quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

HÁBITOS DE LEITURA

«Os livros não mudam o mundo. Os livros mudam as pessoas e as pessoas mudam o mundo»

Retirado de um powerpoint de Galeno Amorim, no Congresso Internacional de Promoção da Leitura, 2009


Depois de ter assistido à conferência de Fernando Savater, José Barata-Moura e Marçal Grilo, no Congresso Internacional de Promoção de Leitura, na Fundação Calouste Gulbenkian, e de ter apreciado bastante a forma elogiosa como falaram dos livros, da leitura e do modo como esta afectou a sua vida, apetece-me reflectir também um pouco sobre os meus hábitos de leitura e as origens dessa deliciosa descoberta.
Lembro-me que não começou na primeira infância, pelo menos não me recordo de receber muitos livros quando era muito pequenina, nem me recordo de sessões de contos de histórias, mas talvez sejam só defeitos da memória. Lembro-me sim, já na altura da Primária, dos livros da colecção da Anita, que um antigo amigo da família me dava regularmente, e do sentimento maravilhoso que era ler um novo livro. Estes livros foram de tal modo especiais para mim, não só pelas histórias simples, como pela recordação daquele velho amigo que mos dava, que hoje ainda os guardo religiosamente.
Foi no ensino preparatório, que tudo começou a mudar. Tive uma professora de português que revolucionou a minha formação (aliás como mais tarde também veio a acontecer no 7º e 10º/11º ano na mesma disciplina). Com aquele seu ar meio lunático, com roupas algo estranhas e gestos desmesurados, uma voz algo esganiçada e colérica, foi esta professora que cultivou em mim o gosto pelos livros, organizando a Biblioteca de Turma e a troca de livros entre os alunos, que deviam ter leitura integral. E depois vieram as sessões de leitura em voz alta, em que a professora narrava as aventuras sempre fascinantes das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Graças a essas histórias, comecei a gostar de histórias de detectives e policiais e sempre que a minha imaginação permitia lá andava eu na escola à cata de mistérios…Além disso começava a devorar os livros da célebre Enid Blynton, autora dos livros dos “Cinco” e das “Gémeas de Santa Clara”.
Foi nessa época também que percebi que gostava de poesia. A professora insistia em declamar-nos poetas clássicos portugueses e embora a sua declamação fosse um pouco exagerada, um pouco mesmo trágico-cómica, eu ficava fascinada com a força das palavras dos poetas. Já no 7º ano, com outra professora igualmente interessante e a quem muito devo por ter desenvolvido o meu gosto pela poesia e por ter estimulado a minha imaginação e criatividade, comecei a escrever, compondo narrativas fantasiosas e poemas, assim como a declamar nas aulas. Nesse ano, organizou-se um pequeno concurso de declamação na turma e participei com a interpretação dos poemas «Mãos» de Manuel Alegre, e o «Porque», de Sofia de Melo Breyner. Acabei por ganhar o 1º lugar entre os colegas de turma, embora sem prémio, com a declamação do poema de Alegre, aquele que é com toda a certeza o poema da minha vida, cheio de garra e de energia, de labuta e de vida, afinal «com mãos tudo se faz e se desfaz».
O gosto pela leitura tinha-me aberto o acesso a explorar um pouco daquilo que eu começava a ser, e no 10º e 11º ano eu já lia bastantes livros. Foi então que conheci a melhor professora de português que alguma vez tive. Nos primeiros meses detestei-a, não conseguia compreender o porquê das más notas que ela me dava, quando eu era tão boa aluna no 9ºano, nem o rigor da sua exigência. Mas foi um óptimo desafio, comecei o 10º ano com 8 valores e acabei o 11º ano, com 18 valores. Agarrei-me à literatura portuguesa afincadamente, lia os livros obrigatórios por prazer e não apenas pelo dever de fazerem parte do currículo. Devorei-os, é certo, era sempre a primeira da classe a ler as obras, e os meus intervalos eram passados de volta dos livros. Dos livros passei ao teatro e à descoberta da sua interpretação. A professora puxava por nós, instigávamo-nos a participarmos em teatralizações e a improvisações, para melhor percebermos o que líamos. De tal modo foi intensa essa experiência, que depois de interpretar a Ama do «Auto da Índia» de Gil Vicente, a Joaninha das “Viagens na Minha Terra” do Almeida Garrett, a Maria Eduarda, dos «Maias» de Eça de Queirós, ou a Ofélia, namorada de Fernando Pessoa, comecei a pensar seguir o teatro como vida profissional. Estava dividida entre o Teatro e a Sociologia (na altura ainda pensava que o que queria era a Sociologia e não a Antropologia, embora o destino se tenha encarregado de me colocar no lugar certo), mas acabei por desistir por ser uma ideia demasiado arrojada e por se tratar de um caminho penoso e incerto, como me disse na altura a actriz Susana Borges. Contradições do destino, ao seguir Antropologia o mesmo caminho incerto e penoso concretizou-se na mesma…
Para concluir, gostaria de salientar que a leitura cresceu assim na minha vida e tomou este rumo porque existiram professoras maravilhosas que tiveram o poder de despertar em mim esse gosto. Na altura, as bibliotecas não tinham ainda essa consciência e não desenvolviam projectos de promoção da leitura, pelo que era a escola que tinha esse papel. Por isso, acredito que os hábitos de leitura podem e devem começar também na escola e nesse aspecto, os professores, sobretudo os de português, têm uma importante responsabilidade: o de fazer nascer leitores e sobretudo fazê-los gostar de ler.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

