terça-feira, 18 de maio de 2010

10º dia – Tânger


Este relato foi escrito por mim junto à piscina do hotel Alleh, onde ficámos na nossa última noite em Marrocos:
«Ainda não parti para Lisboa e já sinto falta do que vivi nestes últimos dias. Afinal foram 10 dias de partilha intensa de conhecimentos, de sensações, de experiências, de muitas aventuras e risadas. Foram dias muito preenchidos que me fazem sentir que passaram a fugir, pois foram vividos a dobrar ou a triplicar a soma dos dias.
Neste último dia antes da partida, o destino foi Tânger. Daqui já se vê o mar, uma ponta de Espanha e da Europa. É quase uma meta alcançada, com a jornada conseguida e a aventura concretizada. De Marraquexe a Tânger foram muitos quilómetros percorridos, além dos que caminhámos para sul em direcção a Zagora.


Depois de conhecer Tetouan e Tânger, acho que o destino nos bafejou com sorte ao fazer com que tivéssemos começado a viagem por Marraquexe, esse centro nevrálgico da essência deste país. Se tivéssemos chegado a Marrocos por Tânger, penso que o entusiasmo diminuiria levando a que não sentíssemos aquele choque interessantíssimo no início, e que possivelmente quando chegássemos à cidade da alegria achássemos tudo muito mais cansativo. Isto porque não gostei muito do que vi de Tânger, em comparação com outros lugares.
Em Tânger encontrámos novamente marcas da influência espanhola e um ocidentalismo que se mistura com as ruelas e os becos sombrios da medina, com os homens de ar suspeito que parecem viver do engano e do roubo, com os miúdos que se metem connosco quando dizemos que somos portugueses, lembrando-se do Cristiano Ronaldo (personalidade que aliás também influencia muito os mais novos a observar pelos seus penteados estilosos que imitam o craque de futebol).
África começa também aqui, esta é uma porta de entrada e saída de milhões de pessoas. O porto de Tânger recebe diariamente uma enorme frota de ferries vindos de Espanha, que fazem a ligação com Algeciras. Daqui tentam também partir clandestinamente milhares de pessoas desesperadas, que esperam encontrar na Europa um destino melhor (felizmente não observei essa situação dramática e lastimável in loco, mas sei que ela existe). Tânger é, assim, feita de todas estas ambiguidades, destes desejos, desta mistura.

Manifestação do 1º de Maio - Tânger


Aqui no hotel Alleh onde me encontro a escrever estas linhas, a tarde começa a cair e o frio a começar a fazer-se sentir. Aguardo a festa de anos de uma das companheiras de viagem e até comprámos roupas marroquinas para nos divertirmos. O grupo tem funcionado bem, apesar das nossas diferenças, dos nossos feitios e personalidades. A viagem não podia ter corrido melhor! Agora resta-nos partir amanhã para Madrid e daí para Lisboa.
Sem esperar conhecer Marrocos este ano, depois de ter surgido esta oportunidade de repente, confesso que este país me surpreendeu, pois as opiniões que ouvi eram todas muito contraditórias. Quem sabe um dia regresse ao sul e descubra verdadeiramente a essência do deserto e a magia das suas noites estreladas. »

segunda-feira, 17 de maio de 2010

9º dia – Tetouan e Chefchouen

Para conhecermos um pouco mais do Marrocos de influência espanhola, fomos até Tetouan, que por sinal é a terra natal de um dos nossos companheiros de viagem.
Tetouan, nas palavras dos poetas árabes, é uma pomba branca, a “irmã de Fez”, a “pequena Jerusalém” ou a filha de “Granada”. A cidade foi habitada por refugiados judeus de Granada no séc. XV e por mouros da Andaluzia no séc. XVII. A influência andaluza é bem visível na sua medina, nas tradições culinárias, na música e nos bordados, entre outros aspectos.


Assim que entrámos na cidade veio logo ter connosco um arrumador que nos indicou um parque para estacionarmos o automóvel. Depois de termos pago o parque ao senhor responsável pela guarda do mesmo, demos uma pequena gorjeta ao homem que nos indicou o lugar. Mas, curiosamente, como não lhe demos o dinheiro que ele achou merecer, além de recusar, ainda nos injuriou, dizendo para um de nós, que era um «pobrecito».
Por toda a cidade víamos homens, que ao menor sinal de hesitação da nossa parte no caminho a seguir, se nos dirigiam para nos guiarem, dizendo que estudavam português e queriam apenas praticar. O primeiro que nos indicou o parque, chegou mesmo ao ponto de dizer que tinha um familiar que vivia em Lisboa, na Estrada de Benfica…
A medina, apesar de património mundial da humanidade, e de representar a medina mais andaluza de Marrocos, não seduziu. Era demasiado suja, com odores muito fortes que se entranhavam no nariz e até um pouco assustadora, pois tínhamos sempre alguém atrás de nós atento à espera de nos servir de guia. Houve mesmo um, que nos seguiu durante um bom bocado. Possivelmente, depois de alguns dias sempre a ver cenários de medinas semelhantes, começasse a perder a paciência e a deixar de descobrir o encanto da diferença.


