domingo, 30 de setembro de 2007

MODOS DE APARIÇÃO DAS ARTES NA ESCOLA, NA CASA E NA VIDA DAS COMUNIDADES

«A ARTE DE EMALAR AS ARTES», 29 DE SETEMBRO, CCB

«Que sensação estranha!, disse Alice, devo estar a encolher-me como um telescópio!
E assim era, realmente, só tinha agora vinte e cinco centímetros de altura, e o rosto iluminou-se-lhe com a ideia de que já estava com um bom tamanho para passar pela portinha que ia dar ao maravilhoso jardim.»

No passado sábado decorreu esta oficina «A arte de emalar as artes», no CCB, integrando-se num conjunto de outros encontros, que irão decorrer ao longo do ano lectivo, destinados a artistas, professores, pais e pessoas interessadas. Esta oficina a que assisti foi apresentada por Madalena Victorino, com a participação de alguns actores e uma bailarina.
O tema desta sessão versou sobretudo uma reflexão em torno do modo como as artes podem entrar no quotidiano das pessoas, no seu crescimento, fora dos espaços onde estão confinados, como os museus e os teatros. E no caso da literatura é engraçado como é possível trabalhar os livros com as crianças, seja a partir da dança, do teatro, de músicas, desde que haja inspiração e imaginação. E nessa tarde Madalena Victorino, tentou dar mostras dessas infinitas possibilidades.
Um dos temas abordados, em algumas das actividades foi a obra da «Alice no País das Maravilhas» de Lewis Caroll. A partir do fragmento da vertigem de Alice, de quando ela entra no mundo das maravilhas atrás do coelho, foi possível assistir a uma peça de teatro, onde a actriz e bailarina efectuava uma coreografia da própria vertigem, cabendo-nos a nós público desenhar a sua vertigem, pintá-la com aguarela (não com uma água qualquer mas com a água do chá de Alice, aquele que quando se toma o tempo pára) e depois recortar a vertigem e guardá-la numa caixa. Além disso, ainda foi possível construir castelos de baralhos de cartas sobre uma base de areia. Estas simples actividades dão matéria para ateliers inesgotáveis com as crianças, onde se podem abordar os mais variados temas, basta como disse, que haja criatividade.
O resto da tarde foi ocupado com outro tipo de práticas artísticas aliando a música à escrita criativa, à imagem e à dança. O tempo passou a correr naquela tarde chuvosa, mas fica um consolo, a aprendizagem que se ganhou.


Para mais informações sobre outras oficinas:
http://www.ccb.pt/sites/ccb/pt-PT/MaisNovosFamilia/Adultos/Pages/Adultos.aspx

sábado, 29 de setembro de 2007

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Sugestões de fim-de-semana

De 28 a 30 de Setembro decorrem as Jornadas do Património. Aproveite a ocasião para visitar ou revisitar um dos nossos museus, pois alguns deles possuem mesmo algumas actividades interessantes em que poderá participar.
É também este fim-de-semana que reabrem as galerias subterrâneas da rua da Conceição e da Rua da Prata, na Baixa Pombalina. Aconselho a todos os que não conheçam para irem, mas vão cedo… pois apesar de abrirem às 10h da manhã, as longas filas começam logo muito cedo.
Em Lisboa irão existir actividades no Mosteiro dos Jerónimos, na Torre de Belém, no Palácio Nacional da ajuda, na Igreja de S.Roque, no Panteão Nacional, no Reservatório da Mãe D’Água das Amoreiras, na Assembleia da República, entre muitas outras…

Em Sintra as iniciativas são as seguintes:

28 de Setembro
10h00m: ROTEIRO CULTURAL - Circuito pedonal ao Centro Histórico da vila de Sintra.
14h30m: ROTEIRO CULTURAL - Circuito pedonal ao Centro Histórico da vila de Sintra.

29 de Setembro
11h00m: "PERCURSO DA PENA" (Ponto de encontro - Portão dos Lagos)
11h30m: "PERCURSO ARQUITECTÓNICO RAUL LINO" (Pontos de encontro - Casa de Cipreste, Rua do Roseiral, São Pedro de Sintra)
11h30m: "PERCURSO PAISAGISTICO ALFREDO KEIL" (Ponto de encontro - Adega Visconde Salreu, Colares)
15h00m: Apresentação do projecto "SINTRA O OUTRO LADO DO PATRIMÓNIO - CAMINHOS DA CULTURA" (Palácio Nacional de Sintra)
15h00m: PERCURSO “À DESCOBERTA DOS PARQUES” (Ponto de encontro - Portão princípal do Parque da Liberdade)
16h00m: "EVOCAÇÃO DE BAILE RENASCENTISTA" - Apresentação de danças renascentistas com reproduções de trajes da época (Palácio Nacional de Sintra)