CONGRESSO INTERNACIONAL DE PROMOÇÃO DA LEITURA – FORMAR LEITORES PARA LER O MUNDO

Realizou-se nos passados dias 22 3 23 de Janeiro na Calouste Gulbenkian este congresso internacional de promoção de leitura, a que pude estar presente no último dia.
Tratou-se de mais uma ocasião para debater e reflectir o estado da nação no que diz respeito aos hábitos de leitura e à literacia dos portugueses. Este encontro contou com a presença de individualidades vindas da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Espanha e França, com experiência na promoção e mediação da leitura.
Apresentaram-se algumas experiências de projectos desenvolvidos na promoção da leitura bastante interessantes, como aqueles desenvolvidos pela Fundacíon German Sanchez Ruiperez, em Salamanca, junto das crianças, desde os 9 meses. Projectos como estes, desde que bem estruturados e continuados ao longo do tempo têm vindo a demonstrar que podem ser úteis para o desenvolvimento de hábitos de leitura, pois as crianças ao irem à biblioteca com os pais semanalmente acabam por incorporar essa rotina no seu processo de crescimento e de aprendizagem. Por outro lado, a criança que lê antes de saber ler, ou seja que se habitua à prática de escutar contos e pequenas histórias, desenvolve a imaginação e a criatividade muito mais rapidamente. As bibliotecas são deste modo o espaço privilegiado para favorecer os primeiros contactos com o livro, vinculando este nos afectos, no jogo e na inter-relação com as outras crianças e pais.
Em Portugal esta realidade está ainda a dar passos, sobretudo no que diz respeito às bebetecas, pois, pelo menos daquilo que conheci para realizar um trabalho escolar, posso dizer não existir um projecto de fundo com actividades concertadas, e de certo sem a avaliação dos resultados em muitas das já criadas. Ainda assim, há muitas instituições que vale a pena assinalar pelo seu excelente trabalho. Duas delas são sem dúvida a Biblioteca José Saramago de Beja e a Biblioteca Municipal de Odivelas que tem vindo a desenvolver um trabalho meritório com bebés.
Falou-se neste congresso do projecto da Casa da Leitura, da Fundação Calouste Gulbenkian, das potencialidades deste site, que é um importante directório de literatura infantil, interactivo e simples de utilizar, dirigido a miúdos e graúdos. Trata-se de um notável trabalho de referência actual no que diz respeito à promoção da leitura, que seria lastimável se não tivesse continuidade.
Mas, porque este congresso foi internacional, foram abordadas diferentes perspectivas e por isso, referiram-se experiências de todo o género, desde as mais produzidas e meticulosas, às mais simples e quase espontâneas, como alguns dos projectos de promoção de leitura realizados no Brasil, onde 95 milhões são leitores e 77 milhões não lêem.
