSentir no CCB

Sábado dia 12 de Fevereiro, ocorreu mais uma notável oficina no CCB, inserida no Modo de Aparição das Artes, no Espaço da Fábrica das Artes. Desta vez foi uma oficina de ilustração e literatura ministrada por dois nomes célebres nesta área, sobretudo no norte do país, onde é mais fácil encontrar trabalhos seus, falo de Gémeo Luís e Eugénio Roda. O primeiro é ilustrador, e o segundo escreve os seus livros.
Nesta oficina, foi possível transformar sacos pretos do lixo em obras de ilustração... a experiência foi interessante e apesar de não ter tido resultados brilhantes na minha obra de arte, acho que o mais interessante foi mesmo o processo criativo que os dois autores nos transmitiram, assim como o seu entusiasmo contagiante...Um dia muito bem passado!



RTP - ORLANDO RIBEIRO

RTP - ORLANDO RIBEIRO

Orlando Ribeiro e os estudos olisiponenses


Foi professor universitário, nasceu em Lisboa em 16 de Fevereiro de 1911. Estudou nas Faculdades de Letras e de Ciências e no Instituto Superior Técnico de Lisboa, tendo-se licenciado em História e Geografia. Entre as muitas actividades que ocupou em vida, foi leitor de português na Sorbonne em 1937-1940, director e organizador dos Centros de Estudos Geográficos da Universidade de Coimbra e de Lisboa.
Foi discípulo de José Leite Vasconcelos, tendo ajudado na compilação dos volumes póstumos da obra “Etnografia Portuguesa”.
Destacam-se as suas obras mais importantes: Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1967 e Atitude e Explicação em Geografia, de 1960, entre muitas outras.

No artigo “ Evolução e Perspectivas dos Estudos Olisiponenses” – Lição inaugural da cadeira de “Estudos Olisiponenses” da Universidade de Lisboa, Orlando Ribeiro elabora uma breve síntese sobre os estudos mais importantes que se foram fazendo desde o século XV até à actualidade sobre a cidade de Lisboa, apontando o seu carácter pouco rigoroso e objectivo, por serem ou demasiado técnicos ou demasiado amadores, não dando uma noção real e concreta da cidade.

Este texto é datado de 1945, década em que houve a institucionalização dos Estudos Olisiponenses na Universidade de Lisboa.
Para Orlando Ribeiro, esta área do conhecimento não é uma ciência feita, mas uma matéria sobre a qual professores e estudantes poderiam debater, investigar e chegar a novas conclusões. Esta nova disciplina seria integrada na área da Geografia Humana.

Os estudos de Geografia urbana em Portugal tinham-se iniciado antes, em meados dos anos vinte, com Amorim Girão, com o estudo das cidades de Viseu e Coimbra, e Mendes Corrêa, que tinha instituído a Geografia no Porto, e que se começara a interessar por estudos relativos à cidade do Porto.
São trabalhos bastante importantes, mas que não ganham ainda muito destaque num País essencialmente rural, onde as cidades parecem pouco relevantes.
É depois da estadia de Orlando Ribeiro em Paris, que o autor se começa a dedicar ao estudo das cidades, nomeadamente à cidade de Lisboa e ao modo como esta vai alterando a sua paisagem e estrutura com o crescimento que começa a revelar.

A definição de cidade para orlando Ribeiro, é marcada pela forte presença humana na natureza. Trata-se de uma forma de civilização moderna, um organismo vivo, que contrasta do campo pelo pulsar acelerado da vida e pelo processo de mudança e transformação.

A cidade de Lisboa é vista como uma cidade com um crescimento exponencial, a qual sofre modificações profundas, alastrando as suas periferias e expulsando do seu centro a população que aí vivia. A cidade torna-se segundo as suas palavras, demasiado moderna e ruidosa, deixando de existirem espaços de lazer, em virtude do progresso.
A cidade vê assim, aumentar o número de residências, e as indústrias que se localizam junto ao estuário do Tejo e na Margem Sul.
Lisboa, é uma cidade onde se começa a estar mal, a viver-se “ num ambiente ruidoso e inquieto e afastado da natureza e de uma vida tranquila e ordenada”.

O trabalho e os modos de viver distinguem os vários bairros da cidade e dão-lhe uma autonomia própria, é o caso por exemplo da Madragoa que se associa a varinas e embarcadiços, e que contrasta da Lapa, pela aristocracia que aloja.

Os arredores, assumem um papel muito importante na cidade, tendo a ver com três factores: residencial, industrial e de veraneio (ex. Estoril, Cascais).

Orlando Ribeiro reconhece que o estudo de uma cidade, como a de Lisboa, abarcaria outros assuntos do que os tratados por ele, principalmente os de cariz sociológico, como é o caso da vida espiritual, da expressão artística, ao seu reflexo na literatura e no pensamento do país.

