
O anthropos é um espaço de reflexão, de pausa e de abertura para os diálogos do pensamento... para a poesia que exala das palavras, para o imaginário que nos delicia e nos transporta à infância, para a literatura, para as viagens... para o lúdico... para as causas reais pelas quais nos devemos afirmar. Convido-o desde já a participar nesta minha primeira aventura bloggista e espero que seja divertido!!
quarta-feira, 28 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Milfontes: entre achados e perdidos
Acende os lugares onde se escondem os sentidos
E não tenhas medo se às vezes falhares
O que importa é o caminho que fica entre achados e perdidos»
Letra de música Achados e Perdidos de Mafalda Veiga
Regressei a Milfontes. A canção do Rui Veloso diz-nos para não voltarmos aos lugares onde já fomos felizes, pois nada do que por lá virmos «será como no passado» e que não podemos «reacender um lume já apagado», mas nestas coisas, não consigo ter as «regras da sensatez» que o Veloso nos fala e por isso eis-me outra vez neste lugar repleto de memórias e recordações.
Conheci Milfontes com 25 anos quando a aventura dos mini-concursos me colocaram numa pequena escola básica do 2º e 3º ciclo na bela região do Cercal do Alentejo. Nesse período, que ainda hoje considero um dos mais felizes da minha vida, descobri-me enquanto pessoa e tive o prazer da camaradagem entre colegas, que tal como eu, se encontravam destacados na mesma escola. Ao longo desse ano lectivo de 1998/1999 muitas das nossas jantaradas e rituais de animação, a que chamávamos cerimoniosamente de “arruaças”, ocorreram precisamente em Milfontes, a 13 kms do Cercal. Aí coleccionámos comizainas, gargalhadas regadas com bom vinho, brincadeiras e histórias que imortalizámos em fotografias guardadas em álbuns fotográficos. Aqui de novo em Milfontes, contemplando o rio Mira, que corre sereno e tranquilo para o mar eu recordo os luares, as loucuras, os sonhos partilhados, as nossas palermices…
Milfontes é assim este lugar de refúgio, onde gosto sempre de voltar, nem que seja para recordar tudo o que aqui já vivi de bom. Mergulho-me no rio, a água é gelada, mas vale o sacrifício…
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Morre o escritor...fica a obra
terça-feira, 18 de maio de 2010
10º dia – Tânger
Este relato foi escrito por mim junto à piscina do hotel Alleh, onde ficámos na nossa última noite em Marrocos:
«Ainda não parti para Lisboa e já sinto falta do que vivi nestes últimos dias. Afinal foram 10 dias de partilha intensa de conhecimentos, de sensações, de experiências, de muitas aventuras e risadas. Foram dias muito preenchidos que me fazem sentir que passaram a fugir, pois foram vividos a dobrar ou a triplicar a soma dos dias.
Neste último dia antes da partida, o destino foi Tânger. Daqui já se vê o mar, uma ponta de Espanha e da Europa. É quase uma meta alcançada, com a jornada conseguida e a aventura concretizada. De Marraquexe a Tânger foram muitos quilómetros percorridos, além dos que caminhámos para sul em direcção a Zagora.
Depois de conhecer Tetouan e Tânger, acho que o destino nos bafejou com sorte ao fazer com que tivéssemos começado a viagem por Marraquexe, esse centro nevrálgico da essência deste país. Se tivéssemos chegado a Marrocos por Tânger, penso que o entusiasmo diminuiria levando a que não sentíssemos aquele choque interessantíssimo no início, e que possivelmente quando chegássemos à cidade da alegria achássemos tudo muito mais cansativo. Isto porque não gostei muito do que vi de Tânger, em comparação com outros lugares.
Em Tânger encontrámos novamente marcas da influência espanhola e um ocidentalismo que se mistura com as ruelas e os becos sombrios da medina, com os homens de ar suspeito que parecem viver do engano e do roubo, com os miúdos que se metem connosco quando dizemos que somos portugueses, lembrando-se do Cristiano Ronaldo (personalidade que aliás também influencia muito os mais novos a observar pelos seus penteados estilosos que imitam o craque de futebol).
África começa também aqui, esta é uma porta de entrada e saída de milhões de pessoas. O porto de Tânger recebe diariamente uma enorme frota de ferries vindos de Espanha, que fazem a ligação com Algeciras. Daqui tentam também partir clandestinamente milhares de pessoas desesperadas, que esperam encontrar na Europa um destino melhor (felizmente não observei essa situação dramática e lastimável in loco, mas sei que ela existe). Tânger é, assim, feita de todas estas ambiguidades, destes desejos, desta mistura.
Manifestação do 1º de Maio - Tânger
Aqui no hotel Alleh onde me encontro a escrever estas linhas, a tarde começa a cair e o frio a começar a fazer-se sentir. Aguardo a festa de anos de uma das companheiras de viagem e até comprámos roupas marroquinas para nos divertirmos. O grupo tem funcionado bem, apesar das nossas diferenças, dos nossos feitios e personalidades. A viagem não podia ter corrido melhor! Agora resta-nos partir amanhã para Madrid e daí para Lisboa.