Galeno Amorim trouxe-nos um curioso retrato de leitura no Brasil, onde ainda existe uma elevada percentagem de população analfabeta e sem acesso a escolaridade, onde tanta gente vive em áreas geográficas de enorme isolamento. Talvez por esses motivos, os projectos que ele apresentou tivessem tido o impacto que tiveram entre os participantes do congresso. Assim, Galeno Amorim, trouxe-nos imagens de mini bibliotecas de campo, bastante rudimentares e sem praticamente condições logísticas, onde 12 mil agentes de leitura distribuem livros e falam dos mesmos. Falou-nos de barcos –biblioteca, em que as pessoas durante a travessia diária podem ter tempo para ler e onde existem 2 a 3 h de actividade com leitura. Mostrou imagens de uma “borrachateca”, onde o proprietário do stand além de vender pneus oferece ou empresta livros aos seus clientes; de uma biblioteca que funciona 24 h por dia, no quintal de uma casa particular num subúrbio, onde o dono está sempre disponível para emprestar livros a qualquer hora do dia ou da noite; falou-nos de bibliotecas em feiras livres; de bibliotecas em talhos, e até de “bibliojegue” que em português de Portugal, seria uma “biblioburro”, pois os livros são transportados num burro, numa pequena localidade do interior brasileiro; assim como bibliotecas em paragens de autocarro.
Estas experiências parecem-nos bizarras e até algo estranhas ao olhar do europeu, mas a verdade é que são estes pequenos gestos que resultam e que vão ao encontro da necessidade das pessoas, criando hábitos que podem mudar a vida de cada um.
Como o afirmou António Prole, a leitura é cada vez mais central nas nossas vidas, pois sem ela, a massa de informação que se produz desmesuradamente não se transformará em conhecimento. E isso, sim agravará a deflação e a crise acentuada em que vivemos. A leitura tem assim um contributo a dar que transcende o simples deleite da literatura, os mundos que ela pode dar, a viagem que ela nos permite. É através dela que lemos o mundo e o compreendemos, que crescemos como pessoas e desenvolvemos capacidades de literacia, fundamentais para nos movermos na nova Era da informação.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Calou-se a voz do marinheiro


Nos anos 90, quem não se lembra da célebre música «esta vida de marinheiro», ou do «vamos ao circo», do grupo Sitiados, uma referência da música rock dos anos 90, em Portugal. Hino de colónias de férias, de ajuntamentos de jovens, esta vida de marinheiro, estava sempre presente em momentos de alegria e divertimento. Os Sitiados, foram a primeira banda de João Aguardela, tendo editado em 1992 o seu álbum de estreia, sendo de 1999 a edição do seu último registo. Posteriormente, o músico fundou os Megafone, que editaram quatro discos, o projecto Linha da Frente, que musicou textos de Ary dos Santos, Manuel Alegre e Alexandre O´Neill, entre outros.
No dia 18 de Janeiro, aos 39 anos, João Aguardela faleceu, vítima de cancro. Calou-se uma das vozes do meu tempo de juventude.

