segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Juan Les Pins e Barcelona

Como o horário da saída do autocarro foi combinado para mais tarde do que o habitual, e porque o hotel estava localizado em pleno centro de Juan Les Pins, junto à praia, comecei o dia com um mergulho no mar Mediterrâneo. Soube bem nadar nestas águas calmas e quentes, o único senão e com certeza desesperante para quem possa querer passar o dia na praia, é a quantidade de gente que chega se instala, no mais pequeno espaço desocupado. Em pouco mais de 20 minutos, a curta extensão de areal foi praticamente tomado por famílias inteiras que se acomodaram mesmo em cima da linha de água. Daí, nesta região muitas das praias serem privadas, pagas, para se usufruir de outra qualidade, o problema é que o povo não chega lá…como sempre aliás…
De regresso ao autocarro, esperava-nos mais uma longa maratona de quilómetros a percorrer até Barcelona. Antes, fizemos uma vista panorâmica dentro do autocarro de Nice, e deu para constatar que esta é mesmo uma terra de gente endinheirada, a provar pelos iates luxuosos, pelos automóveis topo de gama que circulavam pela rua, pelos hotéis de charme que aí existiam, como é o caso do célebre «Negresco».



Nice
À noite depois de muitas horas de viagem tivemos uma hora e meia livre nas Ramblas de Barcelona. A noite estava quente, convidativa para passear. Contrariamente a outros anos que estive em Barcelona em Agosto, as Ramblas não estavam a abarrotar de gente, o que deu para passear tranquilamente, ir até à Plazza Maior e entrar num bar para beber uma caña e uma tapa de polvo.
Chega ao fim a viagem que dominou os meus últimos 10 dias. A euforia é substituída pelo cansaço e a pressa de chegar a casa. A viagem é sempre esse escape, essa evasão que nos alimenta a imaginação, a irrealidade do momento que trazemos connosco, e um dia acaba. Traz-se a mente e a alma lavadas, carregadas de novas experiências, alargam-se os conhecimentos e horizontes, e às vezes até fazemos novos amigos. Viajar é isso mesmo, partir, fugir do nosso tempo e da nossa rotina estabelecida, viver intensamente o que nos chega aos sentidos, carregar uma bagagem pesada, repleta de emoções. Talvez por isso para mim seja tão importante viajar, ajuda-me a crescer, a carregar baterias, a ver o mundo com outros olhos. É uma inquietude que nunca é satisfeita…Há tanto caminho e destino ainda a percorrer, enquanto houver mundo e algum dinheiro, porque viajar é nos nossos dias cada vez mais um luxo que não se coaduna com a vida que levamos. Quando materialmente já não for possível, partir, que o fio da imaginação pelo menos não me abandone e me deixe levar sempre para outras paragens…

Florença, San Gimignano e Pisa

A passagem por Florença foi breve, mas ainda assim é sempre um regalo para os olhos visitar esta cidade. A Piazza della Signoria é um bom ponto de partida para a explorar, encontrando-se aí o Palazzo Vecchio, e as deslumbrantes estátuas (algumas cópias), que representam alguns acontecimentos históricos da cidade. Aí encontramos a Fontana di Nettuno, onde vemos o deus  romano do mar, rodeado de ninfas,  a  estátua de David, uma cópia perfeita da obra de Miguel Ângelo.
Estátua de David

Logo pela manhã, a praça já estava repleta de turistas admirando a beleza das estátuas, tomando lugar nas filas para a Galeria dos Ufizzi, um dos maiores e melhores museus do mundo com arte renascentista. Este museu é de visita obrigatória, pois encontram-se aí obras notáveis, como o Nascimento de Vénus ou a Primavera, de autoria de Botticelli, entre outras. Desta vez, optei por não o visitar, pois já o tinha feito na vez anterior que visitei Florença e agora tinha o tempo mais contado. Aproveitei para ir à ponte Vecchio, verdadeiro ex-líbris da cidade, onde se localizam as joalharias mais conceituadas.
Ponte Vecchio
O calor continuava intenso e nas margens do rio Arno havia quem apanhasse sol ou se banhasse mesmo numa represa do rio…
Junto ao Duomo e ao Baptistério proliferavam magotes de grupos organizados de turistas que se amontoavam. Fazer viagens organizadas, sobretudo nesta época do ano, tem estes inconvenientes, está sempre tudo lotado de gente a querer ver e fazer as mesmas coisas, somos todos consumidores de lugares, ávidos de levar connosco um pouco do que vimos…é quase uma paranóia.

