terça-feira, 14 de agosto de 2018

À Descoberta das Ilhas Gregas: Creta e Santorini


Em Creta optámos por não fazer nenhuma excursão. A única oferta que a agência, que nos estava a apoiar na viagem, possuía era ao Palácio de Knossos e apesar termos interesse para visitar, achámos que os 70€ que nos estavam a pedir para ir ao museu e voltar era excessivo. Alegaram que em alternativa tentássemos arranjar mais duas pessoas e fôssemos de táxi, o que seria provavelmente em média 80€. Decidimos que quando desembarcássemos no porto da cidade de Heraklion, em Creta, logo veríamos o que fazer, pois este parecia demasiado longe do centro e talvez no porto nos indicassem um autocarro para a baixa ou na melhor das hipóteses nos indicassem um transporte que nos levasse a Knossos por um preço bem razoável.
A poucos metros do porto encontrámos logo um autocarro turístico de dois andares, que permitia ver as vistas da cidade e principais pontos atrativos, entre os quais o Palácio de Knossos, levando cerca de 20 a 30 minutos o percurso até lá, por apenas 15€. Não pensámos duas vezes, o tempo em Creta era escasso e era preciso rentabilizar a nossa estadia, aproveitando para percorrer o centro de autocarro e ir até ao Palácio, juntando-nos a outro grupo do nosso cruzeiro, oriundos de Roma, que também teve essa ideia inteligente de optar por um transporte mais barato.
Enquanto fazíamos o percurso de autocarro, fomos vendo uma cidade adormecida, sem gente, nem movimento, o que se justificava por ser domingo, às 8 horas da manhã, permitindo-nos chegar rapidamente ao destino pretendido. Por outro lado, o facto de termos feito um passeio panorâmico em Heraklion fez-nos perceber que as vistas daquela cidade não eram muito atraentes, o que me desiludiu um pouco, pois esperava que fosse mais bonita. 

Chegadas ao Palácio de Knossos pudemos contactar com uma história perdida no tempo, vendo os vestígios do seu edificado e de alguns dos seus frescos, revelados através de escavações arqueológicas nos inícios do séc. XX. Sabe-se que neste local foi construído o primeiro Palácio de Knossos aproximadamente em 1900 a. C. , tendo sido destruído por um sismo cerca de 1700 a. C., que foi posteriormente reconstruído. As ruínas que hoje é possível observar neste espaço museológico são quase todas deste segundo palácio.







Segundo a história, Knossos era a capital da Creta Minóica e este era o maior e o mais sumptuoso palácio da ilha, com mais de 1000 quartos, com muitas comodidades, com sistema de drenagem, autoclismos, estradas. Diz o mito que o palácio possuía no seu subterrâneo um intricado labirinto destinado a prender o Minotauro, representado por um meio-touro, morto por Teseu. Entre os vários pontos de atração do palácio, destacam-se o fresco do Sacerdote do Rei e a Sala do Trono - que pode ter servido de santuário, possuindo um trono de pedra original e um fresco com grifos, animais sagrados no tempo dos minóicos.
Enquanto percorríamos os vários espaços do palácio, apercebemo-nos que no recinto só poderia fazer visita guiada, apenas os guias credenciados, acumulando-se as pessoas umas em cima das outras para ouvir as suas explicações.
O tempo para visitar o museu foi perfeito para podermos apanhar de novo o autocarro que nos levou até ao cruzeiro, atracado em Heraklion. Com um período de tempo tão limitado, é sempre arriscado andar por conta própria, sobretudo quando o barco tem hora marcada para sair, mas felizmente deu tempo para tudo e no horário certo o cruzeiro zarpou para Santorini.
A tarde correu num ápice e quando demos por isso, aproximávamo-nos de Santorini, uma ilha imponente, vulcânica, em forma de crescente com arribas altas e escarpadas. Ao olhá-la de longe, ainda do barco, faz-nos sentir pequenos, vendo em cima as casas brancas, abobadadas, empoleiradas nas falésias de Firá, adornadas com tons de azul turquesa, as estradas em ziguezague que prometem vertigens, a rudeza selvagem das falésias que se erguem a pique e o minúsculo porto de Skala Firón, 270 metros abaixo de Firá.