NOVO BLOGUE DA ALDRABA - ASSOCIAÇÃO DO ESPAÇO E PATRIMÓNIO POPULAR

O blogue da ALDRABA mudou. Segundo o presidente da direcção, José Alberto Franco, no penúltimo dia do ano de 2008, por razões não esclarecidas, o blogue apareceu como tendo sido “removido”, sem que nenhum elemento dos órgãos sociais da ALDRABA tenha tido qualquer iniciativa ou atitude que tenham originado esse resultado, pelo que a Direcção desta Associação decidiu relançar imediatamente o blogue, divulgando as suas coordenadas a todos os associados, amigos e instituições com quem temos vindo a cooperar e interagir.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Últimos dias da exposição Caligrafias - Uma Realidade Inquieta


A exposição Caligrafias - Uma Realidade Inquieta, inaugurada a 9 de Outubro de 2008 no âmbito das Comemorações do Dia Mundial dos Correios, com organização da Fundação e comissariada por Maria João Fernandes, tem como tema a relação escrita/pintura, inspirada pela estética do Oriente, uma relação fundadora da arte do século XX.

No dia do seu encerramento, 15 de Janeiro às 19 horas, e no âmbito da temática da exposição, vai haver uma mesa-redonda com a participação de Ernesto M. de Melo e Castro, Eugénio Lisboa e Maria João Fernandes. A sessão, em homenagem a Almada Negreiros, acolhe ainda, um recital de poesia com declamação dos seus poemas pelo seu filho, José Almada Negreiros, poemas de Fernando Pessoa, por Diogo Dória e de Mário de Sá Carneiro, por André Gomes. É também apresentada a serigrafia - Homenagem a Almada - de Maria João Fernandes, uma edição do Centro Português de Serigrafia.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Cabaret



…de que vale a pena ficar só e sentado no seu quarto,
Venha ouvir a música tocar.
A vida é um grande cabaret,
Venha ao Cabaret

Este é um pequeno excerto do refrão do tema célebre do musical Cabaret, que actualmente está em cena no Teatro Maria de Matos até inícios de Fevereiro, com a revelação de Ana Lúcia Palminha no papel de Sally Bowles, Henrique Feist, Pedro Laginha, entre outros, com a encenação de Diogo Infante.
A história passa-se em Berlim, entre 1929 e 1930. Nessa altura, apesar da catastrófica recessão que se abatia no mundo, do famoso crash de 1929 (curiosamente a crise parece perseguir-nos ciclicamente), as noites de Berlim são de festa, folia, vida boémia nos bares, casinos e cabarés. Nesses espaços mundanos celebrava-se a vida, sentia-se o pulsar das emoções ao rubro, dançava-se, cantava-se, quebravam-se os tabus e vivia-se uma liberalidade sexual intensa. Este era o ambiente da Berlim da República de Weimar – um governo democrático encorajador do liberalismo, onde tudo era possível, desde a prostituição, o sadismo, o travestismo e as drogas, como a cocaína.
Mas esta peça não é apenas sobre excessos e comportamentos ditos desviantes, é também uma história de encontros e desencontros, de amores e desamores, de esperança e de pesadelo. É a história de Sally Bowles (maravilhosamente interpretada por Ana Lúcia Palminha e descoberta num casting televisivo para este papel) cantora no cabaré Kit Kat Klub e de um escritor americano Cliff Bradshaw, incarnado por Pedro Laginha. Ambos se vêem envolvidos romanticamente numa Alemanha que se começa a unir em torno de um sonho de império e de domínio, durante o período de ascensão de Hitler ao poder.
A complexidade da peça reside exactamente na exploração das contradições da sociedade alemã da década de 30, e na mudança súbita que decorre entre um ambiente de festa e euforia e um clima de medo, ansiedade, pânico e perseguição. Faz-nos questionar o modo como o ser humano pode transformar e destruir tudo à sua volta por causa da ambição e do desejo de conquista do mundo. O cabaré que era o local de descompressão, de loucura, onde se cantava constantemente Welcome to Cabaret e o Mestre de Cerimónias (toda a peça é apresentada e seguida por esta personagem, aqui interpretado por Henrique Feist), dizia que não havia lugar para tristezas e problemas transforma-se no fim da peça no mais hediondo dos campos de concentração, exibindo o extermínio de muitos dos frequentadores do cabaret.
Na verdade, esta peça retrata o que aconteceu a estes locais depois de Adolf Hitler se ter tornado Chanceler, em 1933. «Os nazis consideravam a homossexualidade como uma potencial ameaça para a sua planeada “raça superior” e, por isso, tentaram erradicá-la encerrando bares, clubes e publicações gay. Os nazis tinham o poder de encarcerar – sem julgamento qualquer pessoa que fosse considerada uma ameaça à “fibra moral alemã” e, em resultado disto, foram presos cerca de 100.000 homens homossexuais, e destes, entre 5000 e 15000 foram enviados para campos de concentração» (citado do pequeno livro que faz a apresentação do espectáculo).
Por ser um clássico dos musicais, com belas vozes, por ser uma ocasião em que podemos ter entre nós esta interpretação tão famosa da Brodway, penso que vale bem a pena ir até ao Teatro Maria Matos. Não temos a Liza Minelli, mas ainda assim recomendo vivamente aos apreciadores do género que vão assistir a este espectáculo! Mas apressem-se que as sessões estão a acabar!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Janeiras na Cova da Piedade

