quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Portugal um Retrato Social

Uma bela banda sonora de Rodrigo Leão, para um dos trabalhos em documentário mais notáveis dos últimos tempos, de autoria de Álvaro Barreto.


terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Um quadro inspirador

The Singing Butler - Jack Vettriano
Um quadro inspirador...onde podemos levar longe o pensamento, embalarmo-mos no som ritmado das ondas, na voz do mordomo que canta, nos passos mágicos dançados a dois... fechar os olhos e voar...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008


Em véspera de aniversário, de uma data muito assinalável, pois trata-se do meu 35º aniversário, deixo ficar um poema belíssimo do Pessoa, esperando e desejando que nunca da minha boca saiam palvras de tamanho infortúnio como estas... a propósito dos aniversários que virão...Que eles tragam sempre alegria e bons motivos para gostar de viver!


Álvaro de Campos
Aniversário


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Em obras...


Quem lê com alguma frequência este blogue decerto já reparou que a sua autora anda a escrever muito menos do que é normal. Desde já, acrescento que não desisti do projecto, mas digamos que ando numa fase de obras... não me sendo permitido desviar de certos rumos demasiado rectilíneos. Neste momento tudo gira em torno da casa nova, das coisas que a compõem e das suas novidades. Por outro lado, encontra-se no final o curso de pós-graduação que encetei em 2006, (que sinceramente já começa a cansar e a entusiasmar muito pouco -que me perdoem os professores, mas é a dura realidade!!!)e por isso há que concentrar forças nesse objectivo. Com isto tudo sobra pouco tempo para a criatividade, para a escrita, para a imaginação à solta, e como sinto falta dela...Por isso vou aguardando ansiosamente o fim de Fevereiro para voltar a ter vida... para respirar fundo e começar a dar valor às pequenas coisas, porque no fundo são aquelas que importam mais...
Até breve!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Gatos

«Espelhos não são mais silenciosos,
nem mais furtiva a alva aventureira;
sob a lua, tu és essa pantera que de longe avistamos, cautelosos.
Por obra indecifrável de um decreto divinal,
procuramos-te vãmente;
mais remoto que o Ganges e o poente,
são teus a solidão e o mais secreto.
Teu lombo condescende com a amorosa carícia desta mão,
já admitido tens desde a eternidade que e olvido todo o amor da mão tão receosa.
Em outro tempo estás.
És tu o dono de um âmbito fechado como um sonho.»


Jorge Luis Borges em «Assinar a Pele»

Hoje deixo aqui o repto para salvar estes animais, pois estão mesmo a precisar. Quem gostar de bichanos não hesitem...
Para mais informações, visite este blog http://www.os118.blogspot.com/


Como ajudar?


AJUDA IMEDIATA EM GÉNEROS:- Ração e latas (há uma ala com cerca de 25 gatos que não conseguemcomer ração devido aos problemas de gengiva e dentes) - Desparasitantes internos (há muitos gatos a vomitarem lombrigas) - Medicamentos: Actidox/Vibramicina, orydermil/panolog, algodão,cotonetes, vitaminas, caixas de seringas, agulhas, Prididiar ou DimicinaPara ofertas em géneros pode contactar a Cristina Rino, através do endereço electrónico: cristina.rino@gmail.com
AJUDA MONETÁRIA:
Quem puder ajudar com euros, poderá fazê-lo através do NIB do Felinus cujo nr. é:
CONTA - FELINUS (NIB: 0035 0259 00008023600 65 ou
Número da conta na CGD é 0259 008023600). Quem enviar donativos não esqueça de enviar também e-mail para o Felinus (donativos@felinus.org) com a indicação 118 gatos.


O QUE PRECISA SER FEITO- Esterilizar fêmeas para o qual precisamos donativos e veterináriosque façam preços especiais.- Fazer anúncios de adopção, divulgação, encontrar FAT ou donos paraestes animais- FAT para os bebés (há 3 bebés ariscos e 3 bebés com cerca de 5 meses mas têm corpo de 2 e são 1 doce) - Ajuda nas limpezas.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

1º Dia do ano

Assusta-me cada vez mais pensar na terceira idade, saber que caminho para lá, como de resto toda a minha geração, sem grandes expectativas de protecção social, de amparo, ou assistência familiar.
Preocupa-me sobretudo, quando me deito e quando ao adormeceu oiço os gemidos da minha vizinha de baixo de 96 anos, que vive sozinha com uma empregada com quase a mesma idade do que ela e completamente surda.
Nesta primeira noite do ano, algo se passou de diferente. Depois de uma noite bem passada no Atlântico com os Gatos Fedorentos, de muita animação e de muito poucas horas de sono, acordei subitamente. Achei estranho o porquê daquele inesperado despertar, pois nada me tinha levado a isso. Deitada na cama, questionei o motivo, mas a verdade é que passado alguns minutos eu acabei por perceber. Foi algo quase sobrenatural, confesso, como se me respondessem à minha pergunta e à minha inquietação. Não tardou a ouvir um estrondo e depois desse um gemido em escala crescente, um grito de ajuda que ecoou por todo o prédio. Numa fracção de segundos eu percebi tudo o que acontecera, a minha vizinha idosa acabara de cair da cama e eu ali impotente, sem saber o que fazer, e se fosse tudo produto da minha imaginação, e se não fosse mais do que o habitual suplício que oiço com pesar ao longo dos últimos meses? Mas, não, eu sabia que não podia ficar parada, os gritos de ajuda batiam cada vez mais dentro da minha consciência. Corri ao quarto da minha mãe, expliquei-lhe a situação e acorremos ao andar de baixo a bater à porta insistentemente. Do outro lado, apenas o desespero se ouvia e nós ali sem saber o que fazer. A outra senhora dormia sem ouvir nada… A única solução era ir tentar acordar alguém que pudesse chamar o filho dela e viesse acudi-la rapidamente.
A ajuda só chegou mais de meia hora depois, pois este vive longe. E mesmo assim não foi fácil, teve de arrombar a tranca, que as fechava por dentro, teve de ter sangue frio, para ouvir a mãe implorar para que a salvassem.
Quando entrámos o cenário era mesmo aterrador, a senhora deitada no chão, cheia de sangue, sem forças, pálida, a tremer de frio…. O 112 não tardou a chegar para a socorrer.
Confesso que esta situação me deu a volta ao estômago, não esperava acordar com ela àquela hora da manhã, mas mais do que isso, fez-me pensar que eu não quero acabar assim… Que vida esta para a maioria dos nossos idosos, em que a maioria dos filhos não pode tomar conta dos pais…O que seria daquela senhora, se não houvesse ninguém que desse o sinal de alerta? Quantos e quantos não vivem na mais completa solidão, sem a menor réstia de esperança, de carinho de consolo?
Confesso que esta cena me comoveu e se eu aqui a partilho é apenas porque acho que não podemos ficar indiferentes a este tipo de situação, temos de ser responsáveis, de agir, de ajudar, quando ouvimos o apelo. Na verdade, chocou-me a apatia dos meus vizinhos que praticamente não compareceram à chamada, não vi praticamente ninguém vir á porta, e se havia barulho no prédio, Meu Deus!
Regressei à cama, mais tranquila, pelo menos tinha cumprido a minha missão, aquela que me fizera acordar!