30 de Setembro
11h00m: PERCURSO “À DESCOBERTA DOS PARQUES” (Ponto de encontro - Portão princípal do Parque da Liberdade)
11h00m: "PERCURSO LITERÁRIO HANS CHRISTIAN ANDRESEN" (Ponto de encontro: Palácio de Valenças)
11h00m: "PERCURSO DE SANTA MARIA" (Ponto de encontro - Palácio Nacional da Vila)
11h30m: "PERCURSO ARQUITECTÓNICO RAUL LINO" (Pontos de encontro - Casa de Cipreste, Rua do Roseiral, São Pedro de Sintra)
11h30m: "PERCURSO PAISAGISTICO ALFREDO KEIL" (Ponto de encontro - Adega Visconde Salreu, Colares)
15h00m: "PERCURSO LITERÁRIO HANS CHRISTIAN ANDRESEN" (Ponto de encontro: Palácio de Valenças)
INFORMAÇÕES E MARCAÇÕES:
Informações e inscrições para a Evocação de Balie Renascentista: telf. 219 236 101

Informações e inscrições para a apresentação do projecto "Sintra - o Outro Lado do Património": telf. 219 236 109Informações e inscrições para os roteiros: telf. 219 238 822 (sector roteiros)Informações e marcações prévias para visitas a monumentos: telf. 21 923 86 01

Outras sugestões ligadas ao património:
Visite a página do IPPAR e conheça as opções perto de si!
http://www.ippar.pt/pls/dippar/agenda_detalhe?xcode=11762908

O Museu Berardo é outra sugestão que vos deixo. O CCB é sempre um local bem aprazível e esta exposição é bastante interessante. Na última vez que lá fui passei horas nas suas instalações. Aproveitei para almoçar calmamente e assistir a um espectáculo musical na Praça do Museu. Optei por uma visita guiada geral, que aconselho vivamente, pois permite-nos um olhar condensado daquela realidade artística tão diversificada e tão complexa que é a arte moderna. A guia que me guiou na visita, a Teresa Cardoso revelou-se muito expressiva, comunicativa, elucidando as dúvidas que surgiam e explicando os contextos das obras presentes mais importantes. O facto dela incentivar ao diálogo tornou o ambiente mais descontraído e permitiu que as duas horas se tornassem menos “secantes”. Aí podemos encontrar nomes consagrados como os de Picasso, Dali, Warhol, Marcel Duchamps, Paula Rego, Helena Almeida entre muitas outras.
Até Novembro a entrada é gratuita. A partir dessa data, a montagem da exposição será diferente, com obras diferentes, de acordo com um outro discurso expositivo.

Pablo Picasso, Femme dans un Fauteuil, 1929 Salvador Dali, White Aphrodisiac Telephone, 1936
Andy Warhol, Judy Garland, c. 1979 Paula Rego, The Barn, 1994 Helena Almeida,Sem Título (18 fotografias a p/b), 1996-97

A todos os interessados, informa-se que em Beja decorre este fim-de-semana, o «Festival do Amor».
Este irá decorrer na Praça da República, onde irá decorrer uma “feira do amor” com barraquinhas de beijos, tasquinhas com petiscos afrodisíacos, pontos de venda de livros e de discos relacionados com o tema do festival, serviços de astrologia e cartomancia, doces conventuais, etc.

Existirão também mais de duas dezenas de eventos culturais entre workshops de artes orientais, leitura e escrita criativa erótica, espectáculos de dança do ventre, teatro com “as vampiras de sodoma” e a peça “é por aqui”.
Na música a confirmação do consagrado humorista e fadista “Rouxinol Faduncho”, a presença de “Adi Cudz” novo valor da música portuguesa, são algumas das presenças confirmadas nesta edição.

Em Lisboa acontece também na FIL a PetShow, que pretende incentivar o convívio de animais de estimação, onde haverá a maior exposição de répteis e espaços para adopção de animais.

Um fim-de-semana em cheio… claro!

«O brincador» de Álvaro Magalhães


Hoje deixo-vos com estas lindas palavras do livro «O Brincador», de Álvaro Magalhães, com ilustrações de José de Guimarães. Um belíssimo livro para míudos e graúdos, que descobri nas bancas da feira do Livro em Beja.


«Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja no que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador...
A mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: “é assim a vida”. Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: “Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras.»



O Brincador,
Texto de Álvaro Magalhães
Ilustrações de José de Guimarães
ASA Editores,
S.A.2005, 64 pp.
ISBN: 972-41-4448-8
http://www.asa.pt/

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Curiosidade...