Depois de quase nos perdermos na medina e de calcorrearmos Tetouan sem grande rumo, resolvemos voltar para Chefchouen. Afinal, naquela terra tínhamos a tranquilidade do azul e a simpatia das pessoas, contrariamente ao que sentimos em Tetouan. Parámos pelo caminho, à beira da estrada para comprar cerâmica e aí fizemos bons negócios, acabando por comprar uma tagine que serviria de prenda a uma das colegas, que faria anos no dia seguinte.
Chegados a Chefchouen, passámos pelo hotel para deixar ficar as coisas, e voltámos à praça principal. Aproveitámos para fazer as últimas compras e marcar o restaurante para o jantar. O rapaz do restaurante mostrou-se receptivo ao facto de podermos levar uma garrafa de vinho (dado que o álcool não é permitido entre os muçulmanos), mas para isso tínhamos de comprar a garrafa, num determinado bar que nos indicou. E assim fizemos. A compra da garrafa de vinho, fez lembrar literalmente o tempo da Lei Seca, nos 30 na América. Parecíamos uns autênticos gangsters do gang de Alcapone. Um de nós bateu à porta do bar, comprou a garrafa e teve de a trazer dentro de um saco de plástico preto, escondida.


No restaurante deixaram-nos beber o vinho, tal como tínhamos combinado, mas a verdade é senti que o rapaz que nos serviu (não o mesmo que falou connosco antes), não estava nada à vontade, mal nos olhava a direito e parecia incomodado. Bebemos discretamente a garrafa e escondemo-la, trazendo-a de novo connosco. Apesar do vinho não ser grande coisa, valeu o episódio e o jantar…

quarta-feira, 12 de maio de 2010

8º dia – Partida para Chefchaouen

Após 3 noites em Fez partimos em direcção a Chefchouen. O percurso demorou algumas horas, mas valeu bem a pena.
Chefchouen possui uma área de 4.350 km2 e localiza-se no Rif Ocidental, em plena montanha. Caracteriza-se por uma arquitectura árabe-andaluza, influência dos fugitivos da Reconquista do Al Andalous. A kasbah na praça Outa é do séc.XVII e a grande mesquita, com o seu minarete octogonal é do séc. XV.
É uma terra linda e encantadora fazendo lembrar, Sidi Bou Said, na Tunísia. Contudo, pareceu-me ainda mais acolhedora, mais envolvente, com as suas casas com as fachadas caiadas de branco e azul índigo ou turqueza, assemelhando-se a casas de bonecas de brincar, quase irreais, de tão fantásticas nos pareciam. Cada recanto nesta terra nos encanta, cada porta, cada pátio, as ruelas, as praças. Tudo está muito limpo e cuidadosamente apresentado e não faltam tendas, lojas e bancadas para comprarmos souvenirs.
A praça principal, a Uta el-Hammam, é o coração da cidade velha e o ponto central de convergência das ruas da medina. Apresenta árvores, pavimento em pedras e cascalho e, no centro há uma fonte. Além da mesquita, salienta-se um aglomerado de cafés e restaurantes, onde pudemos beber mais um doce e saboroso chá de menta, numa esplanada. Enquanto bebíamos o chá com a calma vagarosa que nos habituámos em Marrocos, ecoava do minarete o forte muézin que chamava os fiéis à oração. Aos poucos, até aquela sonoridade entoada cinco vezes ao dia, marcava já o nosso ritmo de vida.


Nesta bela terra, até as pessoas são mais calmas, não há tanto regateio nas compras e não nos aborrecem quando não queremos comprar nada. São tranquilas, simpáticas e respeitadoras, não andam atrás de nós como em Marraquexe, Fez ou Tetouan. Reflectem a serenidade dos tons azuis da cidade. Em termos de pobreza e sujidade, apesar dela existir, porque passámos também por bairros mais carenciados, ela não é também tão gritante como noutras cidades que visitámos.

O hotel Madrid, onde ficámos alojados era também um autêntico mimo, acolhedor e confortável, embora sem luxos. A área de estar e de pequeno-almoço era colorida com mesas de madeira e tecidos a combinar, e os quartos, com camas com dosséis cor-de-rosa, pareciam quase quartos de princesas. Depois de um longo dia soube bem "aterrar" naquele palácio da terra da fantasia.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

7º Dia: Meknés

Este foi um dia dedicado a conhecer Meknés, localizada a poucos quilómetros de Fez. Escolhemos precisamente o dia que o rei Mohammed VI, também se deslocava a Meknés, e por isso à saída de Fez e em toda a auto-estrada em direcção a essa cidade, era visível militares e polícias, localizados em locais estratégicos e à beira da estrada, distanciados por alguns metros. Ficámos impressionados com a força do aparelho de segurança do estado. Pela primeira vez tive a experiência de estar perante um estado totalitário e perante uma máquina de poder semelhante ao Big Brother de 1984, de George Orwell, que tudo controla e comanda.
Ao entrarmos em Meknés, uma grande multidão aguardava já o rei, com bandeiras, instrumentos musicais, assim como cavaleiros montando belos cavalos enfeitados. Foi difícil encontrar o caminho para a medina até porque muitas ruas estavam fechadas, devido à chegada do rei, fazendo aumentar o trânsito e a confusão. Mas, por fim lá acabámos por encontrar o caminho e deixar o carro à entrada da medina.


