terça-feira, 31 de março de 2009

Uma exposição a não perder: Uma Olaria Romana no Estuário do Tejo no Museu Nacional de Arqueologia

fotografia retirada do site http://www.mnarqueologia-ipmuseus.pt/documentos/flyer_b.jpg

Desde o dia 19 de Março, que está patente no Museu Nacional de Arqueologia a exposição Uma Olaria Romana no Estuário do Tejo. Trata-se de um projecto desenvolvido pelo Ecomuseu Municipal do Seixal e pelo Museu Nacional de Arqueologia, que foi apoiado pelo Instituto dos Museus e Conservação, no âmbito do programa ProMuseus.
Esta exposição temporária resulta do trabalho de investigação desenvolvido pela equipa de arqueologia do Ecomuseu Municipal do Seixal, desde a década de 80, época em que na Quinta do Rouxinol (Corroios), se fez uma intervenção arqueológica de emergência e se descobriu a primeira olaria romana, actualmente classificada como Monumento Nacional, revelando um primeiro forno de cozedura de cerâmica. Intervenções arqueológicas posteriores permitiram descobrir vestígios de estruturas de outros fornos, além de vários fragmentos de peças de cerâmica, como é o caso de ânforas e peças de cerâmica doméstica. A maioria destas peças encontrou-se no espaço entre os fornos descobertos, numa fossa de despejo de materiais cerâmicos, provavelmente por terem sido rejeitados durante o processo de fabrico.
Estas intervenções arqueológicas decorreram no período compreendido entre 1986 e 1991, inserindo-se no projecto de investigação “Ocupação Romana na Margem Esquerda do Estuário do Tejo”.
Independentemente da minha suposta imparcialidade por motivos profissionais que me ligam a esta instituição municipal, considero que se trata de uma bela e interessante exposição, que dignifica o trabalho arqueológico deste museu, possuindo um magnífico efeito cénico, incluindo a reconstituição de um forno de cerâmica e réplicas de ânforas e peças de olaria romana. Quem se interessa por arqueologia, recomendo vivamente a sua visita, estando patente até Novembro. Não se esqueçam de fazer uma visita ao site destes museus e descubram os ateliês e as visitas temáticas que se irão desenvolver no âmbito desta exposição.

Os Maias no Trindade – até dia 26 de Abril


Finalmente, depois de duas tentativas fracassadas e de ter comprado os bilhetes com três semanas de antecedência, lá consegui ir ao Trindade ver os Maias. Confesso que a leitura deste romance de Eça de Queirós, foi decisiva para a minha formação de leitora e para a descoberta deste autor realista do séc. XIX, desbravando assim um novo campo literário e um novo gosto pelos seus romances.
Quase vinte anos depois da sua leitura, eis-me no Trindade, nesse teatro, tantas vezes citado pelo próprio Eça, sendo agora o próprio local onde se leva à cena esta obra-prima do autor.
O que sempre me agradou nesta obra literária do Eça e continua a interessar, é a sua actualidade, a sua veracidade. Passados mais de cento e tal anos, apercebemo-nos que nada mudou na sociedade portuguesa, pois a mentalidade continua a ser a mesma retratada pelo Eça nas ruas do Chiado. Somos aparentemente mais sofisticados, mas no fundo não passamos do mesmo. Sempre a espreitar quem passa, a dizer mal das modas e dos ares, a contestar as políticas e as novas correntes, mas sempre de braços cruzados, que é a nossa posição mais cómoda.
Na verdade, a peça que está em cena no Trindade, mostra-nos aspectos desta obra, que nos revelam tudo isso. Na minha opinião, esta versão teatral assenta mais nessa perspectiva das figuras da sociedade de então, da política, das traições e das intrigas burguesia fútil, do que propriamente na relação infeliz e incestuosa de Carlos Eduardo da Maia e de Maria Eduarda. Apesar de serem eles as figuras principais do romance, aqui figuram quase como personagens secundárias, perante o contexto social da época.