Duomo
Depois de visitarmos Florença encaminhámo-nos para San Gimignano, uma localidade situada em plena Toscânia. Tendo sido um antigo local de paragem das peregrinações da Europa do norte até Roma, durante muitos séculos, esta pitoresca cidade apresenta ainda uma estrutura arcaica, e conservação do traçado medieval. As trezes torres que dominam o horizonte de San Gimignano, foram construídas por famílias nobres rivais durante o séc. XII e XIII. Tudo neste local faz lembrar o eco de outros tempos longínquos, como se recuássemos muitos anos atrás.

San Gimignano
Aí caminhámos até à Piazza de la Cisterna, percorremos as suas ruas, entrámos em algumas lojas com produtos locais da região para vender, e admirámos a paisagem envolvente da Toscânia, a partir de um miradouro, marcada pelo verde das vinhas e dos ciprestes, que neste contexto não têm nada de soturno, contrastando com os campos doirados, dos fardos de feno. Uma paisagem pintada numa tela, que tem algo em comum com o nosso Alentejo, um pouco de romântica e solitária. Se tivesse oportunidade gostaria de passar um fim de semana num desses alojamentos rurais, desfrutando das iguarias, do vinho bom desta região e dos passeios pelo campo…


O ponto de visita seguinte foi Pisa. Para mim foi um verdadeiro pesadelo, talvez começasse a acusar já um certo cansaço de turismo massificado. Turistas despejados num parque de estacionamento, um longo caminho a percorrer até à praça, atrapalhado pelos atropelos dos vários grupos. O pouco  tempo que tivemos nesta terra também não ajudou, não dando tempo praticamente de nos aproximarmos da torre inclinada. Houve tempo apenas para tirar algumas fotografias à torre, de longe e voltarmos ao autocarro. Esta torre tem a peculiaridade de ter sido construída com inclinação, devido ao solo arenoso onde se encontra construída e atualmente a sua inclinação já atinge os 5 m. A verdade é que desde o século XIV se tem aguentado e ainda não caiu.

Pisa
Depois de Pisa foi o desespero da longa viagem até Juan Les Pins, uma estância balnear localizada na Côte d’Azur, perto de Nice. O declínio da viagem aproximava-se, a impaciência instalava-se pelas longas jornadas dentro do autocarro. Depois de Barcelona só havia um objetivo: regressar a casa.

domingo, 12 de agosto de 2012

Costa Amalfitana

O percurso pela Costa Amalfitana fez-se em dois autocarros mais pequenos, conduzidos por motoristas locais, que conhecem bem os percursos e as exigências daquelas perigosas estradas, cheias de curvas e contracurvas, com vistas deslumbrantes para o mar e com escarpas acidentadas e íngremes. Na Costa Amalfitana, pudemos admirar locais como Positano, cuja construção assenta em socalcos.

Vistas de cortar a respiração inspiram o sonho desta viagem e em Amalfi, enquanto todos seguiam para as várias lojas de souvenirs que enchiam as ruas, eu fui direta ao mar para mais um banho salgado. Poucos minutos, mas preciosos.

Amalfi

Voltámos a Pompeia para almoçar e atravessámos novamente a Itália em direção ao norte, mais concretamente, Florença.
À noite já em Florença ficámos instalados num agradável hotel situado nos arredores de Florença e jantámos num restaurante situado ali perto, bastante agradável. Não resisti a um risotto al maré, regado com um bom copo de vinho branco. Não há dúvidas que para mim Itália é também comer beber bem!
Risotto al mare

Pompeia e Capri

Depois de sairmos de Roma, rumámos ao sul, com destino a Pompeia. Depois de umas3horas de caminho, fomos visitar aquele que é decerto, o local mais representativo da cultura romana apresentando vestígios bem preservados, Pompeia. Esta localidade, situada perto de Nápoles, foi assolada no ano 79 d.C, pela erupção do vulcão Vesúvio, tendo ficado soterrada por uma nuvem de cinza e lava que se formou, devastando toda a cidade e matando todas as suas gentes.