  
Chegámos ao pequeno porto de lancha, os cruzeiros ficam sempre atracados longe da ilha. Esperava-nos uma subida dramática de autocarro, em estradas de curvas apertadas e cirúrgicas, com uma vista que alcança o céu e abraça o mar, imprópria para quem tem medo das alturas, como eu. Mas cada lance de estrada que se sobe promete mais, e naquele compasso de tempo, autocarros sobem e descem lado a lado, em duplo sentido. Os motoristas são os verdadeiros heróis naquela missão quase impossível. 











Chegados a Firá, a viagem de olhos fechados até ao topo justifica-se. Ali, na ilha que há quem acredite ser o antigo reino da Atlântida, encontramo-nos na caldeira do vulcão e no meio de tanta gente que percorre as ruelas sinuosas, a paisagem impõe-se vendo o mar imenso que se estende à nossa frente, o nosso cruzeiro lá bem longe, parece um ponto pequeno no firmamento, e sob a encosta as casas que se apinham e se sobrepõem com os seus terraços, transformados agora em spas e hotéis, com piscinas e jacuzzis de tirar a respiração. Santorini, pintada de branco, com pormenores em azul, combina com o azul do céu e do mar, e o rosa forte das buganvílias que pendem de janelas, terraços e varandas fazem o cenário perfeito para as fotografias dos turistas, que nunca são demais, lindas que são as vistas.
Em Santorini apenas deambulámos pela cidade de Firá, absorvendo a paisagem e aproveitando para comprar alguns souvernirs. Mais uma vez o tempo era limitado e por isso houve que aproveitar para o deleite dos olhos. Dizem que Santorini é famosa por ter o pôr-do-sol mais bonito da Grécia, mas naquele fim de tarde de domingo, o sol pôs-se envolto num manto de névoa, não nos brindando com a sua beleza estonteante. Ainda assim, foi verdadeiramente um bom momento ter conhecido esta ilha, mais um sonho realizado na longa lista de sítios a visitar.

domingo, 12 de agosto de 2018

À Descoberta da Grécia : Kusadasi e Patmos


No terceiro dia da nossa viagem atracámos no porto de Kusadasi, na Turquia, localizada na costa do mar Egeu, bem cedo. Ao desembarcarmos deparámos com o seu nome escrito no alto de uma colina, ao estilo de Hollywood, para que o visitante mais distraído não esquecesse o nome da terra a que tinha chegado. As excursões organizadas pelo cruzeiro levar-nos-iam à Casa da Virgem Maria e a Éfeso, uma das mais importantes cidades greco-romanas da antiguidade.

A casa da Virgem Maria foi uma autêntica surpresa para mim, que desconhecia que a mãe de Jesus tivesse vivido na Turquia. Segundo a Bíblia, Maria, após a morte do filho, terá sido levada pelo apóstolo João para as proximidades de Éfeso onde terá vivido até à sua morte.
Localizada a cerca de 8 kms de Éfeso, no topo da montanha Bulbul, numa zona praticamente inacessível, esta casa manteve-se desconhecida durante séculos, tenso sido descoberta apenas no séc. XIX quando uma freira alemã Ana Catarina Emmerich descreveu detalhadamente a sua localização, bem como o aspeto da casa, após ter sonhado com a mesma. Estes dados terão sido facultados a arqueólogos, que acabaram por descobrir a casa no local referido pela freira.