Meknés é actualmente a quinta maior cidade de Marrocos, com 450.000 habitantes. Tal como Fez, a cidade apresenta três zonas bem definidas, a medina, a cidade imperial e a Ville Nouvelle.
Meknés possui uma medina mais acessível do que Fez, tendo sido possível andar calmamente nas ruas sem guia, embora também não nos tenhamos aventurado muito para os becos e ruelas. Entrei numa loja e consegui comprar uma manta por um bom preço. Ao princípio o comerciante disse que não, que o preço que eu propunha não era suficiente, mas a verdade é que ele lá acabou por aceitar os meus 10€. De resto, às tantas, começamos a achar mais do mesmo, entre as lojas de tapetes e de marroquinaria, começava a não se ver nada de novo.
Só nos arriscámos a embrenhar-nos mais na medina, quando um dos colegas que andava à procura de instrumentos musicais, solicitou a uns homens que lhe indicassem uma loja onde isso se vendesse. Logo um deles, nos levou por caminhos mais escondidos e descobrimos o mercado. Bancas de fruta, legumes, aves, carne e peixe, cheiros intensos, gatos por todo o lado e misturados com os consumíveis. Claro que num fim, quando o homem nos encontrou a loja pediu uma recompensa.


Depois de almoçarmos, fomos ao Musée Dar Jamaï, visivelmente muito melhor daquele que visitámos em Marraquexe. Este está instalado numa bonita residência construída em cerca de 1882, incluindo cornijas de madeira pintada, um telhado de telas verdes e um pátio com dois lagos. Apresenta colecções de cerâmica, tapetes, trajes, joalharia, metalurgia e ainda a reconstituição de uma sala marroquina. Trata-se de um belíssimo palácio.


No fim do dia tivemos o nosso ponto alto e cómico da jornada. Quisemos sair do parque de estacionamento sem pagarmos… Não nos tínhamos apercebido que este era pago e quando vimos vir o arrumador, pensámos nem pensar, estamos fartos de gorjetas…e arrancámos com o carro. Eis quando, o arrumador vem atrás do carro e começa a bater no mesmo, dizendo «L’argent!». Aí, nós parámos o carro, olhámos com ar de parvos e fizemo-nos desentendidos, até que houve alguém que disse: «Argent… o que é o argent?...» Enfim, cena hilariante, os portugueses a quererem sair de um parque sem pagar. Quando demos ao arrumador 5 dirhams, o equivalente a 50 cêntimos, o homem olhou para a moeda desconsolado, encolheu os ombros, e acabou por aceitar, mais valia aquilo do que nada, e lá nos deixou seguir.
Ao chegarmos a Fez andámos perdidos, já não encontrávamos o caminho para o hotel, tendo indo parar a bairros sociais junto à medina, mas depois de muito andarmos às voltas, lá conseguimos sair do labirinto…. A aventura continuava!
Na última noite em Fez, decidimos jantar na zona nova, perto do Boulevard, e aproveitámos para passear na longa avenida depois do repasto.

domingo, 9 de maio de 2010

6º Dia – Fez

Amanheceu cedo. Enquanto as minhas companheiras de quarto ainda dormem, eu já estou acordada e já tomo notas do diário de viagem dos dias anteriores. Acordo cedo com o barulho e claridade da cidade. Não consigo dormir muito quando estou de férias…
Como não tínhamos ainda hotel marcado e porque não queríamos desperdiçar o nosso dia em Fez, fui com os dois colegas em busca dos hóteis que o rapaz da recepção do hotel nos indicara na noite anterior. Depois de ligarmos para o primeiro da lista, conseguimos logo reserva. Por isso fomos até ao Narjiss oficializar a reserva e voltámos ao Nouzha, para recolher as bagagens e tomarmos o pequeno-almoço, num simpático café em frente ao hotel.
Depois de deixarmos as malas no Narjiss, seguimos de carro para a parte velha da cidade, Fez-el-Bali.