Pompeia

A sensação que tive ao percorrer aquelas ruas, foi verdadeiramente impressionante, não só pelo que ali aconteceu, mas pelo trabalho de tantos arqueólogos que trouxeram aquela cidade novamente à luz do dia. São vários quilómetros de superfície escavada, revelando casas parcialmente destruídas, outras quase intactas, estruturas de casa, aspetos decorativos, como são os muitos frescos nas paredes que podemos encontrar em algumas dessas casas, as mais abastadas na época.


A área a visitar é estrondosa, uma pessoa quase se perde ali, parece um labirinto, com pouca sinalética. Ao mesmo tempo, fiquei como uma sensação um pouco frustrante, pois em duas horas não se consegue ver praticamente nada e não houve tempo para selecionar adequadamente o que era prioritário ver. Se acrescentarmos a isso, o facto da visita ter sido entre as 12h00 e as 14h00, com um calor abrasador e a sentir o corpo a desintegrar-se, não deu para muito mais.
Modelo em gesso de corpo humano soterrado
De seguida fizemos uma breve visita panorâmica de autocarro por Nápoles e ainda bem que nem saímos, pois preconceito à parte, achei do que vi, uma cidade feia, suja, cheia de lixo, escura e muito pouco interessante.
Nápoles

Saímos apenas para apanhar o barco em direção a Capri, a ilha conhecida como jardim do Paraíso.
Aí, encontrámos catadupas de hordas organizadas de japoneses, todos tapados, com chapéus, mangas e luvas para se protegerem do sol. Junto ao porto, as pessoas amontoavam-se numa pequena praia, cheia de pedras. O calor era insuportável e eu acabei por não resistir a um banho de mar bem regalado e salgado nas águas transparentes de Capri, o problema foi mesmo entrar e sair da água, devido às pedras. Soube bem para refrescar.
Capri

No regresso, voltámos a apanhar o barco mas agora para Sorrento, outra bela estância balnear em plena Costa Amalfitana. Aí descobrimos um restaurante italiano simpátco com pessoas bem dispostas e pudemos degustar um vinho tinto e umas pastas saborosas.
Sorrento
O hotel foi o coroar do dia, longíssimo de Sorrento…a luz falhou três vezes, foi uma aventura completa dormir ali, mas o cansaço começa a moer o corpo e já não há muitas exigências a fazer: apenas dormir!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Roma, cidade eterna

A caminho de Roma

«Sigo agora para Roma, a capital do império romano. Não quero ter expectativas para não me desiludir, mas estou com muita curiosidade. Que mistérios terá esta cidade para revelar? Que sons, que cheiros encontrarei nela? Daqui a umas horas chegamos…» 

Roma, cidade eterna
«Roma é uma cidade para se viver intensamente. Tudo nela é forte, imperial, sente-se o eco de uma antiga civilização debaixo dos nossos pés, nas pedras que pisamos, nos vestígios arqueológicos que vislumbramos por toda a cidade. Tudo é motivo de surpresa, de admiração, de êxtase…
O Coliseu é magnânimo pela sua imponência, outrora local de morte e de euforia de multidões, de gladiadores e de animais selvagens, é um dos vestígios mais importantes da civilização romana, a manter-se ainda de pé. Tudo é história nesta cidade e talvez por isso tenha tanta coisa para contar… Sinto-me arrasada pelo calor, pelo que há para ver e calcorrear, como uma vertigem que nos parece transportar para outro tempo e lugar.
Coliseu
Além do Coliseu, visitei o Palatino (antiga residência de imperadores e aristocratas) e o Fórum Romano (antigo centro cerimonial da cidade do império romano), incluídos no mesmo bilhete, e aí o que há para ver não dá para ver em poucas horas…
Fórum Romano
O suplício do calor abrasador acima dos 35Cº, começaram a fazer-me esmorecer, mas tinha de se fazer uma seleção e ver apenas o que dava e não tudo, como pensei. Querer ver Roma num dia e meio é mesmo uma odisseia, mas ainda assim posso dar esta missão por cumprida, pelo menos por agora, porque o meu desejo é de regressar um dia mais tarde, com mais calma.
Por esse motivo, fui até à sumptuosa Fontana de Trevi, uma das fontes mais imponentes da cidade, concluída em 1762, que ocupa praticamente toda a fachada de um edifício, e deitei para lá uma moeda, pedindo um desejo. Diz a tradição que quem o faz, acaba sempre por regressar a Roma… A água cristalina, o calor intenso, fez com que me apetecesse mergulhar nela e caminhar ensopada pela cidade. O que me valeu foram as várias fontes que encontrámos pelas ruas de Roma, todas com água fresca e gelada que ajudaram a aliviar o cansaço.
Panthéon
Outros foram os pontos de interesse, a Piazza de Minerva, o Panthéon, a Piazza de Spagna, onde são realizados os desfiles de moda nas escadarias, a Boca da Veritá, localizada no pórtico da igreja Santa Maria in Cosmedin, que segundo diz a lenda mordia a mão dos mentirosos, embora servisse para o escoamento das águas.

