segunda-feira, 22 de junho de 2009

Para além da escrita…

No passado dia 20 de Junho dinamizei uma sessão de escrita criativa na Mó de Vida em Almada, no âmbito das Jornadas de Economia Solidária e Comércio Justo, através de um serviço requisitado pelo Banco Tempo.
A actividade foi bastante interessante, juntando pessoas de diferentes nacionalidades, desde a brasileira, francesa, espanhola e portuguesa.
Naquele curto espaço de tempo, que ainda demorou uma hora e meia, a palavra escrita imperou. Viveram-se momentos únicos e emotivos, pois através da escrita, da introspecção, da memória visual, olfactiva e auditiva, chegamos a mundos que muitas vezes desconhecemos que habitam em nós. Foi gratificante para mim ter proporcionado àquele grupo caminhos, desafios, motes, para partilharem as suas palavras e as suas memórias, ainda que por vezes emocionadas. Porque a memória, é na verdade uma caixinha de surpresas, assim que sugestionada ela pode ir até locais muito longínquos, pode revelar-nos verdades que julgávamos não existirem, pode fazer emergir sentimentos recalcados e interiorizados. E num instante, através dos desafios colocados pela escrita criativa, essas memórias tornam-se evidentes e vivas dentro de nós. Talvez por esse motivo, aconselho a todos aqueles que gostam de escrever ou simplesmente de divagar com o pensamento que experimentem fazer uma sessão de escrita criativa, pois além de ser uma actividade geralmente divertida, ao escrever podemos exorcizar fantasmas, medos, reviver momentos felizes, viajar a locais nunca visitados, percorrer continentes, conhecer novas personagens, sermos nós próprios ou quem quisermos inventar. Escrever, escrever, inventar, imaginar, criar… caminhos que nos levam para além do pensamento!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Visitas Cantadas no Museu do Fado



Até ao final de Junho, e no âmbito das Festas de Lisboa’09, o Museu do Fado promove Visitas Cantadas à exposição permanente: visitas guiadas ao circuito museológico animadas com a actuação de um intérprete de fado.

O Museu do Fado narra a história desta canção de Lisboa desde o século XIX até aos nossos dias, os seus fenómenos de mediatização, os instrumentos que a acompanham e os seus protagonistas através de um vasto espólio: fotografias, cartazes, instrumentos musicais, trajes e adereços, troféus, carteiras profissionais – e obras de arte.

Na renovada exposição é possível apreciar obras de Rafael Bordalo Pinheiro, José Malhoa, Constantino Fernandes, Arnaldo Louro de Almeida, Cândido da Costa Pinto, Júlio Pomar e João Vieira.

O Fado Malhoa (José Galhardo/ Frederico Valério) e o Fado Português (José Régio/ Alain Oulman) são alguns dos fados que ilustram obras tão emblemáticas como O Fado, de José Malhoa ou O Marinheiro, de Constantino Fernandes e que os visitantes vão poder ouvir, ao vivo, no Museu do Fado.

Marcação Prévia Entrada: bilhete de acesso ao museu 3€ Sábados e Domingos de Maio e Junho 16h30



Museu do Fado
Largo Chafariz de Dentro, 1 1100-139 Lisboa
Tel. 21 8823470 - Fax. 21 8823478
museudofado@egeac.pt
http://www.museudofado.egeac.pt/

Jornadas de Economia Solidária e Comércio Justo


Realiza-se esta semana uma série de actividades na Cooperativa Mó de Vida, em Almada, algumas organizadas pelo Banco do Tempo de Almada. Saliento às 16h, a sessão de escrita criativa que vou desenvolver. Apareçam!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Darwinismo - continuação