Antes de pensar trair virtualmente o seu conjuge pense duas vezes... nunca se sabe quem estará do outro lado!! Este é um caso bastante irónico!

domingo, 23 de setembro de 2007

IX Palavras Andarilhas, Beja

Como tinha referido, no post anterior, eis-me recém regressada de Beja, onde tive a oportunidade de participar na nona edição das Palavras Andarilhas.
Trata-se de um acontecimento anual deveras importante que reúne gente das letras, dos livros e contadores de histórias. Aí o tempo é vivido com intensidade, numa espécie de limbo, onde a realidade não impera e não dita regras. Predomina a fantasia, o universo onírico dos contos, do sonho, da imaginação, onde o mundo das crianças e o dos adultos não conhece fronteiras, nem limites.
Depois de três dias nessa esfera ainda trago comigo muitas palavras, tantas que parecem ecoar na minha cabeça, a um ritmo veloz.
Falou-se muito na importância da promoção da leitura, num tempo em que esta parece ainda estar em crise, sobretudo entre os jovens e os adultos e na necessidade de transmitir esse gosto desde a mais tenra idade.
A comunicação de Daniel Pennac, autor da obra «Como um romance», foi nesse sentido muito eloquente, transmitindo-nos a sua experiência de docente e de educador da leitura. Outras comunicações igualmente brilhantes foram as de Ana Garcia Castellano, maderilena, e de José Luís Polanco, de Santander, entre outros. Deixo aqui o contributo destes dois nomes por terem sido as que mais apreciei.

«Como me contam os contos» - Comunicação de Ana Garcia Castellano

Ana Garcia Castellano é uma exímia contadora de histórias e além de contar, ela falou-nos da importância dos contos na sua vida, afirmando que estes ajudam-na a viver, contam-lhe a própria vida, explicam-na, recriam-na, fazem dela distintas pessoas, salvam-lhe a vida. Diz que os contos têm tal poder na boca, nos olhos de uma pessoa, que a ajudam a manter-se viva. Segundo Ana, quando ela conta sente-se livre e feliz, os contos ensinam-lhe a conhecer o sentido das coisas, pois como ela própria diz, «depois do bosque há sempre uma casa iluminada!».
Continuando, Ana Garcia Castellano defendeu que os contos são uma linguagem secreta, uma velha mentira linda, que só eles podem conter. Porém, os contos também dizem coisas que nem sempre queremos escutar, por isso nem sempre a deixam tranquila, enquanto contadora, fazem-na pensar no mundo, utilizam-na para serem contados. Por esse motivo, remata a comunicação dizendo que os contos necessitam dela tanto como ela precisa deles. Ela é o elo intermediário, diz o que eles lhe contaram; desvela-os, revela-os, descodifica-os. Os contos levam dela toda a energia negativa, são por isso uma espécie de alquimia mágica, misteriosa, como uma força catártica que expulsa todos os seus maus pensamentos.

«O Rumor da Leitura» ideias gerais da comunicação de José Luís Polanco
José Luís Polanco esboçou algumas ideias sobre a importância da leitura que considero autênticas pérolas. Este professor defende a utilidade de um tempo dedicado à leitura, de pausa, com alguma lentidão e parcimónia, que se revele uma surpresa e descoberta, onde o tempo real vá cedendo ao tempo da ficção. Um momento marcado pelo silêncio, que permita aos leitores a magia da ligação a um mundo desconhecido, pois a leitura é sobretudo um acto de solidão. José Luís Polanco entende a leitura como uma viagem, onde nos podemos perder do mundo de todos os dias, ajudando-nos a sermos mais despreocupados e felizes, embora também nos faça tomar consciência da nossa condição humana. A leitura desperta assim a curiosidade, dá-nos ânsias de vivermos outras vidas, ensina-nos a sentir.
Neste sentido, José Luís Polanco atribui muita importância ao promotor da leitura, devendo ter características sedutoras, ensinar a escutar, a dar novos desejos às almas rudes. A arte da leitura não faz mais do que enriquecer cada um de nós, procurando que cada um seja o que é. É pois um caminho difícil de adivinhar, feito de aproximações e distâncias, onde são os viajantes que o devem alcançar, os mediadores apenas devem dar pistas.
«Deixemos que os livros falem, os professores não têm de estar sempre a mostrar o que sabem. Os livros exigem assim uma lenta degustação, um deleite. Estimulam a fantasia, a reflexão e também o pensamento. São um espaço de conversação com outras vozes, diálogos com outras partes de nós mesmos que desconhecíamos.» Para isso basta tempo e silêncio!
«O cante dos contos»
Um dos momentos altos deste encontro foi o «Cante dos Contos». Organizados pelas iniciais dos seus nomes, os participantes organizaram-se em grupos de quatro e em densas filas caminharam pela cidade de Beja, até à Praça da República, onde estava sitauada a Feira do Livro, entoando uma ladainha, da qual aqui cito apenas o refrão. Foi uma experiência engraçada, divertida e original. Uma forma diferente de manifestação… pela leitura, pelo poder da palavra escrita!


«Na cidade de Beja há uma rua
Na Rua há uma casa
Na casa há uma escada
No cimo dela uma porta
Essa porta dá para um largo
Um largo cheio de estantes
Nas estantes um mar de livros
Nos livros um mar de linhas
Nas linhas um mar de vozes

Que contam (…)».


O consultório de Contos...