Na noite fria do dia de Reis, as Janeiras ouviram-se na Cova da Piedade, assim como em outros locais do concelho de Almada.
Numa altura, em que andamos tão esmorecidos com as notícias que a toda a hora inundam os telejornais, sabe bem momentos como estes passados com alegria e convívio bom e salutar.
O serão teve ligar na Cooperativa de Consumo Piedense, com a representação da Junta de Freguesia da Cova da Piedade e apresentação do seu presidente. Entre os grupos convidados para cantar as Janeiras encontravam-se o Coral Cante Novo, da Costa Azul; o Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva de Pomares, Almada; o Grupo de Música Tradicional Portuguesa Comtradições; o Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó; o Grupo Etnográfico da Cova da Piedade e o Grupo de Cantadeiras da Alma Alentejana.



Estas Janeiras, tiveram para mim um significado especial, porque me recordaram da época em que acompanhava o Grupo Coral Amigos do Alentejo do C.R.F. nas suas actuações, por ocasião da realização do meu trabalho de dissertação de tese de mestrado em Antropologia, e das Janeiras de 2001 em que também estive presente com eles. Fez-me lembrar também as Janeiras no Cercal do Alentejo e dos cantes entoados no Largo dos Caeiros (centro do mundo daquela pequena localidade), pelo grupo coral do Cercal, junto da fogueira em labareda.
Em Almada, o cante das Janeiras[1] marca sem dúvida o calendário das iniciativas anuais dos Amigos do Alentejo do C.R.F. No entanto, esta não é uma actividade desenvolvida única e exclusivamente por este grupo, no Concelho de Almada, já que é organizada a nível camarário, envolvendo outras colectividades e associações. É uma tradição inventada, comum a outros grupos musicais da localidade, desde grupos folclóricos e etnográficos, a tunas universitárias ou grupos corais.
Coincidindo normalmente com o dia de Reis, ou um pouco antes, o grupo faz uma breve digressão por algumas autarquias e colectividades do Concelho de Almada. As modas geralmente cantadas pelo grupo nesta ocasião são O menino Jesus e Três Cavaleiros. São extremamente cadenciadas e arrastadas, distinguindo-se das outras modas que integram o seu repertório.[2]
Pelo facto de ter podido estar na presença deste magnífico coral, sem desprimor para os restantes, foi para mim uma noite verdadeiramente bem passada, pois tive a oportunidade de rever aquela gente sempre maravilhosa e pela qual eu tenho verdadeira estima e amizade. Só por isso já valeu a pena!

[1] Antigamente, as Janeiras costumavam cantar-se no Alentejo no último dia de Dezembro, enquanto que os Reis só se cantavam, geralmente, no dia 6 de Janeiro.