Sem esperar conhecer Marrocos este ano, depois de ter surgido esta oportunidade de repente, confesso que este país me surpreendeu, pois as opiniões que ouvi eram todas muito contraditórias. Quem sabe um dia regresse ao sul e descubra verdadeiramente a essência do deserto e a magia das suas noites estreladas. »
segunda-feira, 17 de maio de 2010
9º dia – Tetouan e Chefchouen
Tetouan, nas palavras dos poetas árabes, é uma pomba branca, a “irmã de Fez”, a “pequena Jerusalém” ou a filha de “Granada”. A cidade foi habitada por refugiados judeus de Granada no séc. XV e por mouros da Andaluzia no séc. XVII. A influência andaluza é bem visível na sua medina, nas tradições culinárias, na música e nos bordados, entre outros aspectos.
Assim que entrámos na cidade veio logo ter connosco um arrumador que nos indicou um parque para estacionarmos o automóvel. Depois de termos pago o parque ao senhor responsável pela guarda do mesmo, demos uma pequena gorjeta ao homem que nos indicou o lugar. Mas, curiosamente, como não lhe demos o dinheiro que ele achou merecer, além de recusar, ainda nos injuriou, dizendo para um de nós, que era um «pobrecito».
Por toda a cidade víamos homens, que ao menor sinal de hesitação da nossa parte no caminho a seguir, se nos dirigiam para nos guiarem, dizendo que estudavam português e queriam apenas praticar. O primeiro que nos indicou o parque, chegou mesmo ao ponto de dizer que tinha um familiar que vivia em Lisboa, na Estrada de Benfica…
A medina, apesar de património mundial da humanidade, e de representar a medina mais andaluza de Marrocos, não seduziu. Era demasiado suja, com odores muito fortes que se entranhavam no nariz e até um pouco assustadora, pois tínhamos sempre alguém atrás de nós atento à espera de nos servir de guia. Houve mesmo um, que nos seguiu durante um bom bocado. Possivelmente, depois de alguns dias sempre a ver cenários de medinas semelhantes, começasse a perder a paciência e a deixar de descobrir o encanto da diferença.
Depois de quase nos perdermos na medina e de calcorrearmos Tetouan sem grande rumo, resolvemos voltar para Chefchouen. Afinal, naquela terra tínhamos a tranquilidade do azul e a simpatia das pessoas, contrariamente ao que sentimos em Tetouan. Parámos pelo caminho, à beira da estrada para comprar cerâmica e aí fizemos bons negócios, acabando por comprar uma tagine que serviria de prenda a uma das colegas, que faria anos no dia seguinte.
Chegados a Chefchouen, passámos pelo hotel para deixar ficar as coisas, e voltámos à praça principal. Aproveitámos para fazer as últimas compras e marcar o restaurante para o jantar. O rapaz do restaurante mostrou-se receptivo ao facto de podermos levar uma garrafa de vinho (dado que o álcool não é permitido entre os muçulmanos), mas para isso tínhamos de comprar a garrafa, num determinado bar que nos indicou. E assim fizemos. A compra da garrafa de vinho, fez lembrar literalmente o tempo da Lei Seca, nos 30 na América. Parecíamos uns autênticos gangsters do gang de Alcapone. Um de nós bateu à porta do bar, comprou a garrafa e teve de a trazer dentro de um saco de plástico preto, escondida.
No restaurante deixaram-nos beber o vinho, tal como tínhamos combinado, mas a verdade é senti que o rapaz que nos serviu (não o mesmo que falou connosco antes), não estava nada à vontade, mal nos olhava a direito e parecia incomodado. Bebemos discretamente a garrafa e escondemo-la, trazendo-a de novo connosco. Apesar do vinho não ser grande coisa, valeu o episódio e o jantar…
quarta-feira, 12 de maio de 2010
8º dia – Partida para Chefchaouen
Chefchouen possui uma área de 4.350 km2 e localiza-se no Rif Ocidental, em plena montanha. Caracteriza-se por uma arquitectura árabe-andaluza, influência dos fugitivos da Reconquista do Al Andalous. A kasbah na praça Outa é do séc.XVII e a grande mesquita, com o seu minarete octogonal é do séc. XV.
É uma terra linda e encantadora fazendo lembrar, Sidi Bou Said, na Tunísia. Contudo, pareceu-me ainda mais acolhedora, mais envolvente, com as suas casas com as fachadas caiadas de branco e azul índigo ou turqueza, assemelhando-se a casas de bonecas de brincar, quase irreais, de tão fantásticas nos pareciam. Cada recanto nesta terra nos encanta, cada porta, cada pátio, as ruelas, as praças. Tudo está muito limpo e cuidadosamente apresentado e não faltam tendas, lojas e bancadas para comprarmos souvenirs.