Na Praça da República, onde decorria a Feira do Livro, numa farmácia antiga já desactivada, improvisou-se um consultório onde as receitas para as maleitas eram contos... Na sala de espera amontoava-se gente, havia uma assistente que importunava os pacientes, dizendo que estava com tensão pré-mestrual, gritava por um chocolate... era a loucura total! Se não fosse isto uma improvisação teatral, mal de nós! Mas ali, podíamos rirmo-nos de tudo aquilo, pois era tudo faz de conta, como na infância. No fim, um médico ouvia pacientemente os nossos males e contava-nos o conto que ele achasse apropriado para o nosso mal. Imaginação não faltava por estes lados!

http://contabandistas.no.sapo.pt/

As noites...

As noites foram repletas de contadores de histórias. No primeiro dia, houve estafeta de contos, aberta a quem se tivesse inscrito previamente. Cada um dos participantes tinha apenas 3 minutos para mostrar o que valia. Entre nervos e valentias, as histórias sucederam-se a um bom ritmo, muitas porém não tiveram fim, pois quem ultrapassava os 3 minutos era simplesmente expulso do palco. Houve histórias de monstros debaixo da cama, de girinos e lagartas, a história do Alberto (que afinal ninguém sabia quem era), a do país onde todos eram ladrões, a do crioulo da cachupa, entre muitas outras e outras….

As noites restantes foram reservadas a contadores profissionais, que nos ofereceram momentos inesquecíveis, com protagonistas sobretudo espanhóis, tais como o «Colectivo Fábula», Maria Molina, Ângelo Torres (Portugal), Carolina Rueda (Colômbia), Ana García Castellano, entre muitos outros.

A quem estiver interessado, há mais para o ano…!

Mais informações:
http://www.cm-beja.pt/

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Vou-me embora…


Depois de uma curta passagem por Portalegre na Segunda-Feira, eis-me novamente de malas feitas para o Alentejo! Vou participar no evento das «Palavras Andarilhas», na Biblioteca de Beja, sobre o qual espero aqui pode partilhar convosco. Para já o tempo é de andarilhar!!!


Vou-me embora, vou partir
Vou para essa
Terra árida,
Seca e solitária,
Onde o sol queima, mata e sufoca
O corpo e a alma.
Quero sentir as raízes daquela gente sofrida que chora cantando,
que traz na alma a nostalgia e a saudade
e nas gargantas rouxinóis que se soltam e voam para o campo.
Quero embrenhar-me nas searas douradas de trigo,
Nos girassóis erguidos ao sol,
Quero deitar-me à sombra dos sobreiros e oliveiras,
Morar nos montes,
Beber a água das fontes,
Quero sentir a terra nos pés…
Entorpecer o corpo nas tardes longas
Quando o vento suão,
Verdadeiro sopro do deserto,
Me embala e acalenta as esperanças vencidas.
Agosto 2005

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Dalai Lama no Pavilhão Atlântico

«Só existe dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.» Dalai Lama

No passado domingo, dia 16 de Setembro, Dalai Lama deu uma conferência no Pavilhão Atlântico, subordinado ao tema, “O Poder do Bom Coração”, a que tive o privilégio de assistir.
Nos dias que correm, onde a insatisfação reinante não se colmata com a aquisição dos bens materiais tão aclamados como a fonte da felicidade da nossa necessidade, é importante tirar alguns momentos destes nas nossas vidas para reflectir sobre a forma como a estamos a conduzir. O caminho é tortuoso, cheio de espinhos, de incertezas, de crises existenciais, de inseguranças laborais e afectivas, mas é importante saber que nós podemos todos ser felizes se trabalharmos para isso. Na verdade é o poder do nosso coração que nos pode iluminar, o bem que praticarmos ser-nos-á retribuído, nem que seja através de um sorriso. É bom despojarmo-nos e entregarmos a nossa boa vontade a favor do nosso próximo, mas tal tarefa, nem sempre é fácil. O ser humano tem tendência para dificultar tudo e mesmo não gostando de viver em guerra e querer paz, o certo é que os conflitos estão espalhados pelo mundo inteiro.
A mensagem do Dalai Lama, para termos compaixão pelos outros, (não o mesmo que pena, mas de respeito, de cuidado, de entrega) espero que semeie em nós caminhos de esperança, nestes dias tão difíceis que vivemos, onde a felicidade é facilmente enganadora. Como o grande Lama diz, esta não pode ser encontrada por motivos externos, mas sobretudo dentro de nós.