Trata-se de um espaço muito pequeno, convertido num santuário sagrado para peregrinos católicos e muçulmanos. A casa, que agora é uma capela, é bastante pequena, toda feita de pedra, possuindo um altar com imagens de Maria e velas, e por ter sido visitada por alguns papas, podem ser vistas também no seu interior as oferendas de João Paulo II e Bento XVI. Ali respira-se uma enorme serenidade, sobretudo porque a visita foi feita antes das 9 da manhã, antes da chegada das hordas de turistas, e quem tem fé sente a energia daquele lugar, cheio de luz e de paz. Por ser um espaço sagrado não são permitidas fotografias no seu interior.
No exterior da casa, podem ser acesas velas em honra de Maria, beber-se água de um poço, cujas propriedades dizem ser milagrosas, existindo ainda um muro onde se pode deixar bilhetes de papel ou em tecido com pedidos ou preces. Tudo isto dependendo da fé de cada um tem o significado e as bênçãos que se quiser dar.
Depois de cerca de meia hora neste espaço sagrado, fomos visitar Éfeso, um autêntico colosso arqueológico, impressionante pela sua dimensão e pelos vestígios que nos deixou do período greco-romano, tendo sido uma das maiores cidades do império, chegando a ter cerca de 500 mil habitantes nos tempos de maior importância. Entre os muitos tesouros que aqui podemos encontrar destaca-se o anfiteatro romano com capacidade para 25 mil pessoas, que serviu de palco a gladiadores e animais e onde S. Paulo terá pregado e divulgado a palavra de Jesus Cristo. Foi também aqui nesta cidade que viveu o filósofo Heraclito. 

Outro aspeto a salientar é o templo de Artémis, (denominada de Deusa Diana pelos romanos). Este terá sido construído no séc. IV antes de Cristo e foi o maior templo do mundo, consagrado à Deusa da Caça e dos animais selvagens. 

Caminhar por estas ruas de empedrado em mármore é  um verdadeiro privilégio, é sentir as vozes do passado da nossa história, a história que lemos nos livros e na escola, e que ali é observada ao vivo através das marcas do tempo nas pedras que pisamos. Aí encontramos templos ou o que resta deles, como o Templo de Adriano; a impressionante Biblioteca de Celso, de três andares, a Fonte Trajano, e outros pórticos interessantes, guardados agora pelos gatos que aí vivem em comunidade.




Biblioteca de Celso

Antes do regresso ao barco houve tempo ainda para uma estratégia comercial de última hora, bem ao estilo dos turcos, levando-nos sem estarmos à espera, como se um rapto se tratasse até um local onde assistimos a um desfile de passagem de moda, de casacos em pele, tão lindos como extraordinariamente caros, mas com um preço de amigo, como o turco gosta de apregoar, sujeito a regateio. Nesse aspeto, ir à Turquia e não assistir à sua habilidade comercial, era quase como ir a Roma e não ver o Papa. Negócio bom para quem levava a carteira recheada, um tempo que acabou por ser excessivo, à conta dos que acabaram por comprar e demoraram na negociação.




Retomando ao cruzeiro houve tempo para descansar, tendo como próxima paragem Patmos, ilha grega situada no grupo do Dodecaneso, localizada na extremidade leste do mar Egeu, a 50 kms da Turquia.Chegados ao fim da tarde a Patmos, a atração para muitos seria visitar o Mosteiro de S.João, localizado no topo de uma colina, construído no século XII em homenagem a João Evangelista, ou a Gruta do Apocalipse, onde o apóstolo teve a visão e ditou o Livro do Apocalipse ao seu discípulo Prócoros. A nossa escolha acabou por ser a mais óbvia de todas, um banho salgado nas praias da ilha, pois entre tanta oferta cultural, ainda não tinha possível pôr o pé nas águas gregas. A experiência foi um pouco mais gélida do que esperava, equiparando-se a temperatura um pouco à da Costa da Caparica, o que para quem esperava um doce, calmo e quente banho, acabou por ser mais breve do que o esperado.