[2] Como o afirma Monarca Pinheiro, ” Os Reis (...) têm uma musicalidade diferente. São majestosos, solenes, lentos e graves. Ouvindo-os tem-se a sensação agradável de que se assiste à passagem dos Régios cavaleiros, a caminho de Belém, em camelos de passos lentos”. Monarca Pinheiro (1999) Altos Silêncios da Noite Minhas Vozes Vão Rompendo, Évora, Câmara Municipal de Èvora, p.43.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A todos um Bom Natal

Como todos os anos, eu cumpro o meu ritual de Natal: escrever umas palavras para dedicar aos amigos e enviá-las em forma de postal ou de e-mail. Não são muito originais, mas são as minhas palavras, que ofereço com muito apreço aos que me são próximos. Aqui fica a minha mensagem de Natal de 2008 para todos vós!


A mensagem de Natal que este ano vos trago é de Esperança verde e garrida,
Tal como o pinheiro que enfeitamos de bolas coloridas,
Por isso alindemos também o espírito,
E coloquemos no rosto o nosso melhor sorriso,
Dai tréguas à mágoa, ao desânimo e à tristeza
Que invade os nossos dias lamurientos,
De penas e de ais.
Mesmo em tempos de crise,
de tantos sonhos adiados e quebrados
Esqueçamos por momentos,
O que não temos,
Mas o que podemos dar…
O Natal aí está novamente,
Inundando as ruas,
de cânticos e de luz,
Não se compra,
Não se vende,
Contempla-se no brilho dos olhos marotos de uma criança,
Sente-se no ombro do amigo que nos ampara,
E na mão que se estende a um desconhecido.
Ouve-se nas palavras calorosas das pessoas…
Esse Natal, o verdadeiro, o da magia, o da família,
O do Espírito,
Conservemo-lo dentro de nós…
Não só agora, mas sempre! Todos os dias!


Ana
03-12-2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

Uma prenda especial...

Pois é, o Natal está aí novamente. Com tudo o que ele tem de bom e de menos interessante. Eu sou uma grande apreciadora do Natal, da magia que anda no ar, das luzes, dos cânticos, daquela alegria que começa a invadir-nos... embora reconheça que cada vez menos o Natal seja isso e se tenha tornado uma época materialista que nos deixa na bancarrota. Eu prefiro cultivar o lado bom do Natal e afastar-me cada vez mais dos rituais do consumismo excessivo. Gosto de dar e receber, como toda a gente, mas não faço disso um cavalo de batalha, e até aprecio mais as atitudes, os simbolismos inerentes à quadra. Talvez por isso tenha ficado tão contente com a prenda especial que recebi de uma amiga minha, que é cantora lírica nos seus tempos livres. Ela ofereceu-me um bilhete para um concerto de Natal no CCB, com a orquestra dos Divino Sospiro. Esta será sem dúvida uma prenda para não esquecer e disfrutar...Nesta altura gosto sempre de concertos de Natal, principalmente nas igrejas, talvez porque quando era adolescente cantei no Coro Infantil da Rádio Renascença e tenha ficado a memória dos tempos em que fazíamos os espectáculos de Natal.
Deixemo-nos embalar então pela alegria da música...já que restam tão poucas coisas que nos alegrem!!!