DICAS DO DALAI LAMA - INSTRUÇÕES PARA TODA A VIDA

1. Leve em consideração que grandes amores e conquistas envolvem grande risco.

2. Quando você perde, não perca a lição.

3. Siga os três R' s:

* Respeito a si mesmo.*

*Respeito aos outros.*

*Responsabilidade por todas suas acções.*

4. Lembre-se que não conseguir o que você quer é algumas vezes um grande lance de sorte.

5. Aprenda as regras de maneira a saber quebrá-las da maneira mais simples.

6. Não deixe uma disputa por questões menores ferir um grande amigo.

7. Quando você perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para corrigi-lo.

8. Passe algum tempo sozinho todos os dias.

9. Abra seus braços para mudanças, sem abrir mão de seus valores.

10. Lembre-se que o silêncio é algumas vezes a melhor resposta.

11. Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e pensar no passado, poderá obter prazer uma segunda vez.

12. Uma atmosfera de amor em sua casa é o fundamento para sua vida.

13. Em discordâncias com entes queridos, trate apenas da situação corrente. Não levante questões passadas.

14. Compartilhe o seu conhecimento. Esta é uma maneira de alcançar a imortalidade.

15. Seja gentil com a terra.

16. Uma vez por ano, vá a algum lugar que você nunca esteve antes.

17. Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor mútuo excede o amor que cada um precisa do outro.

18. Julgue o seu sucesso por aquilo que você teve que abrir mão para consegui-lo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Primeiro dia de aulas... em Outubro de 1979!



Naquele dia levantara-me mais cedo. Sentia-me ansiosa e inquieta, pois era o meu primeiro dia de escola. O acontecimento fazia-me sentir importante, como se de repente ascendesse ao mundo dos adultos, ganhando novas responsabilidades, novos ritmos e horários. Era a primeira vez que saía das saias da mãe, a primeira vez que teria de enfrentar o mundo por mim mesma, de aceitar desafios e acatar ordens de outra pessoa, que não os meus pais. Porque o dia pedia solenidade, a minha mãe costurou-me de propósito uma bata, de uma brancura imaculada e comprou-me uma sacola nos Armazéns do Chiado, de pendurar aos ombros, a condizer, de cor beije, com o Mickey e um urso polar. Para registar esse momento histórico, o meu pai decidiu fazer uma filmagem, numa máquina super 8, para que nunca mais se esquecesse essa etapa da minha vida. Ele, da varanda, captava a minha alegria estampada no rosto, e a vivacidade do meu caminhar. De mão dada com a minha mãe, subia a Rua Nova do Almada em passo apressado, virando-me de vez em quando para dizer adeus ao meu pai, cheia de satisfação e de vaidade. Olhando para essas imagens, vivo de novo essa emoção, e percebo o quanto havia na altura para aprender e descobrir, o quanto havia para viver… Na escola, que ficava apenas a cinco minutos de casa, situada no largo que conheceu Abril e de onde saiu a liberdade do país (no Carmo), a confusão era enorme. Lembro-me de ver muitas crianças, acompanhadas pelas suas mães no lance de escadas do estabelecimento, que ficava num primeiro andar. Era difícil a despedida para alguns, negando-se a cortar o cordão umbilical familiar, que naqueles tempos era ainda mais intenso do que agora, existindo uma grande maioria que ficava em casa com familiares até ao dia em que iam para a primeira classe. Talvez por isso muitos chorassem, esperneassem e se recusassem a ficar. Eu, bem pelo contrário, via naquela escola uma libertação e uma forma de conviver com outros meninos e de aprender novas coisas. Em breve, a escola tornar-se-ia o tal “campo com flores”, onde a minha professora primária, um ano mais tarde, disse à minha mãe que eu andava, alertando-a para a minha conduta demasiado espontânea na sala de aula. Tal reprimenda haveria de mudar fortemente o meu comportamento, que com o passar do tempo se alterou, perdendo parte da naturalidade infantil. Aos poucos tornei-me numa criança séria e responsável, tímida e mais reservada, características que para o bem ou para o mal ainda mantenho. A inocência perdera-se! Depois das despedidas, nada traumáticas, fui encaminhada para a sala, onde conheci a professora Margarida, que havia de me acompanhar durante os quatro anos seguintes. A sala, que na altura parecia enorme, estava equipada com aquelas mesas antigas com os tampos inclinados e o lugar para pôr o tinteiro, encaixadas nuns ferros verdes (que tanto jeito me fizeram mais tarde quando apanhava reguadas e necessitava de arrefecer as mãos ferventes), dois quadros negros de ardósia e ao fundo, junto à porta, a secretária da professora. A D. Margarida possuía um semblante simpático e uma postura firme e direita. Tinha o cabelo apanhado num carrapito e uns óculos que lhe preenchiam o rosto. A sua voz era um tanto adocicada, possuindo um forte sotaque com pronúncia de S. Miguel. Falava pausada e delicadamente, mostrando-se afectuosa. Porém, como o tempo viria a mostrar, seria também algo severa e disciplinadora, castigando os alunos com uma régua larga, de madeira. Várias vezes experimentei as mãos quentes, principalmente quando falhava a tabuada, ou quando, azar dos azares, ia ao quadro fazer contas (nunca fui boa a matemática é um facto) e lá me esquecia dos «vai- uns», como a professora chamava aos números somados que vinham de trás nas operações de soma, subtracção ou multiplicação. Mas, enfim seriam os métodos que tinha aprendido no regime antigo. Hoje, compreendo que ela só queria que saíssemos da primária preparados e aptos a enfrentar o ensino preparatório. Eram outros tempos… Mas, naquele primeiro dia eu desconhecia todas as coisas, os colegas, as brincadeiras, as recriações do grupo das «Doce» (onde representava sempre a Teresa, a ruiva) as repreensões e desilusões, as lágrimas entre soluços, as festas, as gargalhadas, as composições e os ditados, as contas de dividir por dois, a leitura, e todos os momentos inesquecíveis que ali iria passar. Esse primeiro dia de aulas inaugurou em mim caminhos infinitos, trilhos que ainda percorro com a avidez do saber, foi um passaporte para o sonho e para a descoberta, que fez de mim a pessoa que sou.