No folheto da peça, distribuído à entrada do teatro, está bem clara essa provocação, interrogando a assistência perante a actualidade da peça. «Será que, nos aspectos essenciais da sociedade portuguesa, mudou assim tanta coisa, nos últimos cento e tal anos?»…..
A peça vale a pena pelas interpretações de todos, destacando-se naturalmente a de José Fidalgo e a de Sofia Duarte Silva (filha da minha antiga colega Luísa da Escola do Cercal do Alentejo) e a de todos os outros elementos do elenco. Salientava ainda dois actores que me fizeram rir bastante (sim, porque a peça tem bastantes momentos hilários…) o João Didelet com o seu discurso apaixonado sobre a fé e os anjos… e a o Pedro Górgia na figura do célebre personagem Dâmaso, que como sabem, é caracterizado por um certo excentrismo e comicidade da época, proclamando frases caricatas como «Chique a Valer!», e «Que Seca!».
Quem ainda não tem bilhetes e faz mesmo questão de recordar ou de conhecer esta magnífica obra, pois já sabe, tem mesmo de se apressar, uma vez que tem acontecido um verdadeiro fenómeno de público, fazendo com que as sessões, sobretudo as de domingo estejam sempre esgotadas. Trata-se de uma boa sugestão para domingo à tarde, ou sábado à noite, depois de um bom jantar!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Os meus parabéns ao Grupo Coral Alentejano Etnográfico « Os Amigos do Alentejo» do Clube Recreativo do Feijó

Pois é, parece que foi ontem e afinal já lá vão dez anos que conheço o grupo coral dos Amigos do Alentejo. Lembro-me de tê-los visto pela primeira vez, quando comemoraram o seu 13º aniversário, em companhia do meu amigo Zé Rabaça, grande incentivador que eu me metesse nesta empresa de estudar o cante e os grupos corais. Lembro-me de ter chegado ao Feijó e de me ter fascinado as gentes alentejanas e o seu discurso identitário forte e tão enraízado. Lembro-me do Sr. Afonso, ainda hoje a principal figura daquele coral, e da forma carinhosa como me acolheu durante o início do meu trabalho de campo. Naquela altura, julgava eu que ia estudar o cante no Alentejo, mas foi aquela força que me motivou a ficar por ali, aquela simpatia, aquela atracção que se impunha. É curioso, pois às vezes na nossa vida é isso mesmo que acontece, os planos alteram-se e tudo muda, tudo porque algo mais forte se impõe perante a nossa vontade, somos levados pela paixão de uma ideia ou de um projecto que nos parece mais aliciante. Depois de ir ao Feijó pela primeira vez em Março de 1999, posso dizer que tudo mudou nos meus planos académicos, mas incrivelmente para melhor... E quis o destino que todo o caminho rumasse para lá, que tudo se alterasse na minha vida errante pelo Alentejo, para poder ter toda a disponibilidade profissional a tempo inteiro para ali ficar uns meses a conhecer melhor o modo de vida destes alentejanos... Foram tempos bons esses sem dúvida, breves mas intensos, com muitos espectáculos, viagens, festas e feiras, casamentos, mortes, ensaios, momentos de boa disposição e tristeza... Um trabalho de campo que me orgulho muito... graças a este grupo encantador.
Um feliz aniversário amigos! Não desistam... continuem... chamem mais cinco... não deixem de cantar!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Sugestões de fim-de-semana

Este foi sem dúvida um excelente fim de semana. Depois de na semana passada ter ficado com uma gastroentrite, este fim de semana foi mesmo para aproveitar e em grande. No sábado fui fazer mais uma daquelas magníficas sessões do Modo de Aparição das Artes no CCB. Desta vez a sessão foi com a Margarida Fonseca Santos, escritora sobretudo de literatura infantil e juvenil e a experiência foi mesmo interessante.
O desafio da sessão era ouvir histórias de olhos fechados. Mas também realizar mapas de ideias para escrever histórias, além de contar também as histórias a uma assembleia de olhos fechados. O meu grupo acabou por fazer a história da Estrela Bicentenária e da Toupeira. Escrita a quatro mãos, essa história ficou mesmo engraçada. Um dia destes se tiver tempo, ainda me ponho a aperfeiçoá-la e quem sabe o que poderá sair de lá!!!


