quinta-feira, 9 de agosto de 2018

À Descoberta da Grécia : Mykonos


No dia seguinte, a manhã começou cedo, com o transfer para o porto de Piréus, em Atenas, tendo parado em vários hóteis para recolher os outros passageiros que iriam seguir a viagem no cruzeiro, de três dias pelo mar Egeu e ilhas gregas. Ao chegar ao porto, o processo de embarque foi um pouco demorado, com as formalidades todas necessárias, bem como o controlo de segurança. Apesar da demora sentia-me entusiasmada e com uma grande expectativa sobre como iriam ser aqueles três dias no mar a visitar algumas ilhas gregas, afinal era a primeira vez que viajava num cruzeiro. 
 

Perto das 11h00 finalmente embarcámos no Celestyal Olympia, seguindo-se o habitual exercício de salva-vidas a bordo no convés, onde todos tivemos que experimentar os coletes salva vidas e ouvir as instruções a tomar em caso de necessidade de evacuação do barco. Todos vestidos daquela forma, não sabia se rir, se ter medo de um possível risco daquela situação caricata se poder tornar real, por isso logo que pude tirá-lo senti um enorme alívio.





O dia seguiu calmamente servindo para usufruir das comodidades do cruzeiro, da pequena piscina, localizada no nono andar, do bar, do descanso, da leitura. O nosso destino seria Mykonos, localizado no grupo das ilhas cíclades, onde chegaríamos perto das 18h15. Até lá era aproveitar a animação  e os prazeres da mesa a bordo, dormitar e subir e descer os 6 lances de escadas que distavam entre a piscina e a cabine em que estávamos instaladas no terceiro piso. Entre tanta comida à discrição e a minha vontade de comer sempre deu para fazer algum exercício.

Ao desembarcarmos em Mikonos, seguimos em autocarro até Chora, a capital da ilha. Andámos sempre em grupo para que pudéssemos visitar a cidade sem nos perdermos, pois o seu traçado é labiríntico, cheio de ruas apertadas e emaranhadas, vielas e becos, ao que parece para desafiar o vento e os piratas, surpreendendo-nos com recantos belíssimos, com casas pintadas de branco, de portas e janelas azuis, que contrastam com o rosa forte das buganvílias suspensas em janelas e varandas. Tudo tem um toque sofisticado nestas ruas, a começar pelas lojas de marcas caras, pelas pessoas endinheiradas que circulam. A beleza rústica do local mistura-se com uma certa superficialidade mundana dos produtos que se vendem, que nada são caraterísticos da região. 

 Levados pela guia turística que nos acompanhou nos três dias do cruzeiro, também da Star Helenic, fomos descobrindo recantos e lugares que nos arrancavam alguns suspiros de admiração, desembocando na mítica Little Venice, herança da influência veneziana na Grécia,  conhecida pelos seus restaurantes e pelas casas com as suas varandas altas, debruçadas sobre o mar. Ali não faltam estabelecimentos de restauração, lojinhas, bares e sobretudo turistas, que se acotolevam nas pedras junto ao mar pelo melhor spot para tirar uma foto de recordação. 


 
Um pouco mais em cima, estão localizados os moinhos de vento, outro ex-líbris de Mykonos. Trata-se de 16 moinhos, que foram construídos no século XVI para moer grãos, e que hoje servem apenas para ilustrar os postais e as fotografias. Todos estão voltados para Litlle Venice, e por se situarem numa pequena colina tem-se dali uma vista espetacular sobre o mar.





Apesar de não termos visto o Petro II, o pelicano que se passeia nas ruas de Chora, e é uma interessante atração, passámos ainda pela igreja azul e pudemos contemplar um dos mais bonitos pores do sol que vi na Grécia, que me encheu a alma e o coração e o tornaram por isso inesquecível.
De regresso ao Cruzeiro, a viagem seguiu mar adentro, enquanto dormíamos. A próxima paragem seria no dia seguinte, em Kusadasi, já em terras turcas.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

À Descoberta da Grécia


Atenas
Despontavam os primeiros raios de sol quando aterrámos em Atenas. Saindo do avião deparei com um clima quente e seco e uma temperatura já bastante elevada para aquela hora da manhã. Os portugueses que desembarcavam vinham trôpegos de sono e de cansaço, incluindo eu que não dormira nada nas cerca de quatro horas de viagem, feita a bordo da Aergan Airlines.
À nossa espera tínhamos uma representante da empresa turística Star Hellenic, que representaria a Agência Abreu, a quem comprámos a viagem na Grécia. Ana Maria, era o nome da senhora brasileira que nos recebeu, tendo facilitado os primeiros contactos com uma terra, de que não compreendíamos a língua, nem o alfabeto, tendo-nos acompanhado durante o percurso do transfer do aeroporto até ao Hotel President.
Por ser ainda muito cedo, não foi possível dispor de quarto para nos alojarmos e por isso fomos conduzidos ao pequeno-almoço. Depois teríamos o dia por nossa conta, um dia para atravessar Atenas de lés a lés e descobrir as singularidades da cidade, provavelmente mais antiga da Europa. Acompanhada pela minha irmã, que é professora de História, um dos objetivos em Atenas era descobrir o seu património e compreender o local que foi o berço da civilização.
Procurámos perceber por onde havíamos de começar, pois estávamos bastante longe do centro da cidade e de acordo com as nossas preferências de visita, decidimos começar pelo Museu Nacional de Arqueologia, que era o que ficava localizado mais proximamente.
Senti-me a arrastar os passos, numa cidade que acordava com estridência e movimento, sucedendo-se as inumeráveis motas, de condutores sem capacete, as buzinas e a falta de regras de trânsito. Faltava-me uma noite bem dormida e toda aquela agitação das ruas fazia-me lembrar o ritmo das cidades árabes, repletas de frenesim e de ruído.