Legendas das fotos

1ª foto - Na 1ª classe pousando para a primeira fotografia escolar
2ª foto - Eu e a minha mana à porta da escola
3ª foto - Sou a segunda a contar da esquerda numa festa da turma
4ª foto - Sou a segunda a contar da direita no fim da 4ª classe

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

«Fui Camponês, fui caixeiro»

Porque este blogue é um espaço que pretendo plural, onde penso abordar variados temas, sobretudo os que dizem respeito à Etnografia e Antropologia, gostaria de fazer aqui referência a um livro de cultura popular alentejana que acaba de ser editado pela Junta de Freguesia de Santana de Cambas. Reunindo as poesias de João Gonçalves Carrasco, a recolha, selecção e texto de José Rodrigues e do meu amigo Luís Filipe Maçarico, este pequeno livro é o testemunho vivo de uma voz que se calou em 2006, com 102 anos de idade.
Trata-se de uma recolha parcial das poesias de João Carrasco, de Santana de Cambas, homem simples, de escassas habilitações literárias, de ideais e convicções fortes, que ocupava o seu tempo livre versejando.
«O ideário de João Carrasco é o de um homem que estando bem com a sua consciência, se sente fustigado pelas agruras da vida em tempo de salazarismo e franquismo, mostrando-se à medida que os anos passam desencantado com o rumo voraz da existência moderna, adversa aos valores anti-fascistas que o moldaram». (Luís Maçarico, p.14)
Após a leitura deste livro apetece saber mais sobre a vida deste homem, mais da sua poesia simples e humana. Pena é que autores como estes tenham tão pouco interesse para as grandes editoras, pelo que a sua tiragem é bastante limitada. Deixo-vos com um dos seus versos.

«Em Tempos na Minha Aldeia»

Recordo com Saudade
Os cânticos da minha aldeia,
Quando à noite a mocidade
Cantava depois da ceia

Quando em grupos bem treinados
Todas as noites pelas ruas,
Cantavam entrelaçados
Todas as penas suas

Era o vício de cantar
Cada qual como sabia
Esquecendo, para não pensar
Os sofrimentos do dia

Não obstante a miséria
Em que o trabalhador vivia,
Apesar da magra féria
Nem tanto as penas sentia

Em grandes grupos unidos
Entoavam as suas canções
Fazendo ouvir os seus gemidos
Davam alívio aos corações.

Recordá-los outrora assim
Em tempos já tão distantes
E reviver para mim
Como eu vivia dantes

Com a fuga prá cidade
O tempo tudo mudou
Foi-se embora a mocidade
Aqui só velhos deixou

Hoje resta a Saudade
Dos tempos já tão distantes
Por não haver mocidade
Para se viver como antes.»

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

11 de Setembro de 2001

Faz nesta data seis anos sobre o dia que abalou o mundo.
Desde aí, as coisas nunca foram iguais, gerando um sentimento generalizado de medo e insegurança.
Lembro-me que nesse dia estava no Alentejo, na casa da minha tia Ivone. Na altura em que as célebres e fatídicas imagens invadiram os nossos televisores, encontrávamo-nos à mesa a ver as notícias e a conversa era tranquila. Quando vimos aquele avião a bater nas torres pensámos no triste acidente que tinha acabado de acontecer. Mas, quando vimos em directo o segundo avião a embater nas torres gémeas, nem quisemos acreditar no que estava a acontecer…
Por momentos, depois de confirmarem o atentado, pensei que o mundo fosse acabar, que um pouco por todo o lado eclodissem bombas e prédios a explodir. Pensei que estaria a salvo no Alentejo, mas a minha preocupação era sobre os desenvolvimentos seguintes. Na verdade, estes não foram imediatos, foram surgindo quotidianamente um pouco por todo o lado, ensombrando a vida de todos nós. Nunca mais sentimos que estamos fora de perigo, pois este espreita a todo o momento, em qualquer lado… Mesmo aqui em Portugal, apesar de não existirem grandes ameaças, não podemos esquecer o horror do dia 11 de Setembro e das consequências que este teve para sempre. O terrorismo é a arma mais poderoso com que lidaremos no século XXI, não são necessárias guerras mundiais para matar, basta atiçar o medo que existe em cada um de nós… basta sermos vulneráveis, basta estarmos no sítio errado à hora errada.
Esta é pois uma data para recordar pelos piores motivos...

domingo, 9 de setembro de 2007

Escrever!!!