No domingo, aproveitei para fazer uma visita guiada à exposição sobre a Rainha D. Amélia no exílio, na Casa Museu Anastácio Gonçalves, em Lisboa. Esta exposição estará patente ao público até ao fim de Abril. Foi com espanto e satisfação que vi o pequeno museu com tanta gente àquela hora da manhã.
Esta colecção pertence a Rémi Fénérol. O espólio não reclamado por nenhum dos familiares mais próximos de D. Amélia, após a sua morte, em 1951, em grande parte porque não contemplado em testamento, assim como os muitos objectos que a Rainha generosamente ofereceu aos seus empregados durante anos, foi guardado nos sótãos dos Girard-Souza-Moreau, dos Jouve e de outros para quem as peças provenientes da Rainha eram relíquias a guardar. O actual Coleccionador, Rémi Fénérol, começou por reunir tudo aquilo que dissesse respeito a D. Amélia, que para além de ser bisneta do Rei Luís Filipe de Orléans era Rainha. Começava assim a actual Colecção. Ao longo dos anos foram sendo acrescentadas peças provenientes de espólios de outros antigos servidores, comprados directamente a estes ou aos seus familiares, bem como objectos oriundos de leilões de familiares da rainha que haviam recebido peças em herança. Os objectos que agora se apresentam são uma pequena selecção de uma colecção maior que reúne os mais variados tipos de obras: vestuário, pequenos objectos de colecção, pintura, fotografia, livros, documentos e parte dos diários da Rainha.

A visita foi conduzida maravilhosamente por José Alberto Ribeiro, o director do museu. Durante uma hora e meia tivemos a oportunidade de conhecer melhor a figura emblemática e sofrida da Rainha D. Amélia, uma mulher que me fascinou pela sua força de vontade e determinação, pela sua acção junto dos desprotegidos e dos que mais precisavam, não se deixando abalar pela vida trágica e dramática que teve. Uma exposição verdadeiramente imperdível. A próxima visita guiada realiza-se dia 26 de Abril.

INFORMAÇÕES:
Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves Av. 5 de Outubro, Nº6 - 81050-055 Lisboa
Tel.: 213 540 823/923
SITE:http://www.cmag-ipmuseus.pt/


À tarde aproveitei para pôr o cinema em dia, e fui ver o filme vencedor dos Óscares, o Slumdog Millionaire, ou em português, o Quem quer ser Milionário? Trata-se de um filme muito interessante, sobre a vida de dois irmãos, numa Índia que não tem nada a ver com a que vemos em postais ilustrados, ou com o exotismo das belas viagens que vemos na televisão. Uma Índia sofrida e cheia de marcas na vida daqueles dois irmãos, abandonados à sorte e ao destino. Aliás, o destino é mesmo o mote central da intriga. Gostei bastante, apesar da dureza e realidade das imagens e dos sentimentos que nos suscita.


Estas são algumas das sugestões que vos aconselho para um destes fins-de-semanas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Cais das colunas

Domingo. Tarde amena de um Fevereiro que já deu o ar da sua graça, trazendo-nos de volta o sol para nos animar. Corre uma suave brisa junto ao rio. Ao fundo vislumbram-se as majestosas colunas do cais, que voltaram novamente a adornar, passados tantos anos volvidos, aquela que é uma das mais belas praças europeias, um verdadeiro salão de visitas ao ar livre. Deste cais partiram conquistadores, chegaram notícias do mundo, reis e riquezas de outros cantos e lugares. Daqui partiu a esperança e chegou a prosperidade. Em todos os grandes momentos da nossa história, ele foi sempre importante.
Nesta singela tarde, as pessoas acumulavam-se no cais. O olhar estava fito no rio, um olhar distante, de esperança, de quem espera por alguém ou por alguma coisa. Quem sabe, se não de um D.Sebastião, embora não houvesse nevoeiro. Em tempos de angústia e de dificuldade, contempla-se o rio, como sempre…em busca de soluções que não chegam!