Boca dela veritá
Uma das memórias que levarei comigo será também a visita breve que realizei ao Vaticano. Optei por não visitar os museus, nem a Capela Sistina, por um lado, devido ao pouco tempo que dispúnhamos, mas também para evitar as filas enormes que ali se estendem. Fui visitar apenas a Basílica de S. Pedro, que me encheu o espírito. Certamente Jesus Cristo se fosse vivo não concordaria nada com tamanha opulência, nem riqueza, mas temos de reconhecer que a basílica é uma ode aos artistas renascentistas, é belíssima, ostentando peças únicas, como a Pietá de Miguel Ângelo. A sua cúpula é também uma maravilha, com cerca de 136, 5 m, esta acabou de ser construída depois da morte de Miguel Ângelo que a projetou.

Vaticano - Praça de S. Pedro
Houve tempo ainda para um jantar numa das ruelas de Roma, perto da Piazza Navona, onde encontramos três grandes fontes. A noite era quente, o ambiente era convidativo à festa, à celebração da vida e do momento presente. Roma é também isso, convívio, romance, magia no ar… As fachadas dos prédios em tons ocre e salmão, com janelas decoradas com flores e heras, as esplanadas nas ruas, são autêntico cenário de filmes que nos recordam o Fellini e outras películas rodadas nesta cidade eterna. “Dolce Vita”, “Dolce fare niente”, assim é Roma, majestosa, imperial, sublime, encantadora!».
Piazza Navona

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

S. Remo e Génova

Dia 30 de Julho

«Finalmente chegámos a Itália. Depois de dois dias e meio de viagem. Eis-nos nesta terra encantada, com sotaque cantado e gestos ondulantes, onde os edifícios são majestosos, a gastronomia uma iguaria dos deuses e os vinhos, doces pecados que nos conduzem ao sétimo céu.
Itália é para mim uma experiência para os sentidos, os olhos extasiam-se com tanta beleza e classicismo, os ouvidos deliram com a música lírica, o palato delicia-se…


Entrados em S. Remo, deparámos com uma importante estância balnear, com edifícios antigos, datados de finais do séc. XIX, quando a aristocracia descobriu as maravilhas da Riviera Italiana. Nesta cidade encontramos verdadeiros palácios, de marca quase colonial, fazendo-nos lembrar os prédios de Havana, apresentando em alguns casos, sinais de evidente decadência nas fachadas.
As praias que visitámos foram também uma desilusão, cheias de pedras e lixo. Ainda assim, cada um arranha um espacinho para se molhar e usufruir do sol.




A segunda paragem foi Génova, cidade portuária, com o maior porto comercial do país, caraterizada pelo tráfego de mercadorias, pelo comércio, por pessoas que chegam e partem em luxuosos cruzeiros, que ali fazem paragem. Génova é um ponto de contacto com o mundo, onde tudo se cruza. É uma cidade histórica, de enorme dimensão, difícil é captá-la na sua essência, sobretudo quando se tem duas horas para visitar o centro.
Aí, percorremos a Piazza de Ferrari, com a sua fonte de bronze, onde se localiza o neoclássico edifício do Banco de Roma, a academia e o Teatro Carlo Felice. O lugar mais importante que visitámos foi o Duomo de San Lorenzo, datado dos princípios do séc. XIII. A sua fachada é gótica, apresentando faixas negras e brancas, e o seu interior revela vários estilos e influências artísticas.