Mais sobre os Divino Suspiro



"Fundada pelo músico italiano Massimo Mazzeo, a Orquestra Barroca “Divino Sospiro” nasce da vontade e reunião de alguns músicos portugueses e residentes em Portugal que, no curso dos anos, desenvolveram um trabalho de grande qualidade artística na área da interpretação da música antiga seguindo os princípios de fidelidade estilística e estética ao período barroco e classico, propondo um repertório constituído por compositores do universo musical deste períodos artísticos. Numerosas foram as aparições públicas deste grupo musical, entre as quais as “Festas da Música” nas edições de 2003, 2005, e 2006, uma digressão a Itália que recebeu entusiástica atenção por parte de público e da crítica e festivais nacionais e internacionais como o Encontro de Musica Antiga de Loulé, o Festival de Musica de Leiria, o Festival d’Ile de France, concerto que foi gravado por Radio France, Teatro Nacional de São Carlos, Folle Journee de Nantes, Folle Journee au Japon onde se estreiou com grande sucesso de critica e publico que lhe dedicaram uma recepção de grande entusiasiasmo, Festival de Varna, Fevereiro Lirico em San Lorenzo de L’Escorial e o conceituado Festival d’Ambronay, onde o agrupamento, primeira orquestra Portuguesa, teve a honra de actuar no concerto de encerramento. As actividades do agrupamento incluem a gravação ao vivo do concerto dedicado a W.A Mozart (Sinfonia K550 e Serenada Notturna K239) para a gravadora Japonesa Nichion. Esta gravação recebeu no Japao o galardão de Bestseller e esteve varias semanas no topo de vendas nas maiores lojas especializadas daquele país. Divino Sospiro apresentou-se em concertos com algumas das maiores personalidades do panorama artístico a nível mundial táis como Rinaldo Alessandrini, Chiara Banchini, Alfredo Bernardini, Enrico Onofri, Christophe Coin, Katia e Marielle Labeque, Christina Pluhar, Alexandrina Pendachanska, Gemma Bertagnolli, Maria Cristina Kiehr, Vittorio Ghielmi entre outros.Entre múltiplas acções o Divino Sospiro desenvolve uma atenta actividade de aperfeiçoamento pedagógico e musical que teve como primeiros passos as Master Classes de violino barroco orientadas pelos eminentes violinistas Chiara Banchini e Enrico Onofri, organizadas respectivamente em colaboração com a Escola de Música do Conservatório Nacional e com o Centro Cultural de Belém e que continuaram até hoje, no CCB, com a presença importante de Rinaldo Alessandrini , Enrico Onofri, Chiara Banchini e Alfredo Bernardini, Alberto Grazzi, Vittorio Ghielmi. No verão de 2007 a Universidade de Evora entregou ao fundador do agrupamento o mandato para organizar um curso de verão na area da musica antiga; este festival contou com a presença de alguns dos maiores nomes de sempre: Gustav Leonhardt, Maria Cristina Kiehr, Enrico Onofri, Alfredo Bernardini. Sempre na vertente educativa destaca-se o convite feito ao Divino Sospiro pela Reitoria da Universidade de Evora para a abertura de mestrado em interpretação com instrmentos antigos em colaboração com o departemento de musica da UE.Divino Sospiro é actualmente Orquestra Residente do Centro Cultural de Belém em Lisboa, sendo este facto de fundamental e recíproca importância para o desenvolvimento em Portugal de uma realidade artística de alta qualidade a nível internacional, e conta regularmente com a direcção de Enrico Onofri que aceitou o convite para Maestro oficial deste agrupamento."


In: http://www.divinosospiro.com/index2.htm

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Exposição "Refúgio", de Tiago Canhoto - O fotógrafo de Sines mostra as melhores imagens que captou das paisagens da região.

Hoje faço aqui um pequeno destaque à exposição de fotografia do meu amigo Tiago Canhoto. Companheiro das lides docentes no Cercal do Alentejo, professor de "genásteca", como nós lhe chamávamos na brincadeira, o Tiago surpreendeu-nos a todos com a descoberta pela fotografia. Algumas das fotos dele são mesmo um espanto, aquela paisagem daquele canto alentejano litoral, desde Sines, a Santiago do Cacém, ao Cercal, são também para mim um pouco do paraíso na terra, paraíso esse que já não revejo há algum tempo e que me fazia tão bem rever... é sempre bom voltarmos aos lugares onde fomos felizes, e aí fui-o muito mesmo, pelas mais diversas razões. Para ti Tiago, os meus parabéns! Continua môço, tens talento!