sábado, 14 de fevereiro de 2009

PANORAMA - 3ª MOSTRA DE DOCUMENTÁRIO PORTUGUÊS

Agora além do mítico DocLisboa temos também o Panorama, dedicado ao Documentário que se faz actualmente em Portugal,contribuindo para um encontro entre quem faz e quem vê. É uma plataforma de exibição e discussão das imagens que compõem o país, lugar onde o documentário português é retratado de forma completa, na sua diversidade e riqueza.
Este ano, a Mostra do Documentário Português irá olhar para um só ano de produção, por isso o programa será menos extenso; manter-se-ão os encontros entre os espectadores e os realizadores. Quem for apreciador de documentário, tem aqui uma oportunidade a não perder, até porque há filmes em estreia!


Programa


Sexta-feira 13 de Fevereiro

21h30 - Sessão de Abertura
António Campos Catarina Alves Costa 60’ - Ante-estreia

Percursos no documentário português: António Campos
A Almadraba Atuneira 27’
Um Tesoiro 14’ Musicado ao vivo pelos München

Festa de Abertura

Sábado 14 de Fevereiro

17h00 - A Gravura: Esta Mútua Aprendizagem Jorge Silva Melo 80’
19h00 - Desvio Padrão Joana e Sara Morais 18’
O Tapete Voador João Mário Grilo 56’
21h30 - Conversa entre Duas Mulheres Ana Gil 20’ Estreia
O Meu Amigo Mike ao Trabalho Fernando Lopes 48’

Conversa com os realizadores: Jorge Silva Melo, Sara Morais, Ana Gil e Fernando Lopes

Domingo 15 de Fevereiro

17h00 - Da Vida das Bonecas Neni Glock 56’ Estreia
Aleluia Fábio Ribeiro 9’

Conversa com os realizadores Neni Glock, Fábio Ribeiro

19h00 - Bab Sebta Frederico Lobo, Pedro Pinho 108’
21h30 - Via de Acesso Nathalie Mansoux 82’

Conversa com realizadores Pedro Pinho e Nathalie Mansoux

Segunda-feira 16 de Fevereiro

17h00 - Acesso Reservado Pedro Lemos, Gustavo Ribeiro 25’
Nacional 206 Catarina Alves Costa 53’

Conversa com os realizadores Gustavo Ribeiro e Catarina Alves Costa

19h00 - O Lar António Borges Correia 71’
21h30 - Trabalho Forçado Tiago Melo Bento 11’
O Parque Catarina Alves Costa 45’ Estreia

Conversa com os realizadores: António Borges Correia, Tiago Melo Bento e Catarina Alves Costa

Terça-Feira 17 de Fevereiro

17h00 - A Carta de Quinhamel Peter Anton Zoettl 77’
Morar Aqui Maria Remédio 27’ Estreia
19h00 - Árvores Eva Ângelo 71’ Estreia

Conversa com as realizadoras Maria Remédio, Eva Ângelo

21h30 - Percursos no documentário português: António Campos
A Festa 24’
Gente da Praia da Vieira 73’

Quarta-feira 18 de Fevereiro

17h00 - Caminhu Ku Futuru Carlos Eduardo Viana 90’
19h00 - O Voo do Humbi Humbi Carlos Eduardo Viana 60’

Conversa com o realizador Carlos Eduardo Viana (sujeito a confirmação)