Chegada ao Museu de Arqueologia senti-me assoberbada com tanta informação, tanta história e tanta riqueza cultural, sendo o museu com a maior coleção do mundo de arte grega. Sem dúvida que necessitava de uma dose extra de café para poder reter tanta informação…
E assim, de sala em sala, fui descobrindo inúmeras estátuas incluindo a obra-prima, em bronze, «O Pequeno Jockey», do séc. II a. C., as espetaculares esculturas de Afrodite, Poseídon, Athena, e tantas outras detalhadamente bem concebidas; os tesouros de Micenas, onde se destaca a máscara de ouro com a cara de Agamémnon, entre variadíssimas outras manifestações da história cultural da Grécia.




Este museu é obrigatoriamente um ponto importante a visitar numa deslocação a Atenas, contudo, devido ao cansaço da manhã, acabámos por selecionar o que pretendíamos ver, pois é extremamente grande e leva bastante tempo a visitar.
Ao sair do museu era urgente passar por um estabelecimento e tomar um café…mas com aquele calor, o melhor a fazer era mesmo imitar o que víamos os atenienses a fazer pelas ruas, e beber um café freddo, com gelo, para poder beber em andamento. Sem dúvida que fez sentir os seus efeitos energéticos pois, foi a forma de seguirmos viagem e nos embrenharmos nas ruas do centro de Atenas, sem aquele torpor que nos estava a impedir a marcha. À medida que íamos descobrindo as ruas, pude vislumbrar passado pouco tempo, no alto da encosta a primeira aparição do Partenón… e a reação foi um pouco parecida com a que tive ao ver a Torre Eiffel pela primeira vez… O entusiasmo agora era outro, sim era verdade… estava mesmo em Atenas... a ver o seu maior monumento nacional.
Deambulamos pelas ruas até nos embrenharmos nas ruas de Athinas e Eolou, situadas entre Monastiraki e a Praça Omonia, onde nos deparámos com um bazar oriental, repleto de lojas, à semelhança dos mercados do Médio Oriente, com as mais variadas especiarias e sementes, frutos secos, ervas aromáticas, legumes, mercados de carne e de peixe, uma autêntica profusão de cor e de cheiros. A par deste tipo de bancadas, outras lojas se misturavam, de objetos usados e antiguidades, sobrepondo-se num denso aglomerado excessivo de quinquilharia, que dificultava a passagem e ofuscava a visão com tanta parafernália.    




O almoço foi num simpático restaurante em Monastiraki, onde pude provar a bendita Mousaka feita na Grécia, um apetitoso prato feito com carne picada e beringelas. Ao almoço retemperaram-se as forças, arrefeceu-se o corpo com o ar condicionado do restaurante e nutriu-se o estômago com os sabores Gregos.
A seguir, percorremos mais algumas ruas de Monastiraki, nome que se deve à existência de um mosteiro, onde se encontram muitas lojas repletas de souvenirs gregos, e até algumas de antiguidades. É nesta zona que se realiza aos domingos uma feira da Ladra.


 Monastiraki
Dirigimo-nos para a Ágora Antiga, outro ponto turístico obrigatório para quem vista Atenas. Este local, escavado nos anos 30 do séc. XX, revela uma complexa série de edifícios públicos e templos. Este era o local onde a democracia era vivida, o centro religioso e político da Atenas Antiga, o centro da vida comercial e quotidiana das suas gentes. É impressionante o estado de conservação da fachada do Hephaisteion, um templo dedicado a Hefesto.

 Hephaisteion

O calor da tarde apertou, a quebra de tensão estava iminente, por isso havia que fazer uma pequena pausa e prosseguir. O passo seguinte foi assistir ao render da guarda que se realiza de hora a hora na Praça Sintagma, junto ao edifício do Parlamento.
Trata-se de uma cerimónia algo caricata, onde os Evzones, com uns trajos coloridos e quentes, aguentam estoicamente em pé, durante os 60 minutos, sendo substituídos por outros que chegam para os render. Os gestos são lentos, a marcha ritualizada e depois dos primeiros minutos confesso que perdi um pouco o entusiasmo, pois estava à espera de uma coisa diferente. Durante a minha estadia em Atenas, sempre que percorria esta praça, lá estavam eles repetindo continuamente aqueles passos arrastados e sincronizados.