 

O tempo foi curto, não deu para explorar Génova como gostaria, mas foi interessante perder-me um pouco nas suas ruas, sentir o pulsar da vida das pessoas, as quais na sua maioria passeava-se com lindos cães de raça, observar as varandas das casas, as janelas com portadas verdes e imaginar quem viveria lá…


O jantar foi rápido mas deu para provar uma pizza «Marinara», muito simples, com tomate e alho e degustar um maravilhoso vinho «Sangiovenese», da Toscânia.

Viagem a Itália – Costa Amalfitana

O destino principal desta viagem foi Itália, mais concretamente a Roma e à Costa Amalfitana. Tal como sucedeu em anos anteriores, optei pela agência de viagens, Mil-Andanças, sediada em Setúbal, que oferece pacotes de viagens em autocarro, a bons preços, sendo muitos dos seus clientes professores, não tivesse esta empresa sido fundada por professores com interesse pelas viagens.
Viajar de autocarro é cansativo, mas tem uma vantagem enorme, na medida em que nos permite conhecer múltiplos lugares num curto espaço de tempo. Foi o que aconteceu mais uma vez nesta viagem, daí o seu encanto. Aqui fica o relato de alguns dos momentos da viagem, que ocorreu de 28 de julho a 6 de Agosto de 2012.

Dias 28 e 29 de julho

«Há dois dias que mal saímos do autocarro. A distância até Itália é longa e tem sido feita de demoradas etapas. Só parámos ainda em Madrid, onde soprava um vento quente e abafado, e a tarde convidava a uma pausa nas esplanadas, contemplando-se o tempo a passar devagar, debaixo de chapéus de sol que vaporizavam borrifos de água, para refrescar o ambiente. A cidade da «Movida» enchia-se de gentes nas praças e nas ruas, não parecendo incomodada com a temperatura.

Madrid - Cibelles
Aí, houve tempo para percorrermos a Puerta del Sol, local emblemático da cidade que foi e é testemunho de revoltas e protestos, tendo sido recentemente palco de acesa contestação dos espanhóis na revindicação dos seus direitos, e estendemos os nossos passos à Plaza Maior, a praça mais espetacular da capital espanhola. Pelo caminho, encontrámos gente bem disposta, ruidosa, vibrante. Em Madrid, não há silêncio. Tudo fala por si, as pessoas são agitadas, gesticulam, falam alto, vivem a plenos pulmões, tudo é vida, tudo é alegria. Nas ruas, proliferam os artistas, com performances insólitas e inovadoras, deslumbrando ou assustando os transeuntes.

Houve tempo ainda para saborear uma cerveja (caña), dar poderosas gargalhadas, inspirada pelo bom ambiente que ali se vive. Na Puerta del Sol, reina a loucura de gente que circula de um lado para o outro, encontrando-se ali turistas, despedidas de solteira, com noivas em plena fonte, e até quem pregue o evangelho em nome de Deus, mesmo que quem passe não o oiça…Junto à estátua do Urso e o Medronheiro, símbolo da cidade, os turistas competem por lugar fotogénico.


À noite ficámos alojados em Alcalá de Henares. Agora dirigimo-nos até Avignon, em França, onde iremos dormir. Um dia compensado pelas leituras colocadas em dia, pelos filmes que se viram e pela música que trazia no MP3 do telemóvel.»

sábado, 12 de maio de 2012

Livro «Novo Amanhecer» de Rosa Dias

Realizou-se ontem, dia 11 de maio, na Junta de Freguesia do Laranjeiro, a apresentação do livro de poesia de Rosa Dias, «Novo Amanhecer».
Contou com a presença do prof. Alexandre Castanheira, Ana Machado, a signatária deste texto, e Francisco Naia, músico.


Foi uma noite especial para homenegear a Rosa Dias, a sua pessoa e a sua obra...uma noite especial não fosse ela dedicada à Rosa.
Deixo em baixo o texto que apresentei para a Rosa:

Em primeiro lugar, e sem querer cair em lugares comuns e em clichés formais, queria expressar publicamente um agradecimento à Rosa Dias, por me ter convidado para estar hoje aqui a falar deste livro e da sua pessoa. Sei que já o ouviu de muita gente, com certeza por ser verdade, mas para mim é uma grande honra embora também uma enorme responsabilidade falar da sua obra.
Este é o quarto livro da Rosa, tendo já publicado anteriormente, «O sentir do Alentejo», em 1985, «Toadas Alentejanas», em 1989, e «Anexins e nomes engraçados de Campo Maior», em 1997. Por ter um intervalo de cerca de 14 anos em relação à data de edição do livro anterior, este era um livro há muito aguardado, por todos os que se acostumaram a ouvir a Rosa em diversas iniciativas. Apesar de não editar, durante esse compasso de tempo, não se pode dizer que a Rosa tenha estado parada, pois continuou sempre a escrever, conjugando a escrita com o seu papel de mulher, de mãe e de avó. Viajou um pouco por todo o país, e até mesmo até ao Brasil, percorrendo muitos palcos para declamar o Alentejo, algumas das vezes, acompanhada pelo grupo de «Cantadeiras da Alma Alentejana». Também assinou letras de algumas saias de Campo Maior e deu o mote a alguns fados, gravados por fadistas conhecidos. Em todas essas ocasiões, nunca se cansou de distribuir poesia e sorrisos a quem a recebeu de braços abertos.
Foi aliás numa dessas declamações de poesia, que a conheci no Feijó, em 2000, e confesso que desde aí ficava sempre fascinada ao ouvi-la sobretudo quando dizia poemas sobre Campo Maior. Dotada de uma energia contagiante, a Rosa transmite-nos na sua poesia tudo aquilo que ela é, sendo reveladora do seu caráter generoso, das suas convicções e ideais verticais. Basta ler os seus livros para reconhecermos que na Rosa não há artificialismos nem ambiguidades.
 Neste intervalo de tempo em que não publicou, a Rosa conheceu também dias nebulosos, toldados pela angústia e o receio, dias que puseram à prova a sua força e a sua capacidade de ultrapassar as dificuldades, tendo sido graças à sua fé e à sua esperança que de novo se ergueu. Este livro devolve-nos uma Rosa inteira, mais determinada ainda, cheia de vontade de viver e de escrever, prova que é certo o ditado que diz: «o que não nos destrói, torna-nos mais fortes». Este livro é a prova material, que já «rompeu a bela aurora» e há um «novo amanhecer» na sua vida. Nesta obra, a Rosa reúne não só alguns poemas escritos neste período de renascimento, mas também muitos dos poemas que tão bem conhecemos e que tem declamado em muitos espetáculos nos últimos anos.
Como já referi anteriormente, a sua poesia tem como principal mote o Alentejo, com particular enfoque Campo Maior, de onde é oriunda. Os seus poemas são como retratos de paisagens, havendo quem lhe chame mesmo de “poetisa paisagista”, pois Rosa Dias ilustra os seus poemas com vivas pinceladas de cores, cheiros e sonoridades. Tudo na sua poesia é sensorial, como a autora que os escreve. Ao lê-la facilmente nos transpomos para um Alentejo pintalgado de flores, cegonhas e searas verdes, de casas branquinhas pela cal, com cortinas de riscas e janelas de ferro forjado. Ouvimos as animadas saias, o som das castanholas e o toque da pandeireta, os cantes da mocidade, rodopiando no baile até ser dia, sem parar. Provamos deliciosas iguarias como a cericaia, a broinha e tortilhas, saboreamos um gaspacho e um prato de migas, bebemos um café de “sculatera” e aquecemos os pés sobre as braseiras de uma camilha. Recuamos a um tempo passado repleto de memórias e lembranças familiares da Rosa ainda menina.
Neste sentido, para a Rosa Dias se o Alentejo é paisagem, é também tradição, descrevendo-nos com rigor a arte de um povo, os seus hábitos e costumes, realizando, como o afirmou Luís Maçarico, uma Etnografia da Memória através da sua poesia.
Ao lembrar os tempos de outrora, dá-nos a conhecer assim um modo de vida passado, uma vida alicerçada pelos trabalhos árduos do campo, pelo convívio dos serões em família, “em que se repousava a fadiga”. Retoma ditos e modos de falar de antigamente, descreve as festas de Campo Maior, com as suas flores coloridas que fazem lembrar um jardim, e enaltece a expressão de arte deste povo. «Chegam floridas as festas, trazendo a cor, o bulício» e a vida a Campo Maior. Nas ruas, cheira a flores e a café torrado, e soam as animadas saias que põem o povo a cantar.