21h30 - Imorredoira 7’ Sílvia das Fadas Estreia
Música de Câmara Tiago Afonso 9’
Máscara do Tempo Gonçalo Jordão 10’
As Pedras e as Pessoas Luís Nogueira 12’
Tokio Porto 9 horas João Nuno Brochado 10’
Making Of (Caixa de Música) Patrícia Leal 25’ Estreia

Conversa com os realizadores Sílvia das Fadas, Tiago Afonso, Gonçalo Jordão, Luís Nogueira e Patrícia Leal

Quinta-feira 19 de Fevereiro

13h30 [sessão especial] - O Compasso Regina Guimarães e Saguenail 160’

DEBATE
“A produção de imagens nas ciências sociais – análise de O Compasso” com os realizadores Regina Guimarães e Saguenail

17h00 - Percursos no Documentário Português: António Campos
Falamos de Rio de Onor 62’
19h00 - DEBATE: “Como se faz o documentário português?”

Apresentação do trabalho de algumas produtoras portuguesas, e discussão das suas políticas de produção com projecção e análise de excertos de filmes. Com a presença de Graça Castanheira (projecto RTP 2) e as produtoras Andar Filmes, Filmes do Tejo, Laranja Azul, Raiva.

21h30 - Aquele Querido Mês de Agosto Miguel Gomes 147’

Conversa com o realizador Miguel Gomes (sujeito a confirmação)

Sexta-feira 20 de Fevereiro

17h00 - Invisibilidade das Pequenas Percepções Miguel Clara Vasconcelos 30’
Do Corpo à Palavra Colectivo de Realizadores 48’

Conversa com realizadores de Do Corpo à Palavra e com Miguel Clara Vasconcelos.

19h00 - Cordão Verde Hiroatsu Suzuki, Rossana Torres 37’ Estreia
Moiras Regina Guimarães e Saguenail 25’

Conversa com os realizadores Hiroatsu Suzuki, Rossana Torres, Regina Guimarães e Saguenail

21h30 - Percursos no documentário português: António Campos Vilarinho das Furnas 77’

DEBATE
“Percursos no documentário português: António Campos” com Catarina Alves Costa e José Manuel Costa

Sábado 21 de Fevereiro

17h00 - O Segredo Edgar Feldman 25’
Adeus à Brisa Possidónio Cachapa 50’
19h00 - Dificilmente o que Habita perto da Origem Abandona o Lugar Olga Ramos 50’
21h30 - Álvaro Lapa: A Literatura Jorge Silva Melo 100’

Conversa com os realizadores Edgar Feldman, Possidónio Cachapa e Olga Ramos

Domingo 22 de Fevereiro

17h00 - DEBATE FINAL: “Que Panorama?” com os programadores do PANORAMA e com José Manuel Costa e Graça Castanheira.
21h30 - Sessão de Encerramento

Percursos no documentário português: António Campos Histórias Selvagens 102’

Festa de Encerramento

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Palestra "Por este rio (de Mouro) acima"

A Associação Dínamo apresenta a Palestra "Por este rio (de Mouro) acima", que terá lugar na Sala Multiusos da Casa-Museu de Leal da Câmara (Calçada da Rinchoa, 67, Rinchoa - Rio de Mouro, telefone/telefx 219164303, endereço electrónico museu.lcamara@cm-sintra.pt), dia 11 de Fevereiro de 2009, pelas 16 horas, com entrada livre.

A palestra será moderada pala Dra. Raquel Ochoa, terá como oradores: Dra. Maria Alice Monteiro, Prof. Carlos Enes, Dr. Júlio Cortez Fernandes, Dr. Élvio Melim de Sousa e visa o encontro da comunidade riodemourense, em concreto, e sintrense, no geral, com diversos aspectos históricos da vila de Rio de Mouro.

Será promovida a discussão de temáticas variadas como a evolução urbana e social ou o trabalho e vida de personalidades de relevo como Leal da Câmara e Francisco dos Santos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Farta de chuva....