Este núcleo antigo, que remonta ao séc. IX, é encerrado por muralhas defensivas, apresentando no seu interior medinas históricas. É o rio Wadi Fés que separa os dois marcos históricos: o bairro Andaluz para leste e o Bairro Karaouiyne para oeste.
Ao chegar a Fez-el-Bali foi fácil arranjar um arrumador que nos indicou o local onde podíamos estacionar o carro, e que se ofereceu para nos acompanhar. Como já sabíamos que é quase impossível explorar a medina histórica sem ser a pé e com guia, devido ao traçado labiríntico e irregular da mesma, depois de chegarmos a um preço razoável, aceitámos que o homem nos acompanhasse. Qual não foi o nosso espanto, quando o homem saiu a correr para uma das ruas e disse para esperarmos. Passado um ou dois minutos, regressou e trazia um outro consigo. Contou-nos que era seu familiar (não me recordo o grau de parentesco, se é que essa história era verdadeira…) , que ele era guia oficial e que por isso era ele que ia connosco. Apesar do esquema montado, não achei mal, afinal ele era a nossa única garantia para conhecermos a medina o dia todo, sem nos perdermos, a troco de 4 € a cada um de nós. Tendo em conta o emaranhado das ruas e a confusão que nelas reinava, penso que esta foi a melhor opção.

Ao começarmos a seguir o nosso guia, Mohamed, a primeira coisa que ele fez foi sacar de uma gravata que trazia no bolso e de um crachá que o distinguia como guia oficial. Como não sabia fazer o nó na gravata pediu a um de nós que lho fizesse e justificou-se dizendo que os guias têm de andar devidamente apresentados, e realmente ele, de calça, camisa e gravata, distinguia-se dos demais. Outro aspecto que achei bastante curioso, foi ele dizer-nos que nos ia mostrar o bairro andaluz e o de Karaouiyne, e os aspectos mais importantes, e depois se quiséssemos podíamos então fazer compras, mas primeiro dar atenção ao que ele nos dizia e mostrava, porque ele era um guia intelectual….
O Mohamed começou por nos mostrar o bairro andaluz, que sofreu a influência dos mouros expulsos pelos reis católicos de Espanha. À medida que nos entranhávamos no bairro, íamos vendo recantos sombrios, corredores sem luz natural que nos transportavam para becos e ruelas, portas de escadas entreabertas, curvas apertadas. Num instante nos perderíamos ali sem um guia. Sem nos apercebermos bem como, confluímos num mercado local repleto de legumes, de peixe, e produtos hortícolas. As pessoas olhavam para nós, e as crianças saudávamo-nos. Não havia por ali turistas naquela zona do bairro, e por esse aspecto, acabei por me sentir privilegiada por estar a andar numa massa compacta de turistas que segue por todo o lado, sem observar, sem sentir o cheiro das coisas, os sons, e olhar para o modo de vida das pessoas com um pouco mais de atenção. Essa parte para mim foi fantástica, porque me senti mesmo no território deles.

O guia levou-nos a ver a Place el-Seffarine, onde se localizam as oficinas dos caldeireiros e dos trabalhadores do bronze e vimos de fora a fachada da Biblioteca Karaouiyne, do séc. XIV.

Visitámos uma Medersa (estabelecimento cultural e religioso, que funcionava como escola residencial, e que era uma extensão da grande universidade-mesquita), observámos as mesquitas (do lado exterior claro), e entrámos em alguns estabelecimentos comerciais, como lojas de tapetes, de curtumes e peles, bordados, entre outros (lá se foi a intelectualidade do guia…). Nesses locais, tivemos de assistir a uma demonstração dos produtos com a finalidade de nos venderem alguma coisa. A verdade, é que num instante, se não estivéssemos bem mentalizados, acabávamos comprando os tapetes, ou o que fosse mais… A técnica de persuasão deles é quase hipnótica, mas a realidade é que funciona…


O que mais me impressionou na visita foram as fábricas de curtumes, localizadas geralmente junto a cursos de água. O curtimento é uma arte com tradição de milhares de anos. O processo transforma pele de animais em couro macio e que não apodrece. Depois de curtidas, as peles passam para os artesãos as trabalharem.
Quando subimos ao último andar destas lojas de curtumes, podemos admirar e sentir a experiência visual e olfactiva da lavagem das peles, a tal ponto que quem nos conduz ao local, nos dá um pouco de hortelã para cheirarmos, para atenuar a forte fragrância. Trabalham nestas fábricas famílias inteiras, gerações inteiras. Para que o trabalho dê para todos, eles organizam-se e em cada dia da semana trabalha uma família diferente. A pele é limpa com excrementos de pombo, o que torna o ar irrespirável, devido ao amoníaco que é libertado nas fezes. Podemos admirar também as tinas, onde se mergulham as peles, depois de removidos o pêlo e a carne, e as tinturarias, onde se tingem as peles (obtidas a partir de pigmentos naturais de certas plantas e minerais). As peles curtidas são depois penduradas a secar nos terraços da medina.
Fez é realmente uma experiência mirabolante! Perdido numa ruela suja e pouco iluminada, encontrámos um verdadeiro palácio, que seria o local onde iríamos almoçar. O preço não foi muito barato, mas atendendo às condições da medina, e ao facto de termos fome, pareceu que não foi má ideia.