Num prédio antigo da baixa de Lisboa, sete mulheres entusiasmadas, atraídas pelo fascínio da escrita e pelo gosto da leitura, encontram-se numa sala, duas vezes por semana das 19.30 às 22h00. Aí deixam a imaginação voar, esquecendo-se um pouco do que existe fora daquelas quatro paredes. Durante aquele tempo, a única coisa que as move é a escrita, é inventar personagens, é viver intensamente a pele de outras gentes, é escrever novas histórias.
É este o meu desafio actual durante duas semanas, escrever… escrever… escrever… Na Next-art, num curso de escrita criativa. É uma autêntica terapia para os sentidos, e não há dúvida que saímos de lá com uma boa e vibrante energia e com a criatividade reforçada. Porque nos nossos dias, por vezes muito cinzentos, nos esquecemos de exercitá-la, vale sempre a pena fazer um destes cursos, que para mim são mais mágicos do que pedagógicos. Para quem goste de escrever e ainda tenha algum tempo livre, aproveite para fazer uns cursinhos…Como disse Virgílio Ferreira, «Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve».

Nextart - Rua da Vitória, nº 73, 2º 1100-618 Lisboa
21 342 12 15 / 93 542 12 15
http://www.next-art.net/

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Férias


Era Agosto novamente e Mariana sabia o que se aproximava, sentia o coração apertado e uma leve sensação de tontura cada vez que se lembrava que aquele era o seu último dia de trabalho antes das férias. Para a maior parte dos mortais esse era um dia para festejar, para cantarolar e para sair de cima dos ombros o peso da rotina estabelecida, mas para Mariana férias não era sinal de descanso.
Todos os anos por esta altura ela e a sua família, (marido, os três filhos, os sogros e os cunhados solteiros), alugavam uma casa em Ferragudo, durante três semanas. Nesse período, Mariana não parava um segundo. Levantava-se às oito da manhã, preparava o pequeno-almoço para todos, vestia as crianças e dirigia-se à praia. Como se não bastasse tinha de aturar as acusações da sogra, a indiferença do sogro, os disparates e bebedeiras do cunhado, as neuroses da cunhada, a apatia do marido, o desconsolo de se sentir só. Cada dia era uma aventura, e para se evadir um pouco da sociabilidade familiar, Mariana refugiava-se na cozinha, onde cozinhava e lavava loiça sem parar. Por outro lado não tinha grandes opções, uma vez que as mulheres da família eram pouco dadas às lides domésticas e aos dotes culinários, preferindo ficar a beber o seu aperitivo na sala e cortar na casaca da vida alheia, comentando as novidades do jet set das revistas sociais.
Á mesa, as refeições eram sempre um verdadeiro desafio, as conversas amenas e alegres acabavam geralmente em confusão e em maus entendidos, em palavras que se diziam sem se querer. O tópico de assunto preferido era a divisão das despesas das compras, pondo-se em causa o que tinha sido comprado, a qualidade e as marcas dos produtos, se o camarão era de 1ª ou 2ª, se era de S. Tomé ou do Senegal, discutindo-se o talão do supermercado ao pormenor.
O som elevado da televisão era a banda sonora constante, o que misturado com as vozes ruidosas dos seus habitantes, tornava o ambiente insuportável. As crianças, essas eram um doce, mas ao longo do dia iam ficando mais cansadas, mais rabugentas, investidas de uma energia que se recarregava indefinidamente. Era vê-las pular sem parar, trepar pelos armários, espalhar pimenta pelo chão, gritar convulsivamente, querendo chamar a atenção: «Mãe! Mãe! olha o mano, está tirar-me a boneca! Mãe… quero um gelado! Eu quero!!! Mãe, compra-me a barbie do supermercado…»
Á noite, por vezes, conseguia ter a casa só para si. Alegando uma poderosa dor de cabeça, que frequentemente era bem verdadeira, deixa-vos ir passear pela praia, ou até ao Casino da Praia da Rocha. Nesses breves momentos, depois de deitar as crianças, sabia-lhe bem sentir o silêncio da casa, fechar os olhos e poder respirar fundo, sem ver ninguém por perto, mas esse instante durava sempre tão pouco…
A meio da noite, o silêncio era geralmente interrompido pela entrada abrupta do cunhado solteiro, que costumava chegar sempre um pouco “entornado”, depois de percorrer ritualmente as raves e festas das localidades próximas. Fazia sempre algum alarido quando entrava, por não reconhecer bem os cantos à casa, tropeçando nas cadeiras, vomitando até no sofá da sala, onde dormia.
A tudo isto Mariana assistia, contando os dias numa contagem decrescente que nunca mais acabava. O marido, pouco afectuoso, vivia num mundo à parte, satisfazendo-se com partidas de cartas com o pai, partidas de futebol e a playstation que tinha trazido com ele. Quando chegava à hora de deitar, já não havia beijos, nem palavras de ternura, nem mesmo sexo, até porque com a família dele toda ali em peso, não havia nenhum afrodisíaco que fizesse funcionar a química do amor.
Chegada a Lisboa, no dia 31 de Agosto, após uma fila de duas horas na ponte 25 de Abril e de uma viagem em marcha lenta de mais de 4 horas, Mariana voltava feliz, pois sabia que tinha cumprido o seu papel de boa esposa e de boa mãe. Tinha uma família, que amava e a quem se dedicava de corpo e alma, e que em breve voltaria ao seu ritmo e rotina normal. Ela voltaria ao trabalho no escritório, o marido voltaria às vendas de material hospitalar, e os filhos iriam de novo para o colégio. Não haveria tempo para dúvidas, nem desilusões, tudo se encaixaria novamente, nessa paz suportada pelos horários e pelos hábitos enraizados. Quanto aos sogros e aos cunhados, voltaria a estar com eles no próximo natal, onde os sorrisos seriam mais uma vez encenados e as conversas talhadas a cinzel. Por ora, sabia bem regressar!