Será que o sol não vai voltar??? Este tempo já cansa, sempre a chover, sempre a chover.... Estou ansiosa por que regresse a Primavera....

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

HÁBITOS DE LEITURA

«Os livros não mudam o mundo. Os livros mudam as pessoas e as pessoas mudam o mundo»

Retirado de um powerpoint de Galeno Amorim, no Congresso Internacional de Promoção da Leitura, 2009


Depois de ter assistido à conferência de Fernando Savater, José Barata-Moura e Marçal Grilo, no Congresso Internacional de Promoção de Leitura, na Fundação Calouste Gulbenkian, e de ter apreciado bastante a forma elogiosa como falaram dos livros, da leitura e do modo como esta afectou a sua vida, apetece-me reflectir também um pouco sobre os meus hábitos de leitura e as origens dessa deliciosa descoberta.
Lembro-me que não começou na primeira infância, pelo menos não me recordo de receber muitos livros quando era muito pequenina, nem me recordo de sessões de contos de histórias, mas talvez sejam só defeitos da memória. Lembro-me sim, já na altura da Primária, dos livros da colecção da Anita, que um antigo amigo da família me dava regularmente, e do sentimento maravilhoso que era ler um novo livro. Estes livros foram de tal modo especiais para mim, não só pelas histórias simples, como pela recordação daquele velho amigo que mos dava, que hoje ainda os guardo religiosamente.
Foi no ensino preparatório, que tudo começou a mudar. Tive uma professora de português que revolucionou a minha formação (aliás como mais tarde também veio a acontecer no 7º e 10º/11º ano na mesma disciplina). Com aquele seu ar meio lunático, com roupas algo estranhas e gestos desmesurados, uma voz algo esganiçada e colérica, foi esta professora que cultivou em mim o gosto pelos livros, organizando a Biblioteca de Turma e a troca de livros entre os alunos, que deviam ter leitura integral. E depois vieram as sessões de leitura em voz alta, em que a professora narrava as aventuras sempre fascinantes das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Graças a essas histórias, comecei a gostar de histórias de detectives e policiais e sempre que a minha imaginação permitia lá andava eu na escola à cata de mistérios…Além disso começava a devorar os livros da célebre Enid Blynton, autora dos livros dos “Cinco” e das “Gémeas de Santa Clara”.
Foi nessa época também que percebi que gostava de poesia. A professora insistia em declamar-nos poetas clássicos portugueses e embora a sua declamação fosse um pouco exagerada, um pouco mesmo trágico-cómica, eu ficava fascinada com a força das palavras dos poetas. Já no 7º ano, com outra professora igualmente interessante e a quem muito devo por ter desenvolvido o meu gosto pela poesia e por ter estimulado a minha imaginação e criatividade, comecei a escrever, compondo narrativas fantasiosas e poemas, assim como a declamar nas aulas. Nesse ano, organizou-se um pequeno concurso de declamação na turma e participei com a interpretação dos poemas «Mãos» de Manuel Alegre, e o «Porque», de Sofia de Melo Breyner. Acabei por ganhar o 1º lugar entre os colegas de turma, embora sem prémio, com a declamação do poema de Alegre, aquele que é com toda a certeza o poema da minha vida, cheio de garra e de energia, de labuta e de vida, afinal «com mãos tudo se faz e se desfaz».
O gosto pela leitura tinha-me aberto o acesso a explorar um pouco daquilo que eu começava a ser, e no 10º e 11º ano eu já lia bastantes livros. Foi então que conheci a melhor professora de português que alguma vez tive. Nos primeiros meses detestei-a, não conseguia compreender o porquê das más notas que ela me dava, quando eu era tão boa aluna no 9ºano, nem o rigor da sua exigência. Mas foi um óptimo desafio, comecei o 10º ano com 8 valores e acabei o 11º ano, com 18 valores. Agarrei-me à literatura portuguesa afincadamente, lia os livros obrigatórios por prazer e não apenas pelo dever de fazerem parte do currículo. Devorei-os, é certo, era sempre a primeira da classe a ler as obras, e os meus intervalos eram passados de volta dos livros. Dos livros passei ao teatro e à descoberta da sua interpretação. A professora puxava por nós, instigávamo-nos a participarmos em teatralizações e a improvisações, para melhor percebermos o que líamos. De tal modo foi intensa essa experiência, que depois de interpretar a Ama do «Auto da Índia» de Gil Vicente, a Joaninha das “Viagens na Minha Terra” do Almeida Garrett, a Maria Eduarda, dos «Maias» de Eça de Queirós, ou a Ofélia, namorada de Fernando Pessoa, comecei a pensar seguir o teatro como vida profissional. Estava dividida entre o Teatro e a Sociologia (na altura ainda pensava que o que queria era a Sociologia e não a Antropologia, embora o destino se tenha encarregado de me colocar no lugar certo), mas acabei por desistir por ser uma ideia demasiado arrojada e por se tratar de um caminho penoso e incerto, como me disse na altura a actriz Susana Borges. Contradições do destino, ao seguir Antropologia o mesmo caminho incerto e penoso concretizou-se na mesma…
Para concluir, gostaria de salientar que a leitura cresceu assim na minha vida e tomou este rumo porque existiram professoras maravilhosas que tiveram o poder de despertar em mim esse gosto. Na altura, as bibliotecas não tinham ainda essa consciência e não desenvolviam projectos de promoção da leitura, pelo que era a escola que tinha esse papel. Por isso, acredito que os hábitos de leitura podem e devem começar também na escola e nesse aspecto, os professores, sobretudo os de português, têm uma importante responsabilidade: o de fazer nascer leitores e sobretudo fazê-los gostar de ler.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