A seguir ao almoço, a visita começou a perder tanto interesse, o guia arrastou-nos de loja em loja, dos conhecidos dele, e rapidamente nos começámos a sentir cansados e fartos de tanto comércio. Ao ver o nosso esmorecimento, o guia ainda tentou negociar connosco um táxi, mas ao ver que não queríamos apanhar táxi, obrigou-nos a percorrer um longo percurso, sempre a bom ritmo (eu até brinquei dizendo que ele parecia mais um personal trainner, que marca o passo da caminhada, sem nunca abrandar). De repente, quando saímos das ruelas, desembocámos num largo, onde se viam várias bancas de venda de roupa, como se tivéssemos entrado na Feira do Relógio, gente e confusão na rua não faltava, mas aquilo já não era tão característico como no interior da medina.


Finalmente, o guia lá nos levou até ao local onde tínhamos deixado o carro e saímos de Fez-el-Bali. Daquilo que vi de Fez, esta foi mesmo a parte melhor e a que valeu mais a pena. A Nouvelle Ville, onde estava localizado o hotel, era uma zona residencial e comercial sem muito interesse.

sábado, 8 de maio de 2010

De Marraquexe a Fez: 5º dia de viagem

A nossa jornada em Marraquexe acabou. Arrumámos as tralhas e eis-nos novamente de mochilas às costas. Tomámos o pequeno-almoço num café da praça, (as panquecas com mel souberam-me ainda melhor do que as primeiras que comi) e dissemos adeus à Praça Djemaa El Fna: Até um dia!
Lá conseguimos, depois de muito andar, arranjar um táxi que nos levou até à AVIS da Av. Mohamed IV, onde iríamos buscar o carro alugado com que seguiríamos viagem.
O dia foi todo passado no carro. O percurso foi muito longo, perto de 450 kms, de Marraquexe a Fez, e as estradas apesar de em bom estado, não permitiam grandes velocidades. Parámos para almoçar em Beni Mellal, onde descobrimos um restaurante muito bonito, com excelentes pizzas e massas, que nos satisfez imenso, cortando um pouco com a rotina das tagines e dos couscous.
A meio da tarde, decidimos que o mais seguro era marcar o hotel, que tínhamos visto na noite anterior na internet, não fosse ser difícil conseguir dormida. Paramos numa pequena localidade, onde um senhor que trabalhava numa mercearia, foi muito prestável a ajudar-nos a conseguir o número certo do Hotel Nouzha, pois o que tínhamos visto na internet, afinal não funcionava. Lá se marcou o hotel pelo telefone e viemos mais descansados, pelo menos tínhamos onde dormir.
Chegamos a Fez já eram nove e tal da noite e ainda tivemos de andar à procura do dito hotel. Depois de termos feito o check-in, apercebemo-nos que só tinham vaga para nós naquela noite, por isso, se quiséssemos dormir as outras duas noites seguintes em Fez, tínhamos de descobrir outras opções. O Nouzha Hotel, apesar de ter apenas 3 estrelas, era muito bom, cabendo-nos a nós meninas uma enorme suite, bastante espaçosa.
Já era tarde, o cansaço do dia acumulava-se, mas ainda assim deambulámos pela parte nova da cidade de Fez, a Nouvelle Ville, em direcção a vários hotéis, em busca de uma reserva, mas a aventura não foi fácil, pois o Rei de Marrocos decidira também vir para Fez, o que tinha feito lotar quase todos os hotéis. Em completo desespero de causa, ainda chegámos a visitar uma pensão residencial, mas assim que entrámos saímos, pois, além de não ter grandes condições, apercebi-me logo que também tinha baratas….impossível.
Resultado, não conseguimos marcar quarto e depois de muito andarmos, perto das 11horas, vencidos pelo cansaço e pela fome, lá nos sentámos no Titanic, para comer uns óptimos hamburgers.
Começava a sentir-me cansada, pela sucessão de noites mal dormidas, acordava sempre muito cedo e frequentemente com o muezzin a meio da noite - chamamento cantado para a oração - uma das cinco orações diárias que faz parte das obrigações de um muçulmano devoto.
Regressámos ao Nouzha Hotel, por sinal muito bom, para as 3 estrelas que tinha. Mas, quando chegou a hora de dormir também não foi fácil, ouvia-se um som de música abafado que não me deixava dormir, talvez de alguma discoteca ou bar ali perto. Deviam ser umas 2h da manhã quando por fim sucumbi ao cansaço.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

3º e 4º dia – A ida ao deserto

No terceiro dia de viagem levantámo-nos muito cedo. Tivemos de ir até à Place 16 Novembre apanhar o mini-bus que nos levaria na excursão a Zagora, e à nossa noite no deserto. Tínhamos decidido a excursão previamente em Portugal, por intermédio do Riad que nos tinha sugerido algumas excursões incluindo esta.
Nesse dia, conhecemos outras pessoas, que tal como nós ambicionavam pela aventura do deserto. Encontravam-se entre elas três brasileiros, dois franceses, nós os cinco aventureiros, e uma mãe e um filho americanos, verdadeiros personagens de sitcom, os quais nos inspiraram durante a restante viagem em Marrocos, pelo absurdo de algumas das suas reacções, mas adiante…
Ao longo do percurso, sempre que havia paisagens dignas de uma fotografia, lá fazíamos uma paragem para admirar as vistas. Mas, a primeira paragem foi para conhecer a ksar de Aït Benhaddou, na margem esquerda do Wadi Mellah, a sul de Marraquexe.