Nos seus poemas homenageia-se também a força e valor do homem alentejano, o seu saber empírico que contrasta com os conhecimentos das cátedras, conhecimento gravado nas mãos de trabalho que semeiam e colhem o pão e tratam a terra dura. Enaltece-se a coragem das ceifeiras nas suas difíceis condições de vida, trabalhando sob um sol tórrido, escondendo a dor e o sofrimento numa cantiga, e denuncia-se este triste fadário das gentes do Alentejo, em tempos que já lá vão, porque hoje o tempo é de mudança, “hoje o fado é outro”, como nos diz a Rosa.
Apesar de não ter tido tempo para estudar mais do que a escolaridade obrigatória quando era menina, a poesia de Rosa Dias não se podia aprender, senão na vida. Nada do que escreve se aprenderia numa cartilha, nem nos manuais de literatura. A sua sensibilidade, o seu olhar apurado, a sua experiência de vida traduz-se em vários apontamentos poéticos, insurgindo-se contra as injustiças, apregoando valores de solidariedade e fraternidade, gritando as verdades que não consegue calar.
A sua poesia é assim também um modo de afirmação das suas crenças, do seu desejo de liberdade, de expressar o que é, e o que sente, sem amarras, nem restrições. É a voz de uma mulher que sabe o que quer e sabe agarrar as oportunidades, como nos demonstra no seu poema «Eu quero»: “ Eu quero soltar este grito sufocado/ Molhar meu rosto com a lágrima da alegria/Dizer o verso pelo tempo aprisionado/ E gargalhar por enfim chegar o dia”.
No capítulo deste livro, que Rosa apelida de poesia pessoal, a poetisa declara o seu valor pela vida, assume a força do seu querer e da sua determinação e torna a percorrer as ruas de Campo Maior, regressa de novo à sua casa de infância, onde foi tão feliz, aquela que tinha uma varanda, mas não tinha uma janela. Desabafa a valsa da vida quotidiana de uma mulher, rodopiando pelas múltiplas tarefas que realiza e os variados papéis que desempenha, exaltando assim a condição feminina perante a atribulada vida moderna. « Faço várias piruetas/ E lá vou rodopiando/ E assim às páginas tantas/Sem sapatilhas nem ponto/ Neste salão que é meu lar/ levo os dias a valsar».
A família desempenha um outro pilar para Rosa, encontrando-se alguns poemas dedicados a esta, como são  «Meus netos», «O Neto que Deus me Deu» e o poema «Pais».
Na última da parte deste livro «Novo Amanhecer», encontra-se um conjunto de poemas diversificado, que demonstram a força da expressão desta poetisa popular, sobre variados aspetos, impressões que Rosa foi deixando no papel sobre momentos ou ocasiões que marcaram o seu percurso de vida e a história do seu país.
Entre estes, admiro particularmente, por motivos pessoais, que se prendem ao facto de ter vivido intensamente o incêndio do Chiado, em 1988, por lá viver na altura, o poema «Lisboa fez-me chorar», onde a alentejana de Campo Maior, toma as dores da cidade que a acolheu em jovem, e sofre pela perda da sua baixa esventrada e queimada, numa madrugada de dor e tristeza.
Neste capítulo encontramos ainda outros poemas, uns dedicados ao 25 de abril, outros aos poetas como Camões ou mesmo declamadores e atores como Mário Viegas. Noutros canta-se um fado, percorre-se a calçada portuguesa e avista-se um sobreiro em Lisboa, que faz recordar o Alentejo, dá-se um passeio à Baía do Seixal, e louva-se a mulher e a criança, respeita-se o voluntariado como um ato de amor desinteressado.Este livro é um «Novo Amanhecer» para a Rosa que o viveu intensamente, mas também para os seus leitores, pelo privilégio que nos dá de renascer através da sua poesia, das suas palavras e da sua sensibilidade, refrescando-nos da carga pesada dos dias que se assomam, trazendo-nos esperança de uma melhor humanidade, assente nos valores de amizade, lealdade, solidariedade e justiça. Por tudo isto, Rosa muito obrigada por este livro. Continue sempre a escrever e não cale nunca o Alentejo que vive dentro de si!

terça-feira, 20 de março de 2012

Primavera de volta!


Para celebrar a chegada da Primavera e do meu intencionado regresso aos mares da blogosfera, águas revoltas, calmas ou paradas, que tragam estímulo ao pensamento e à renovação das ideias...depois de uma certa ausência!

Alpha: a história de uma amizade que sobrevive há milénios

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