CONGRESSO INTERNACIONAL DE PROMOÇÃO DA LEITURA – FORMAR LEITORES PARA LER O MUNDO

Realizou-se nos passados dias 22 3 23 de Janeiro na Calouste Gulbenkian este congresso internacional de promoção de leitura, a que pude estar presente no último dia.
Tratou-se de mais uma ocasião para debater e reflectir o estado da nação no que diz respeito aos hábitos de leitura e à literacia dos portugueses. Este encontro contou com a presença de individualidades vindas da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Espanha e França, com experiência na promoção e mediação da leitura.
Apresentaram-se algumas experiências de projectos desenvolvidos na promoção da leitura bastante interessantes, como aqueles desenvolvidos pela Fundacíon German Sanchez Ruiperez, em Salamanca, junto das crianças, desde os 9 meses. Projectos como estes, desde que bem estruturados e continuados ao longo do tempo têm vindo a demonstrar que podem ser úteis para o desenvolvimento de hábitos de leitura, pois as crianças ao irem à biblioteca com os pais semanalmente acabam por incorporar essa rotina no seu processo de crescimento e de aprendizagem. Por outro lado, a criança que lê antes de saber ler, ou seja que se habitua à prática de escutar contos e pequenas histórias, desenvolve a imaginação e a criatividade muito mais rapidamente. As bibliotecas são deste modo o espaço privilegiado para favorecer os primeiros contactos com o livro, vinculando este nos afectos, no jogo e na inter-relação com as outras crianças e pais.
Em Portugal esta realidade está ainda a dar passos, sobretudo no que diz respeito às bebetecas, pois, pelo menos daquilo que conheci para realizar um trabalho escolar, posso dizer não existir um projecto de fundo com actividades concertadas, e de certo sem a avaliação dos resultados em muitas das já criadas. Ainda assim, há muitas instituições que vale a pena assinalar pelo seu excelente trabalho. Duas delas são sem dúvida a Biblioteca José Saramago de Beja e a Biblioteca Municipal de Odivelas que tem vindo a desenvolver um trabalho meritório com bebés.
Falou-se neste congresso do projecto da Casa da Leitura, da Fundação Calouste Gulbenkian, das potencialidades deste site, que é um importante directório de literatura infantil, interactivo e simples de utilizar, dirigido a miúdos e graúdos. Trata-se de um notável trabalho de referência actual no que diz respeito à promoção da leitura, que seria lastimável se não tivesse continuidade.
Mas, porque este congresso foi internacional, foram abordadas diferentes perspectivas e por isso, referiram-se experiências de todo o género, desde as mais produzidas e meticulosas, às mais simples e quase espontâneas, como alguns dos projectos de promoção de leitura realizados no Brasil, onde 95 milhões são leitores e 77 milhões não lêem.