Pelo seu ar imponente e exótico, tive a sensação de estar a viver um filme, do estilo de «Um chá no Deserto» de Bertolluci. Para chegar à ksar tivemos de passar o rio Wadi, o qual mesmo baixo, como corria, ainda nos obrigou a descalçar e a sujar os pés de lama barrenta. Depois da primeira prova superada e de apreciar a paisagem, tivemos de subir a pé até ao topo da aldeia, junto ao antigo celeiro comunitário. A aldeia apresenta um conjunto de kasbahs, de pise ocre, com uma estrutura arquitectónica assente em barro, palha, e excremento de animal. Estas residências desempenharam por muito tempo o papel dos castelos fortificados, sendo lugares de refúgio para pessoas e animais.


Cada recanto daquela aldeia, que parecia perdida no tempo, parecia uma fotografia de uma enciclopédia de Antropologia, recordava-me povos como os «Dogon» e outros que estudara na minha licenciatura.
Depois de uma subida bem íngreme e acentuada, chegámos ao topo, e aí a paisagem era de facto inóspita e avassaladora, era fácil perceber que éramos nós que estávamos fora de contexto naquele lugar, ali onde o tempo parece ter permanecido imutável, correndo vagaroso, como o pequeno curso de água do Wadi.


De caminho para Zagora, a paisagem ia mudando, vendo-se montanhas, oásis cobertos de palmeiral, superfícies áridas e agrestes, desfiladeiros e relevos que pareciam autênticos cortes topográficos.


À medida que avançávamos para sul, a viagem foi-se tornando mais cansativa. Zagora era bem mais longe do que pensara, e o facto de estar muito calor e de passarmos muitas horas seguidas no mini-bus, também não ajudava. Porém, tudo quanto víamos pelo caminho serviu para acrescentar conteúdo à viagem, tendo-me impressionado bastante, o cortejo de bicicletas de jovens estudantes saídos às 18h00 da escola, nas imediações de Zagora, que rumavam em bando para Zagora, desde pequeninos a graúdos, e o percurso era bem longo até à cidade. Tal visão fez-me pensar que aquele povo desde pequeno aprende a «desenrascar-se», não dependendo de terceiros para fazer a sua vida.


O ponto alto do dia coincidiu com o momento em que fomos andar de camelo, depois de chegarmos a Zagora. Mas, nunca tinha pensado que o percurso começasse na estrada, achava que iríamos andar só nas dunas, como fizera antes na Tunísia, mas pelos vistos enganei-me. O percurso até ao acampamento foi longo, cerca de uma hora e meia, e confesso um pouco doloroso. Mas valeu pela experiência e por ver o crepúsculo e o anoitecer a caminho do acampamento em Erg Chegaga. A partir de determinada altura, só tínhamos o luar a iluminar-nos e o cansaço fazia-nos imaginar que em cada foco de luz que vislumbrávamos pudesse ser o acampamento. No céu, as estrelas brilhavam, e nós naquela caravana, com um calor que ainda nos colava no corpo, ansiávamos por encontrar um porto seguro. Um dos nossos colegas de viagem, um dos mais martirizados pelo camelo, estava mesmo em desespero de causa, pois o desconforto era já maior do que a aventura.
Foi então que chegámos ao acampamento. Este possuía uma estrutura circular, com várias tendas em redor todas iguais, e ao centro uma maior, que nos serviria de refeitório/restaurante. Quando chegámos o cansaço do dia inteiro era visível em cada um de nós. Só queríamos era comer e refrescar-nos. A americana que seguia connosco e que trabalhava com crianças no Haiti, depois do terramoto, resolveu dizer que a casa de banho era óptima e que tinha papel e tudo. Eu, ingenuamente acreditei, mas logo percebi que ela era de facto uma optimista por natureza.
A casa de banho ficava numa outra tenda distante e tinha duas sanitas sem autoclismo e um alguidar cheio de água, com um pequeno balde. Eu quando vi aquilo, pensei: «Queres aventura…tens aventura! Com tudo o que ela implica…» Era o deserto que queríamos aí o tínhamos…
Depois de comer mais uma tagine de legumes e algumas laranjas frescas, fomos sentar-nos junto à enorme fogueira que acenderam no exterior do acampamento, para ouvir os tocadores de instrumentos de percussão. Parecia tudo perfeito, não fossem eles só terem tocado duas músicas, assim de uma forma meio ligeira, terem começado a cantar e a dançar, e nos passarem os instrumentos para tocarmos.