Após esta exibição, demos por fim às visitas e continuámos a caminhar em direção ao hotel. A jornada foi longa e ainda nos esperaram muitos quilómetros até encontrar o President… não imaginávamos que estávamos tão longe e como não conhecíamos bem a cidade e os seus transportes, decidimos seguir o mapa e continuar a andar, embora cada vez mais cansadas… Foi um dia em Atenas para principiantes, mas que se revelou muito repleto de atrações interessantes. O dia terminou com um belo pôr-do-sol no terraço do Hotel, onde se via Atenas inteira, instalada entre vales e colinas, com as montanhas a envolver o seu suave anoitecer. Havia que repor energias, o dia seguinte seria para seguir viagem em alto mar.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

«Noite Viva», em cena no Teatro Aberto


«Noite Viva», em cena no Teatro Aberto, é uma peça de teatro diferente da que estamos habituados a ver, normalmente em cenários precisos e espaços demarcados, aliando a magia do teatro com o cinema, o que é extremamente bem conseguido, pois através da imagem as personagens ganham maior profundidade e complexidade. É como se assistíssemos a um espetáculo dentro de outro espetáculo e as personagens saltassem do palco e ganhassem uma vida e uma dimensão real, movendo-se para além do espaço e do tempo.

Esta peça passa-se quase sempre à noite, numa garagem suburbana dos arredores de Lisboa, local onde se desenvolve a trama e se juntam as solidões de Tomás, um homem de meia idade que vive de trabalhos ocasionais; Ana, a jovem que Tomás salva das mãos de um violento agressor; Doc, um homem com deficiências cognitivas que se inquieta com os segredos da vida e do universo, registando todas as frases e citações que vai ouvindo num caderno que o acompanha sempre; e o Tio Mauríco, um idoso recém viúvo, amargurado e desiludido com a vida, que se arrasta através dos dias sempre iguais. Nesse espaço exíguo, tocam-se realidades antagónicas de pessoas à deriva e inconformadas e conectam-se alegrias, tristezas, deceções e esperanças perdidas.


«Noite viva», de autoria do irlandês Conor Mcpherson, faz assim um retrato de pessoas desencantadas com a vida, em rota de colisão com elas mesmas, que se limitam a sobreviver num dia a dia marcado pela decadência moral, as drogas, a violência e a prostituição, a mendicidade.


A “noite” é assim definida nesta peça como um grande túnel em que cada um faz uma travessia, por vezes longa, em que as trevas e as sombras se confundem e se misturam, mas da qual se vislumbra uma luz ténue, que colocará tudo às claras e dará um outro sentido à vida. 

Encenação João Lourenço
Dramaturgia Vera San Payo de Lemos
Atores: Anna Eremin, Bruno Bernardo, Filipe Vargas, Rui Mendes e Vítor Norte

Comemorações do Ano Novo Chinês em Lisboa, 10 de fevereiro


Realiza-se este fim de semana em Lisboa as comemorações do Ano Novo Chinês. Ontem teve lugar um dos pontos altos do evento, o desfile, entre os Anjos e o Martim Moniz,  que reuniu variadíssimos participantes e convidados da comunidade chinesa em Portugal, num deslumbre de luz, cor, e movimento, com  equipas de dança do dragão, do leão, do tambor, lutadores de artes marciais e bailarinos. A destacar a sua vertente multicultural, a que não faltou um rancho folclórico do verde Minho ou o grupo de Cantares de Évora.
Esta festividade é das mais importantes para os chineses e também é conhecido como Ano Novo Lunar, uma vez que é determinado pelo calendário lunar e envolve vários rituais e uma festa que dura pelo menos 15 dias.
É nesta altura que os chineses cortam o cabelo, arrumam muito bem as suas casas e fecham as suas contas, para que fique tudo organizado nas suas vidas. A cor que se destaca é o vermelho, que simboliza a transformação, a energia e a vida, sendo usado sobretudo pelas mulheres para atrair a sorte, o amor e a prosperidade.
Outro ritual que os chineses costumam realizar é pendurar lanternas vermelhas à sua porta durante 15 dias e lançar fogo de artifício para afugentar os maus espíritos e as más energias. Não faltam vários símbolos de sorte e prosperidade, como o duplo peixe, entre outros. O que importa é limpar, decorar a casa, renovar e preparar-se para o novo ano.
Este ano esta festividade inicia-se na China a 16 de fevereiro e comemora-se o ano do cão, símbolo de inteligência, proteção, lealdade. Dizem os entendidos em astrologia chinesa que este pode ser um ano sensível, em que as pessoas devam ter mais tolerância para evitar conflitos desnecessários, exaltando-nos a sermos generosos, prudentes e pacientes. O ano lunar vai decorrer até ao dia 5 de fevereiro de 2019.








Alpha: a história de uma amizade que sobrevive há milénios

Alpha é um filme que conta uma história que se terá passado na Europa, há cerca de 20.000 anos, no Paleolítico Superior, durante a Era do...