Galeno Amorim trouxe-nos um curioso retrato de leitura no Brasil, onde ainda existe uma elevada percentagem de população analfabeta e sem acesso a escolaridade, onde tanta gente vive em áreas geográficas de enorme isolamento. Talvez por esses motivos, os projectos que ele apresentou tivessem tido o impacto que tiveram entre os participantes do congresso. Assim, Galeno Amorim, trouxe-nos imagens de mini bibliotecas de campo, bastante rudimentares e sem praticamente condições logísticas, onde 12 mil agentes de leitura distribuem livros e falam dos mesmos. Falou-nos de barcos –biblioteca, em que as pessoas durante a travessia diária podem ter tempo para ler e onde existem 2 a 3 h de actividade com leitura. Mostrou imagens de uma “borrachateca”, onde o proprietário do stand além de vender pneus oferece ou empresta livros aos seus clientes; de uma biblioteca que funciona 24 h por dia, no quintal de uma casa particular num subúrbio, onde o dono está sempre disponível para emprestar livros a qualquer hora do dia ou da noite; falou-nos de bibliotecas em feiras livres; de bibliotecas em talhos, e até de “bibliojegue” que em português de Portugal, seria uma “biblioburro”, pois os livros são transportados num burro, numa pequena localidade do interior brasileiro; assim como bibliotecas em paragens de autocarro.
Estas experiências parecem-nos bizarras e até algo estranhas ao olhar do europeu, mas a verdade é que são estes pequenos gestos que resultam e que vão ao encontro da necessidade das pessoas, criando hábitos que podem mudar a vida de cada um.
Como o afirmou António Prole, a leitura é cada vez mais central nas nossas vidas, pois sem ela, a massa de informação que se produz desmesuradamente não se transformará em conhecimento. E isso, sim agravará a deflação e a crise acentuada em que vivemos. A leitura tem assim um contributo a dar que transcende o simples deleite da literatura, os mundos que ela pode dar, a viagem que ela nos permite. É através dela que lemos o mundo e o compreendemos, que crescemos como pessoas e desenvolvemos capacidades de literacia, fundamentais para nos movermos na nova Era da informação.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Calou-se a voz do marinheiro


Nos anos 90, quem não se lembra da célebre música «esta vida de marinheiro», ou do «vamos ao circo», do grupo Sitiados, uma referência da música rock dos anos 90, em Portugal. Hino de colónias de férias, de ajuntamentos de jovens, esta vida de marinheiro, estava sempre presente em momentos de alegria e divertimento. Os Sitiados, foram a primeira banda de João Aguardela, tendo editado em 1992 o seu álbum de estreia, sendo de 1999 a edição do seu último registo. Posteriormente, o músico fundou os Megafone, que editaram quatro discos, o projecto Linha da Frente, que musicou textos de Ary dos Santos, Manuel Alegre e Alexandre O´Neill, entre outros.
No dia 18 de Janeiro, aos 39 anos, João Aguardela faleceu, vítima de cancro. Calou-se uma das vozes do meu tempo de juventude.

Alpha: a história de uma amizade que sobrevive há milénios

Alpha é um filme que conta uma história que se terá passado na Europa, há cerca de 20.000 anos, no Paleolítico Superior, durante a Era do...