Tiago Canhoto nasceu em Lisboa em 1973, mas reside em Sines desde então. Para além do ensino da educação física, a sua grande paixão é a fotografia, em particular sobre a região.Fotografa desde 2005 e descobriu a fotografia por intermédio de um amigo. Sines e a sua beleza natural e paisagística, são os principais motivos fotográficos.


"Gosto de todo o tipo de fotografia, mas o que mais me cativa é fazer fotografia desportiva, paisagística e fotojornalismo. Para já, a fotografia é um hobby, um passatempo, mas gostaria que um dia evoluísse para outro nível. Quem sabe... Só o futuro o dirá. "

"Dou voltas e voltas e acabo por regressar aqui... e é como se fosse sempre a primeira vez! Não me canso de olhar este mar sem fim, este azul raiado de verde e de branco e da cor que existe no mais fundo de mim. Trago comigo o cansaço dos dias, os fantasmas que me perseguem nas noites mal dormidas e a vontade inabalável de acreditar que o amanhã será melhor. Por isso regresso sempre! E aspiro o cheiro a sal, a terra, a urze e a rosmaninho, num casamento perfeito que só a costa alentejana tem para oferecer.Este é o meu refúgio... concentro-me no enquadramento, na velocidade, na abertura, na focagem. É a minha terapia.Aqui estão as minhas raízes, sinto-o enquanto capto movimentos, cores, momentos únicos que passam despercebidos na rotina do dia-a-dia. E sinto-me renascer ao conseguir aprisioná-los pela objectiva... assim poderei sempre revisitá-los e reviver as emoções sentidas.Este é o meu momento de partilha, aqui é o meu refúgio."

In: http://www.centrodeartesdesines.com.pt/programacao/2008/200811/200811_tiagocanhoto.htm

Mais informação: http://www.tiagocanhoto.com/

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Fim-de-semana na Serra dos Candeeiros

Já há algum tempo que me vinha a apetecer fazer um corte na rotina do dia-a-dia e sair de Lisboa, ver paisagens diferentes que não fossem as de Lisboa, Almada e Seixal.
A ideia de ir até à Serra dos Candeeiros partiu da Cláudia, grande companheira de saídas radicais, de caminhadas e espeleologia em grutas na Serra de Montejunto e em Salir do Porto.
Como o tempo já não está bom para acampar, desta vez ficamos instalados numa magnífica casa de abrigo, junto à povoação de Casais do Vale de Vento.
Como o frio era cortante e a chuva por vezes caía, acabámos por ficar mais em casa do que no exterior, ficando de volta da enorme lareira que enchia a sala, aquecendo-nos, jogando sem parar. Afinal de contas também sabe bem um pouco de descanso! A comida não faltou, estava óptima a massa de cogumelos da Claudenise, e soberbo o risotto do Paulo (só foi pena ele ter-se esquecido de trazer o arroz, e ter de se ir buscar o arroz para o dito cozinhado ao restaurante, mas acontece aos melhores!!) além da castanha assada, e da febra na brasa.
Para desentorpecer as pernas, fizemos duas pequenas caminhadas pela serra, dando para explorar um pouco o meio que nos envolvia. Descobri que caminhar com o frio é óptimo, principalmente quando se começa a subir, pois o corpo aquece e deixa de se sentir o frio gélido do ambiente à nossa volta. Nunca pensei que iria transpirar com aquelas temperaturas tão baixas…
No regresso, deu ainda para visitar as Grutas de Alvados, das quais aqui deixo algumas fotografias… Um fim-de-semana à maneira sem dúvida….







Alpha: a história de uma amizade que sobrevive há milénios

Alpha é um filme que conta uma história que se terá passado na Europa, há cerca de 20.000 anos, no Paleolítico Superior, durante a Era do...