Em meio de nada, a magia da noite no deserto desvaneceu-se e as pessoas começaram a ir para as tendas descansar. Bastava mais um pouco de interacção connosco e a noite teria sido mais interessante. Quando me levantei, percebi que era fácil perdermos a orientação para a nossa tenda, pois em formato circular e à noite, eram todas iguais. A tenda não tinha grandes comodidades, além dos colchões e da luz da vela, mas dormi descansada tapada com os cobertores, apesar do vento que soprou com intensidade durante a noite.


Logo cedo, depois do pequeno almoço, também ele singelo, com leite e café e pão duro de véspera, com manteiga, voltámos para o camelo, para fazer o caminho de volta. Desta vez pelo menos já não fomos até tão longe, contrariamente ao que o programa da excursão indicava. Por isso, foi com satisfação que vi, após meia-hora de percurso, que o mini-bus já nos aguardava.


A primeira paragem da manhã foi para beber um chá de menta e seguimos para Ouarzazate. Aí existia uma importante kashbah, mas acabámos por não a visitar, optando por circular pelas lojas em volta da mesma e fazer algumas compras, sobretudo as meninas que fizeram bons negócios e regateios.
O almoço foi num restaurante com terraço e desta vez aproveitei para provar a Tagine de Kefta (mais uma variante de tagine), mas com tomate e carne picada, tipo almôndegas.


No caminho para Marraquexe, passámos pelo exterior de um estúdio de cinema, em Ouarzazate, percorremos vales e montanhas, vimos diferentes tipos de arquitectura, de pessoas e de trajes. A paisagem da montanha do Atlas é sublime, faz-nos sentir pequenos perante a sua imponência. A meio caminho começou a cair uma chuvinha miudinha e a temperatura começou a descer.
Ao entrarmos em Marraquexe, ainda cheirava a terra molhada. Mas desta vez, a entrada na cidade não teve o mesmo impacto que dois dias antes nos causara. Naquele domingo à tarde, na praça acumulava-se já uma densa multidão. Havia gente nos terraços dos restaurantes, nos telhados, parecia decorrer um espectáculo na praça e isso atraíra ainda mais gente do que o habitual. Mas, na verdade aquele caos, para mim, era já organizado. Já não me fez diferença que os carros ou as motas circulassem entre nós, que os grupos folclóricos tocassem e tocassem a troco de uma fotografia e posterior pagamento, que os macacos soltassem para os colos dos turistas, que os encantadores de serpentes tocassem. Passados dois dias aquilo era já a minha realidade naquele local.
Ao jantar voltámos à praça para comer nas banquinhas de comida. No meio daquela gente toda, a comida até parece saber melhor e os preços não ultrapassam os 70 dirahms (equivalente a 7 euros). O que aí me fez confusão foi a pobreza que nos circula, enquanto comemos. Pedintes que nos pedem comida, coma fome estampada nos rostos, a ponto de em actos de desespero, me terem tirado do prato restos de comida ou ossos de frango. Não posso deixar de me impressionar com esta miséria, enquanto nós turistas nos divertimos. Pessoas que têm este tipo de atitude, assemelham-se a animais na luta pela sobrevivência… mas enfim, fiquei triste com esse lado que vi nos dois dias em que jantei na praça.
O resto da noite foi para aproveitar e fazer as últimas compras no souk e aproveitar o espírito de Marraquexe. Como diz Miguel Sousa Tavares, não tenho dúvida que esta é mesmo “a cidade da alegria” e ao que me pareceu também, uma cidade que nunca se cansa, nem dorme.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

De Marraquexe a Tanger: Diário de viagem II


«Cá está outra vez a cidade da alegria» - foi a primeira coisa que pensei. Como é bom voltar a Marraquexe, a mais mágica das cidades do deserto! Devagar, deixamo-nos engolir pela cidade, caminhamos ao lado da multidão, em ruas onde se conquista, metro a metro, o espaço disputado aos peões, burros, carroças, motos, bicicletas, carros. Uma torrente eléctrica de fraca potência filtra a poeira suspensa no ar e caminhamos como se estivéssemos dentro de uma nuvem – de vozes, ruídos, cheiro a lenha queimada. (…) Não deve haver ninguém que fique dentro de casa assim que o Sol se põe: é como se a cidade inteira celebrasse a vida todos os fins do dia.» , Miguel Sousa Tavares, «Sul, viagens»

                                                                           Riad Rahba

O segundo dia de viagem foi todo passado em Marraquexe. Tomámos o pequeno-almoço num cafezinho perto do hotel, onde pude saborear umas apetitosas panquecas marroquinas com mel. As pastelarias exibem abundantes bancas repletas de bolos, o problema é que a maioria deles exibe um amontoado de moscas e abelhas, o que à boa maneira ocidental causa um certo receio.

