segunda-feira, 26 de outubro de 2009

«Os esquecidos», de Pedro Neves

No âmbito do Doc Lisboa, célebre festival dedicado ao documentário nacional e internacional, que se realiza todos os anos em Outubro, na Culturgest, pude ver um documentário que foi para mim como um verdadeiro “murro no estômago”. A verdade, é que se, por um lado, o filme me constrangeu, por outro lado, fez-me avaliar o quanto nós temos na nossa vida e não lhe damos o verdadeiro valor.
Este filme de autoria de Pedro Neves, nasceu da sua vontade de filmar a pobreza, no contexto urbano do Porto, depois de se ter apercebido que nesta cidade viviam 500 mil pessoas a viver em estado de pobreza. Filmado na freguesia de Campanhã, junto de pessoas com evidentes dramas de vida, este é um filme que nos mostra pessoas que são verdadeiras provas da resistência e dos limites da sobrevivência. Trata-se de gente, na maior parte dos casos, nascida sem condições económicas, com fraca ou nula instrução, que não conseguiu almejar outro estilo de vida, se não aquele herdado pelos pais. Candidinha é um desses rostos. Mulher enrrugada, com marcas da vida árdua nas rugas da face, vive agora no antigo galinheiro que era o seu fruto de rendimentos. Já não vende ovos, como antes, vive numa espécie de barraca atamancada com placas de zinco, e outras tralhas, juntamente com o seu marido. Na casa, que de casa não tem nada, entra a chuva e o frio, mas segundo o que ela diz, é uma mulher feliz, porque afinal, o marido já não bebe, já não lhe bate e até vai às compras. Diz que caiu naquela vida por culpa do filho que foi atrás do “veneno” (droga), e que é por causa dele que acabou a viver assim, mas a verdade é que a vida de Candidinha nunca terá sido fácil.
Outro caso igualmente exasperante é o de Ramiro, que vive igualmente numa casa insalubre, a cair aos pedaços, e sem casa de banho, juntamente com a mulher, que já teve 3 AVC’s. A vida de Ramiro é agora dentro das quatro paredes exíguas, vivendo como ele próprio diz, como um cão. A mulher sem fisioterapia, sem assistência depende apenas dele para viver, para comer e tomar a medicação, mas por causa disso, o marido deixou de poder trabalhar. A depressão e o desgaste psíquico vêem-se nos olhos de Ramiro, que diz que noutros tempos já foi feliz, e até não faltou comida, nem bebida, mas a verdade é que foi naquele espaço sem qualquer condição que ele e a mulher criaram sete filhos, o que adivinha que a vida nunca lhes terá sorrido assim tanto. Confesso, que nesta história o que me inquietou mais foi o facto deste casal ter tido sete filhos, a maior parte deles empregado e com vidas estáveis, e não haver ali uma ajuda, um apoio para aqueles dois desgraçados, que ali estão a ver passar os dias, em pior estado do que muitos animais.
A vida de Zé Luís desconcertou-me também completamente, fazendo-me reflectir sobre a possibilidade de facilmente podermos cair naquele beco fechado, sem esperança, e sem soluções à vista, quando não existe uma estrutura de apoio. Zé Luís é um homem relativamente novo, à beira dos quarenta e poucos anos, apesar da sua cara aparentar bastantes mais, marcada que está pelo desgosto e pelo álcool. Nasceu relativamente perto do local onde pernoita ao ar-livre, e a escola onde esteve na primeira classe dos 6 aos 14 anos, fica a poucos metros de distância. Apesar de ter mãe e vários irmãos, ninguém quer saber dele, o pai já morreu há 19 anos, e por isso não tem ninguém com quem se dê. A falta de instrução, de trabalho e o alcoolismo arrastaram-no para uma vida de mendicidade, de solidão, de alguma loucura, e de desamparo. A dada altura, o seu relato é interpelado pelo desespero, levando-o a afastar-se da câmara e a chorar convulsivamente debruçado para uma parede. Aquela cena, imagino que não tenha sido fácil de filmar para o realizador, ninguém gosta de captar o sofrimento alheio de forma passiva e observadora. Mas, aquele momento de profunda intimidade e partilha de sentimentos, permitiu-me também perceber que um filme destes, não se faz de um dia para o outro. Tal como no trabalho de campo do antropólogo, o realizador de documentários necessita ganhar a confiança do entrevistado, é preciso valorizá-lo e dar-lhe a conhecer que ponde contar com ele. Pedro Neves, teve essa sensibilidade, daí que o filme ao contrário de uma reportagem, tenha levado quase um ano a ser rodado.

Verdadeira pedrada no charco, este é um filme para alertar as consciências, sobretudo as dos autarcas que ganham eleições com maiorias absolutas, tanto na Câmara Municipal do Porto, como na junta de Freguesia de Campanhã. É preciso que este filme mobilize acções para poder acabar com tamanhas desigualdades sociais. É certo que, tal como Pedro Neves afirmou, este filme podia ter sido feito em qualquer outro lugar, sem ser o Porto, mas o importante é que se ponha o dedo na ferida, para que esta gente não continue a ser “esquecida”.

domingo, 18 de outubro de 2009

Porque rir é preciso...