Nos anos 50, as cidades são integradas no campo da Geografia cultural, começando a existir ligações com a Antropologia, a Etnologia e a Sociologia. Começa-se a dar importância aos pormenores e vivências citadinas, começando a existir um conhecimento directo dos espaços urbanos. Estudam-se os bairros típicos, onde o convívio e a interdependência entre os seus habitantes são uma constante e alarga-se o interesse pelas periferias, como espaços que se constroem para fazer face às necessidades de crescimento das cidades, e nas quais as redes de interdependência se vão perdendo, transformando-se em pólos dormitórios.


Entre 1966 e 1972 Os estudos das cidades ocupam muito Orlando Ribeiro, o que coincide com o boom de Geografia urbana Portuguesa durante a década de 60.
O interesse do autor decairá um pouco nos começos dos anos 70, interessando-se novamente nos anos 80, que ficarão marcados pelos trabalhos que desenvolveu em Évora e Toledo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Homenagem a Jill Dias




Para homenagear Jill Dias e divulgar a sua obra e arquivo - e no âmbito do projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia: "Jill Rosemary Dias: acervo documental, bibliográfico e fotográfico" - realizar-se-á, no dia 17 e 18 de Fevereiro na Fundação Calouste Gulbenkian um colóquio internacional "As lições de Jill Dias. Antropologia, História, África e Academia".O Colóquio será aberto.
Mais informações em: http://www.cria.org.pt

domingo, 30 de janeiro de 2011

Visita ao Moinho de Papel- Leiria

Iniciaram-se hoje um ciclo de visitas denominadas «No Trilho dos Moinhos», promovidas pelo Ecomuseu Municipal do Seixal, tendo sido a primeira ao Moinho de Papel em Leiria.
Este moinho foi construído no séc. XV, por autorização de D. João I a Gonçalo Lourenço de Gomide, escrivão do rei. Surgiu em 1411 e foi aqui que se produziu o primeiro papel português (o papel foi inventado pelos chineses no séc. III d.C.) tendo como matéria prima o trapo. Foi também moinho de cereais, mas acabou por ficar fortemente ligado à produção de papel.


Em 1999, a Câmara Municipal adquiriu o edifício do moinho que se encontrava bastante degradado, e a partir de 2003, iniciou as escavações arqueológicas para comprovar que se tratava do moinho original. A partir daí o moinho foi recuperado, graças a apoios europeus, tendo sido aberto ao público como espaço museológico em Setembro de 2009.
A arquitectura do projecto de remodelação esteve a cargo de Siza Vieira, e contou com o projecto museológico de António Nabais.







quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um Feliz 2011 para todos


Vésperas de ano novo…os mesmos gestos de sempre… renovam-se os votos de felicidade junto dos amigos, entopem-se as redes móveis com mensagens carregadas de frases feitas, quase sempre impessoais e repetidas vezes sem conta, ultimam-se as compras para a ceia de reveillon, numa azáfama aos supermercados que arrepia, correm-se as lojas em busca de uma toilette especial, se a noite for de gala…Procura-se uma festa freneticamente, na ânsia do divertimento…porque passagem de ano requer festa e felicidade! E por todos estes motivos temos de estar sempre felizes no dia 31 de Dezembro. É por isso que detesto as passagens de ano. Se pudesse passava directamente para o dia 1 de Janeiro sem passar pelo dia 31, embora eu como todos os mortais proceda aos mesmos rituais mundanos…Mas, não sei há sempre qualquer coisa que me agoniza nesse dia, talvez a pressão para estar exultante, a rejubilar de alegria ou o peso de sentir que não alcancei algumas das metas estabelecidas para o ano que termina. Mas tudo isso faz parte do processo!
Talvez o que me agrade mais nesta coisa da passagem de ano seja a promessa de mudança do costume. Nesta altura todos nós ansiamos por poder mudar alguma coisa na nossa vida e se possível para melhor. Brindemos a essa mudança positiva que nos move e nos faz acreditar que ela é possível, ainda que tenhamos tudo contra nós, a crise financeira, a falta de valores que nos cerca nos gestos do quotidiano, a carência de recursos, a inércia que nos habita … Que essa mudança nos torne mais solidários, mais conscientes das necessidades do outro à nossa volta, nos faça sentir uma pessoa melhor e mais íntegra, nos traga beleza, estabilidade emocional e económica à nossa vida! Que cada um faça os seus próprios votos de mudança e faça o caminho para os cumprir! Quem não precisar de mudar nada na sua vida considere-se um bem-aventurado… ou então é um irreflectido!
Um feliz 2011 para todos! Que consigamos realizar os nossos ideais e materializar alguns dos nossos sonhos.

Alpha: a história de uma amizade que sobrevive há milénios

Alpha é um filme que conta uma história que se terá passado na Europa, há cerca de 20.000 anos, no Paleolítico Superior, durante a Era do...