Um tapete mágico

Já pensaram o que fariam se tivessem um tapete mágico? Por onde andariam? O que sentiriam?

Se eu tivesse um tapete mágico,
Deixaria tudo o que me rodeia e partiria no mesmo instante.
Percorreria países distantes,
Levaria comigo a paz e a música que me rodeia.
Fecharia os olhos e deixar-me-ia conduzir para onde ele me quisesse levar.
Iria até ao fim do mundo.
Partiria com o Aladino e viveria uma história das Arábias.
Voaria pelos céus estrelados,
Deitar-me-ia nele e sonharia muito.
Viajaria até ao fim do arco-íris, onde um caldeirão com moedas de ouro me esperaria.
Distribuiria pão e cantigas a todos os meninos do mundo.
Iria ao País das Maravilhas encontrar a Alice.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Xutos na Torre de Belém


Foi este domingo, dia 2 de Setembro, que os Xutos & Pontapés regressaram a Lisboa, aos Jardins da Torre de Belém, marcando o final das Festas de Lisboa. O espectáculo começou pouco depois das 22horas. O ambiente era de festa e a noite estava particularmente quente, boa para concertos, para cantar, pular, dançar, cheia de boa energia.
Os Xutos apresentaram-se em palco com uma orquestra de metais, dirigida pelo maestro Pedro Moreira, que acompanhou todo o show. As músicas tinham novos arranjos e os instrumentos de sopro permitiram uma nova roupagem das mesmas.
O repertório não incluiu apenas os grandes êxitos, mas outros temas, que pessoalmente não conhecia muito bem. O êxtase foi mesmo a «Maria», «Minha Maneira», «Dia de S.Receber», «A minha casinha» que provocaram forte bulício e euforia entre a multidão.
No fim houve público a pedir bis, e no «encore» apresentaram músicas bem conhecidas. No final e após alguns minutos de ausência no palco, o público mais fiel não arredou pé, os Xutos voltaram, já sem a orquestra para tocar os «Contentores».
Foi um espectáculo que apesar de ter tido os seus momentos altos, soube a pouco, já que da sua longa carreira de 28 anos, muitos outros bons temas se destacaram e não foram tocados. Seja como for, sabe sempre bem ver estes velhos guerreiros do «Rock in Roll» português. Ainda estão ali para as curvas e para durar!

«No dia em que o mundo mudou de lugar»


No dia em que o mundo mudou de lugar,
Os relógios pararam,
As horas e os minutos deixaram de se suceder.
O céu ficou sem cor,
As águas do rio turvaram,
O vento uivava
E as tempestades revoltaram os mares descontrolados.
Nesse dia, a terra ruiu debaixo dos meus pés,
Numa fracção de segundos,
E nada ficou no lugar.
Não se via ninguém,
Nem pouco ruído havia,
Apenas o silêncio
Do coração paralisado,
Que no peito já não batia.
No dia em que o mundo mudou de lugar,
Eu lancei a minha âncora num porto
De uma cidade desconhecida,
Com ruas esguias e tortuosas,
Cheias de dor e solidão
Onde a saudade corrompia a leveza do ser.
No dia em que o mundo mudou de lugar
Eu desesperei a minha raiva,
Por me sentir perdida,
Gritei a minha voz sufocada, sem ninguém me ouvir.
Caminhei sem rumo, como uma mendiga
Que não tem morada, nem abrigo.
Mas, arranquei das entranhas o medo,
Fiz um esforço e resisti,
Voltei de novo ao porto e finalmente, parti!


2007