Porque rir é saudável e porque nos faz falta encarar a vida com mais sorrisos e mais descontracção, porque há dias mais cinzentos em que nos aparece fugir, aqui deixo ficar um momento lúdico para ver quando nada nos parece animar e o sorriso nos escapa...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Homenagem ao Prof. Carlos Jesus

Deixo aqui ficar a notícia de uma homenagem ao Prof. Carlos Jesus, para todos aqueles que estiverem interessados,da qual tive conhecimento através do meu amigo Luís Maçarico, e que passo a transcrever:

«Decorrido quase um ano sobre o falecimento de Carlos Henriques de Jesus, alguns familiares e amigos estão a preparar uma homenagem em sua memória. A ideia é proporcionar a quem com ele privou momentos de partilha na recordação de um homem que seguramente nunca soube ser/ser-nos indiferente.
Teríamos muito gosto em contar com a sua presença.
O acontecimento terá lugar na Escola Superior de Educação de Setúbal – Campus do Instituto Politécnico – (Setúbal/Manteigadas) no próximo dia 9 de Outubro (sexta-feira) às 18:30h.
No caso de querer e poder comparecer, queira, por favor, confirmar até dia 2 de Outubro para mmramos@fc.ul.ptmmramos@fc.ul.pt> ou para o telefone 219623428 (ao fim do dia), ou ainda para o 969853924.
Com os nossos melhores cumprimentos,
P’la organização,
Margarida Ramos»

quinta-feira, 1 de outubro de 2009




Perto da data do falecimento de Amália Rodrigues, aqui deixo ficar a minha homenagem pela mão do projecto Amália Hoje, na voz de Sónia Tavares, dos Gift.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Fragata D. Fernando II e Glória

A fragata D. Fernando II e Glória foiconstruída em Damão, na antiga Índia Portuguesa e foi lançada à água em 22 de Outubro de 1843.
O navio estava preparado para receber 60 bocas de fogo e a sua guarnição variava entre 145 e 379 homens. Em algumas viagens chegou a transportar mais de 600 pessoas.
Durante 33 anos fez a ligação entre Portugal e os territórios portugueses da Índia, cumpriu missões ao longo da Costa de Moçambique e teve um papel importante como navio-chefe de uma força naval que recuperou o Ambriz, em Angola.
Em 1889, a fragata sofreu profundas alterações, passando a servir como Escola de Artilharia Naval. A partir de 1945, o navio passou a ser também a sede da Obra Social da Fragata D.Fernando, cujo objectivo era receber os jovens rapazes com dificuldades económicas, que ali recebiam instrução escolar e treino de marinharia.
Em 1963, a fragata sofreu um violento incêndio, que destruíu grande parte da mesma, tendo permanecido encalhada no rio Tejo, no mar da Palha, durante longos anos. Em 1992, o barco foi removido e posteriormente transportado para o estaleiro Ria Marine, em Aveiro.
Restaurada, a Fragata D.Fernando II e Glória foi tornada num navio museu, tendo sido possível visitá-la durante a Expo 98.
Actualmente podemos encontrá-la em Cacilhas, no concelho de Almada, permitindo-nos uma reconstituição histórica do que era a vida a bordo de uma fragata do séc. XIX, exclusivamente à vela.

A última nau portuguesa da carreira da Índia









Burricadas em Cacilhas

No passado domingo, dia 20 de Setúbal realizaram-se as célebres «Burricadas», que se assinalam sempre no fim do verão, tendo sido incluídas nas iniciativas da Semana da Mobilidade, em Almada. Ao longo da tarde, foi possível ver caretos de Podence, grupos folclóricos, experimentar jogos tradicionais e provar algumas iguarias doces que estavam à venda. Foram momentos divertidos sem dúvidas...

Registos fotográficos das Burricadas






terça-feira, 22 de setembro de 2009

Peddy-paper fotográfico por Almada

No âmbito da semana da Mobilidade, o Banco do Tempo de Almada resolveu fazer um peddy-paper fotográfico, que servisse para integrar esta iniciativa municipal, mas que fosse também um encontro de membros. A receptividade foi fraca, mas espera-se que aumente futuramente. Ainda assim, serviu para passear pelas ruas e lugares históricos de Almada Velha e registar com a minha objectiva alguns desses lugares.


Banca do Banco de Tempo na Praça M.F.A
Estátua humana na Praça MFA
Antigo Tribunal de Almada
Fontanário
Pormenor do Largo das Vítimas de 26 de Agosto, o mais pequeno de Almada
Fachada do Arquivo Histórico de Almada Casa da Cerca
Vista da Casa da Cerca sobre o Ginjal e Ponte sobre o Tejo

Vista para o Núcleo Naval, Olho de Boi
Estátua na Casa da Cerca
Pormenor dos Paços do Concelho de Almada
Fachada dos Paços do Concelho

Fachada da Íncrivel Almadense - importante colectividade de Almada

Inauguração do Posto de Turismo, em Cacilhas - Pessoas dançam em roda ao som da música grega
Fragata D. Fernando e GlóriaO regressado farol a Cacilhas

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Um toque indiano...

No passado fim de semana participei num workshop de culinária indiana, no âmbito do Festival Todos, uma iniciativa de promoção do encontro inter-cultural. Foi um autêntico êxito e a experiência junto de uma família indiana recém-chegada da Índia foi mesmo única. A genuinidade das pessoas só por si fez com que valesse a pena a participação no evento. Deixo aqui umas fotos para partilhar convosco.

Exposição de fotografia de George Dussaud, nos edifícios do Martim Moniz



Amassando o pão
Toda a família ajudou na confecção da refeição
A massa do pão



Na cozinha era grande a azáfama e o cheiro a caril e a especiarias invadia a sala ao lado...

Momentos de dança com as meninas, enquanto na cozinha se ultimavam os pormenores para uma saborosa refeição.

um pézinho de dança...

e voilá... a refeição já no prato. Óptima por sinal! Legumes, pão, arroz basmati, ervilhas e queijo.

o workshop terminou com dança e música indiana e muita alegria!

Alpha: a história de uma amizade que sobrevive há milénios

Alpha é um filme que conta uma história que se terá passado na Europa, há cerca de 20.000 anos, no Paleolítico Superior, durante a Era do...