A noite acabou com um jantar bem comido e regado no restaurante do barco, e com um magnífico espetáculo pela companhia da Celestyal Olympia, que todos os dias tinha um tema diferente, com música, malabarismo, dança e muita animação.
Em alto mar, a viagem seguiu para Creta, onde tínhamos mais uma parte do nosso passado, história e mitologia para descobrir.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

À Descoberta da Grécia : Mykonos


No dia seguinte, a manhã começou cedo, com o transfer para o porto de Piréus, em Atenas, tendo parado em vários hóteis para recolher os outros passageiros que iriam seguir a viagem no cruzeiro, de três dias pelo mar Egeu e ilhas gregas. Ao chegar ao porto, o processo de embarque foi um pouco demorado, com as formalidades todas necessárias, bem como o controlo de segurança. Apesar da demora sentia-me entusiasmada e com uma grande expectativa sobre como iriam ser aqueles três dias no mar a visitar algumas ilhas gregas, afinal era a primeira vez que viajava num cruzeiro. 
 

Perto das 11h00 finalmente embarcámos no Celestyal Olympia, seguindo-se o habitual exercício de salva-vidas a bordo no convés, onde todos tivemos que experimentar os coletes salva vidas e ouvir as instruções a tomar em caso de necessidade de evacuação do barco. Todos vestidos daquela forma, não sabia se rir, se ter medo de um possível risco daquela situação caricata se poder tornar real, por isso logo que pude tirá-lo senti um enorme alívio.





O dia seguiu calmamente servindo para usufruir das comodidades do cruzeiro, da pequena piscina, localizada no nono andar, do bar, do descanso, da leitura. O nosso destino seria Mykonos, localizado no grupo das ilhas cíclades, onde chegaríamos perto das 18h15. Até lá era aproveitar a animação  e os prazeres da mesa a bordo, dormitar e subir e descer os 6 lances de escadas que distavam entre a piscina e a cabine em que estávamos instaladas no terceiro piso. Entre tanta comida à discrição e a minha vontade de comer sempre deu para fazer algum exercício.

Ao desembarcarmos em Mikonos, seguimos em autocarro até Chora, a capital da ilha. Andámos sempre em grupo para que pudéssemos visitar a cidade sem nos perdermos, pois o seu traçado é labiríntico, cheio de ruas apertadas e emaranhadas, vielas e becos, ao que parece para desafiar o vento e os piratas, surpreendendo-nos com recantos belíssimos, com casas pintadas de branco, de portas e janelas azuis, que contrastam com o rosa forte das buganvílias suspensas em janelas e varandas. Tudo tem um toque sofisticado nestas ruas, a começar pelas lojas de marcas caras, pelas pessoas endinheiradas que circulam. A beleza rústica do local mistura-se com uma certa superficialidade mundana dos produtos que se vendem, que nada são caraterísticos da região. 

 Levados pela guia turística que nos acompanhou nos três dias do cruzeiro, também da Star Helenic, fomos descobrindo recantos e lugares que nos arrancavam alguns suspiros de admiração, desembocando na mítica Little Venice, herança da influência veneziana na Grécia,  conhecida pelos seus restaurantes e pelas casas com as suas varandas altas, debruçadas sobre o mar. Ali não faltam estabelecimentos de restauração, lojinhas, bares e sobretudo turistas, que se acotolevam nas pedras junto ao mar pelo melhor spot para tirar uma foto de recordação. 


 
Um pouco mais em cima, estão localizados os moinhos de vento, outro ex-líbris de Mykonos. Trata-se de 16 moinhos, que foram construídos no século XVI para moer grãos, e que hoje servem apenas para ilustrar os postais e as fotografias. Todos estão voltados para Litlle Venice, e por se situarem numa pequena colina tem-se dali uma vista espetacular sobre o mar.





Apesar de não termos visto o Petro II, o pelicano que se passeia nas ruas de Chora, e é uma interessante atração, passámos ainda pela igreja azul e pudemos contemplar um dos mais bonitos pores do sol que vi na Grécia, que me encheu a alma e o coração e o tornaram por isso inesquecível.
De regresso ao Cruzeiro, a viagem seguiu mar adentro, enquanto dormíamos. A próxima paragem seria no dia seguinte, em Kusadasi, já em terras turcas.

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