Depois de um bom pequeno-almoço percorremos a cidade em busca do Museu Dar Si Saïd, mas acabamos por visitar primeiro o Palais Bahia, bastante interessante, sobretudo pela sua arquitectura e pelos jardins e pátios, já que não apresenta recheio ou mobiliário.

                                                                    Palais Bahia

 
Após, a visita encontrámos finalmente o Museu Dar Si Saïd. Este palácio construído no final do séc.XIX, foi convertido em museu em 1932. Entre as suas colecções encontram-se tapetes, armas, cerâmica, trajes e jóias, de grande beleza, pena é que nesse museu desconheçam noções como museologia, museografia ou conservação preventiva. Não devem ter técnicos qualificados, nem ter conhecimento de como se faz uma exposição, ou os cuidados a tomar com os objectos. Não quero ser preconceituosa, mas sim confesso que me fez uma certa confusão ir a um museu e ver as vitrinas todas sujas, com moscas mortas lá dentro, com suportes de esferovite antiquados, má iluminação, e sem contextualização nenhuma dos objectos. Acho que estes pormenores não terão a ver apenas com parcos financiamentos, mas com falta de sensibilidade para pequenos pormenores, que, sim, fazem toda a diferença.

Ao sairmos do museu, deixamo-nos emaranhar no tecido dos souks e deambulámos pelo bairro judaico. No souk comprei chá de menta, para fazer em Portugal e lembrar o sabor de Marrocos, e harissa, especiaria muito picante, feita a partir de uma malagueta, que se encontra no norte de Àfrica. Mas, ao almoço, bastou uma distracção e lá se foi a minha bela compra, deixei ficar as coisas no lugar onde comemos. O que vale é que voltei a comprar mais tarde o mesmo, noutro sítio. O almoço também não foi grande coisa, até porque a omeleta vegetariana que eu e outro companheiro de viagem pedimos, era simplesmente uma omeleta normal… simples!


À tarde com o calor a apertar e sem apetecer ter grandes planos acabei por ficar na esplanada de um café, na Praça Djemaa El Fna, à sombra, com uma brisa leve agradável, saboreando mais um delicioso chá de menta. Matar o tempo, ali me sentia eu. Sem nada para fazer, nada para pensar, nada mais importava ali. As rotinas, o stress, as ansiedades tinham ficado na Europa, ali o que importava era beber o chá, apreciar o ritmo da praça, admirar os turistas que chegavam, o que diziam, o que tinham comprado, desvendar os esquemas de venda que se preparavam entretanto… Ali sentia-me mesmo num mundo à parte, e estava a gostar disso, sem pressas, sem horários a cumprir!

Depois de repousar, demos mais um passeio pelos souks e acabámos por descobrir, num recanto escondido uma venda de antiguidades, a maior parte delas berberes, sendo que muitas poderiam ser mesmo peças de museu, possivelmente as esculturas africanas. Um dos membros do grupo da viagem, que procurava comprar em Marrocos instrumentos musicais, conseguiu ali concretizar duas das suas compras.

Ao fim da tarde, fomos fazer um passeio de “caleche” (charrete) por Marraquexe. Depois de muito negociarmos e de termos empatado o trânsito, porque o homem da caleche decidiu negociar o preço no meio da praça, lá nos decidimos. E ainda bem que o fizemos, pois através deste passeio, descobrimos uma zona nova da cidade, que não tínhamos ainda visto: Gueliz. É aí que se encontram as grandes lojas de marcas internacionais, as grandes cadeias de hotéis, os bares, o casino, o célebre Hotel Mamounia, onde ficou hospedado Winston Churchill entre outros famosos, e os bairros ricos da cidade. Só desta forma descobrimos que Marraquexe tem enormes assimetrias sociais e económicas.

No fim do passeio regressámos à Praça Djemmaa El Fna. Caía a noite e as luzes iluminavam a praça. O movimento intensificara-se e os restaurantes “móveis”, que víramos horas antes a serem transportados e ali montados enchiam-se de gente. No ar, o cheiro a brasa e a grelhados misturava-se com o cheiro da menta e das especiarias.

Jantámos num restaurante da praça e desta vez provei uma Tagine de Frango e um prato de frango com limão. Estava delicioso, apesar do atendimento não ter sido dos melhores. Felizmente, desde que pedimos auxílio a um rapaz na praça, onde comemos no dia anterior, que nos esclareceu como funcionam as gorjetas nos restaurantes, nunca mais passámos vergonhas…

Regressámos ao Riad para nos preparamos e descansarmos para a viagem ao sul que encetaríamos no dia a seguir. Enquanto isso, na praça havia um palco onde actuavam grupos folclóricos, e um pouco por todo lado pequenos grupos se formavam para ver pessoas jogando, dançando, tocando, cantando… Marraquexe é uma cidade que vive intensamente cada momento. Sensação igual só tive em Amesterdão…onde se sente o buliço e o sentimento de liberdade.