A praça principal, a Uta el-Hammam, é o coração da cidade velha e o ponto central de convergência das ruas da medina. Apresenta árvores, pavimento em pedras e cascalho e, no centro há uma fonte. Além da mesquita, salienta-se um aglomerado de cafés e restaurantes, onde pudemos beber mais um doce e saboroso chá de menta, numa esplanada. Enquanto bebíamos o chá com a calma vagarosa que nos habituámos em Marrocos, ecoava do minarete o forte muézin que chamava os fiéis à oração. Aos poucos, até aquela sonoridade entoada cinco vezes ao dia, marcava já o nosso ritmo de vida.
Nesta bela terra, até as pessoas são mais calmas, não há tanto regateio nas compras e não nos aborrecem quando não queremos comprar nada. São tranquilas, simpáticas e respeitadoras, não andam atrás de nós como em Marraquexe, Fez ou Tetouan. Reflectem a serenidade dos tons azuis da cidade. Em termos de pobreza e sujidade, apesar dela existir, porque passámos também por bairros mais carenciados, ela não é também tão gritante como noutras cidades que visitámos.
O hotel Madrid, onde ficámos alojados era também um autêntico mimo, acolhedor e confortável, embora sem luxos. A área de estar e de pequeno-almoço era colorida com mesas de madeira e tecidos a combinar, e os quartos, com camas com dosséis cor-de-rosa, pareciam quase quartos de princesas. Depois de um longo dia soube bem "aterrar" naquele palácio da terra da fantasia.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
7º Dia: Meknés
Ao entrarmos em Meknés, uma grande multidão aguardava já o rei, com bandeiras, instrumentos musicais, assim como cavaleiros montando belos cavalos enfeitados. Foi difícil encontrar o caminho para a medina até porque muitas ruas estavam fechadas, devido à chegada do rei, fazendo aumentar o trânsito e a confusão. Mas, por fim lá acabámos por encontrar o caminho e deixar o carro à entrada da medina.
Meknés é actualmente a quinta maior cidade de Marrocos, com 450.000 habitantes. Tal como Fez, a cidade apresenta três zonas bem definidas, a medina, a cidade imperial e a Ville Nouvelle.
Meknés possui uma medina mais acessível do que Fez, tendo sido possível andar calmamente nas ruas sem guia, embora também não nos tenhamos aventurado muito para os becos e ruelas. Entrei numa loja e consegui comprar uma manta por um bom preço. Ao princípio o comerciante disse que não, que o preço que eu propunha não era suficiente, mas a verdade é que ele lá acabou por aceitar os meus 10€. De resto, às tantas, começamos a achar mais do mesmo, entre as lojas de tapetes e de marroquinaria, começava a não se ver nada de novo.
Só nos arriscámos a embrenhar-nos mais na medina, quando um dos colegas que andava à procura de instrumentos musicais, solicitou a uns homens que lhe indicassem uma loja onde isso se vendesse. Logo um deles, nos levou por caminhos mais escondidos e descobrimos o mercado. Bancas de fruta, legumes, aves, carne e peixe, cheiros intensos, gatos por todo o lado e misturados com os consumíveis. Claro que num fim, quando o homem nos encontrou a loja pediu uma recompensa.
Depois de almoçarmos, fomos ao Musée Dar Jamaï, visivelmente muito melhor daquele que visitámos em Marraquexe. Este está instalado numa bonita residência construída em cerca de 1882, incluindo cornijas de madeira pintada, um telhado de telas verdes e um pátio com dois lagos. Apresenta colecções de cerâmica, tapetes, trajes, joalharia, metalurgia e ainda a reconstituição de uma sala marroquina. Trata-se de um belíssimo palácio.
No fim do dia tivemos o nosso ponto alto e cómico da jornada. Quisemos sair do parque de estacionamento sem pagarmos… Não nos tínhamos apercebido que este era pago e quando vimos vir o arrumador, pensámos nem pensar, estamos fartos de gorjetas…e arrancámos com o carro. Eis quando, o arrumador vem atrás do carro e começa a bater no mesmo, dizendo «L’argent!». Aí, nós parámos o carro, olhámos com ar de parvos e fizemo-nos desentendidos, até que houve alguém que disse: «Argent… o que é o argent?...» Enfim, cena hilariante, os portugueses a quererem sair de um parque sem pagar. Quando demos ao arrumador 5 dirhams, o equivalente a 50 cêntimos, o homem olhou para a moeda desconsolado, encolheu os ombros, e acabou por aceitar, mais valia aquilo do que nada, e lá nos deixou seguir.
Ao chegarmos a Fez andámos perdidos, já não encontrávamos o caminho para o hotel, tendo indo parar a bairros sociais junto à medina, mas depois de muito andarmos às voltas, lá conseguimos sair do labirinto…. A aventura continuava!
Na última noite em Fez, decidimos jantar na zona nova, perto do Boulevard, e aproveitámos para passear na longa avenida depois do repasto.
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