O DARWINISMO SOCIAL

O Darwinismo Social é com certeza a teoria científica, que até hoje maior projecção teve a nível social e cultural, influenciando todas as ciências sociais e humanas, entre as quais a Psicologia, a Filosofia, a Ética, a História, a Teoria Política, a Sociologia, a Antropologia e a Geografia, entre outras.
As ideias do pensamento que levaram Darwin à sua teoria de evolução fizeram surgir visões novas de sociedade humana, evidenciando uma série de novas teorias sociológicas que na história da sociologia são designadas como “biológicas” ou “organicistas.
Deve salientar-se contudo, que o Darwin em si tem pouco a ver com a teoria do Darwinismo social. É verdade que este dedica no seu livro sobre a origem do Homem, um capítulo sobre a questão da “selecção natural”, no entanto Darwin não pretende aplicar o princípio da Selecção Natural à sociedade humana, salientando que , “se negássemos o nosso auxílio aos socialmente menos favorecidos, aos fracos e menos sadios, isto não poderia acontecer, sem a destruição de uma das partes mais nobres do nosso ser (…) Portanto, temos de assumir as consequências sem dúvida negativas da sobrevivência e da propagação dos fracos sem nos lamentar.” (Cf. Descendent of Man, I)
Porém, o conceito de Darwinismo Social começou a ser muito aplicado e expresso em estudos sociológicos, principalmente por Herbert Spencer (1820-1903), que entendeu que a selecção natural fazia dos indivíduos menos aptos, seres inferiores e “miseráveis”. Esta opinião ignorou drasticamente a forma como as estruturas das instituições sociais e as coerções socialmente organizadas geriam e perpetuavam a miséria e as categorizações de inferioridade. Este tipo de argumentação, de nada válida, desencadeou uma verdadeira ideologia de hierarquia de raças e classes, o que se traduziu mais tarde na onda crescente dos ideais nazis e do Nacionalismo Social.

Desta forma, poder-se-á dizer que o Darwinismo Social se apresentava como teoria científica, mas era essencialmente uma ideologia pseudo-científica, que punha em causa valores e preconceitos, falseando as ideias de Darwin, deduzindo as directivas do comportamento sócio-político de leis naturais.

A Antropologia Evolucionista

O evolucionismo sócio-cultural é herdeiro em grande parte da ideia de progresso do séc. XVIII, formalizada por Turgot, Condorcet e Jean-Jacques Rosseau, sendo estes autores, entre outros, os principais mentores das ideias que constituíram a teoria da evolução cultural.
Defendia-se assim, que a história dos seres humanos se podia descrever como progressiva, evoluindo desde as formas mais simples até às formas mais complexas e sofisticadas, englobando todas as sociedades humanas num único esquema evolutivo, incluindo as tribos selvagens e os povos ditos civilizados.
Estes evolucionistas apresentam, para complementar o seu esquema, supostos estádios através dos quais, a cultura humana teria progredido, tendo origem na “criação, queda e dilúvio”, passando pela organização pastoril, as invenções da agricultura e da ideia de propriedade privada, ao crescimento das aldeias, à divisão do trabalho, à civilização moderna.
Subjacente a este “progresso evolutivo do Homem”, estava a ideia de uniformidade de natureza, isto é de unidade psíquica, originária também do Iluminismo, e que defendia que todos os homens eram semelhantes na maneira como pensavam.
Embora as teorias antropológicas da cultura tivessem recebido um grande incentivo com a influência do Iluminismo, o Darwinismo deu à Antropolgia uma nova demárche, fazendo triunfar o ponto de vista evolucionista biológico na análise cultural.

Foi a partir da crítica das teorias evolucionistas de cultura, por Leslie White e os seus discípulos, principalmente Marshall Sahlins e Elman Service, que surgiu uma teoria não unilinear de evolução social. Estas teorias reafirmaram a importância dos factores ambientais e ecológicos na influência da evolução das sociedades.
Hoje em dia, emergem com frequência teorias evolutivas, novas géneses, novos conhecimentos, porém a originalidade da teoria de Darwin, apesar das suas repercussões negativas a nível social, permanece inabalável, já que representa uma das maiores revoluções científicas da Humanidade.