segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A todos um Bom Natal

Como todos os anos, eu cumpro o meu ritual de Natal: escrever umas palavras para dedicar aos amigos e enviá-las em forma de postal ou de e-mail. Não são muito originais, mas são as minhas palavras, que ofereço com muito apreço aos que me são próximos. Aqui fica a minha mensagem de Natal de 2008 para todos vós!


A mensagem de Natal que este ano vos trago é de Esperança verde e garrida,
Tal como o pinheiro que enfeitamos de bolas coloridas,
Por isso alindemos também o espírito,
E coloquemos no rosto o nosso melhor sorriso,
Dai tréguas à mágoa, ao desânimo e à tristeza
Que invade os nossos dias lamurientos,
De penas e de ais.
Mesmo em tempos de crise,
de tantos sonhos adiados e quebrados
Esqueçamos por momentos,
O que não temos,
Mas o que podemos dar…
O Natal aí está novamente,
Inundando as ruas,
de cânticos e de luz,
Não se compra,
Não se vende,
Contempla-se no brilho dos olhos marotos de uma criança,
Sente-se no ombro do amigo que nos ampara,
E na mão que se estende a um desconhecido.
Ouve-se nas palavras calorosas das pessoas…
Esse Natal, o verdadeiro, o da magia, o da família,
O do Espírito,
Conservemo-lo dentro de nós…
Não só agora, mas sempre! Todos os dias!


Ana
03-12-2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

Uma prenda especial...

Pois é, o Natal está aí novamente. Com tudo o que ele tem de bom e de menos interessante. Eu sou uma grande apreciadora do Natal, da magia que anda no ar, das luzes, dos cânticos, daquela alegria que começa a invadir-nos... embora reconheça que cada vez menos o Natal seja isso e se tenha tornado uma época materialista que nos deixa na bancarrota. Eu prefiro cultivar o lado bom do Natal e afastar-me cada vez mais dos rituais do consumismo excessivo. Gosto de dar e receber, como toda a gente, mas não faço disso um cavalo de batalha, e até aprecio mais as atitudes, os simbolismos inerentes à quadra. Talvez por isso tenha ficado tão contente com a prenda especial que recebi de uma amiga minha, que é cantora lírica nos seus tempos livres. Ela ofereceu-me um bilhete para um concerto de Natal no CCB, com a orquestra dos Divino Sospiro. Esta será sem dúvida uma prenda para não esquecer e disfrutar...Nesta altura gosto sempre de concertos de Natal, principalmente nas igrejas, talvez porque quando era adolescente cantei no Coro Infantil da Rádio Renascença e tenha ficado a memória dos tempos em que fazíamos os espectáculos de Natal.
Deixemo-nos embalar então pela alegria da música...já que restam tão poucas coisas que nos alegrem!!!



Mais sobre os Divino Suspiro



"Fundada pelo músico italiano Massimo Mazzeo, a Orquestra Barroca “Divino Sospiro” nasce da vontade e reunião de alguns músicos portugueses e residentes em Portugal que, no curso dos anos, desenvolveram um trabalho de grande qualidade artística na área da interpretação da música antiga seguindo os princípios de fidelidade estilística e estética ao período barroco e classico, propondo um repertório constituído por compositores do universo musical deste períodos artísticos. Numerosas foram as aparições públicas deste grupo musical, entre as quais as “Festas da Música” nas edições de 2003, 2005, e 2006, uma digressão a Itália que recebeu entusiástica atenção por parte de público e da crítica e festivais nacionais e internacionais como o Encontro de Musica Antiga de Loulé, o Festival de Musica de Leiria, o Festival d’Ile de France, concerto que foi gravado por Radio France, Teatro Nacional de São Carlos, Folle Journee de Nantes, Folle Journee au Japon onde se estreiou com grande sucesso de critica e publico que lhe dedicaram uma recepção de grande entusiasiasmo, Festival de Varna, Fevereiro Lirico em San Lorenzo de L’Escorial e o conceituado Festival d’Ambronay, onde o agrupamento, primeira orquestra Portuguesa, teve a honra de actuar no concerto de encerramento. As actividades do agrupamento incluem a gravação ao vivo do concerto dedicado a W.A Mozart (Sinfonia K550 e Serenada Notturna K239) para a gravadora Japonesa Nichion. Esta gravação recebeu no Japao o galardão de Bestseller e esteve varias semanas no topo de vendas nas maiores lojas especializadas daquele país. Divino Sospiro apresentou-se em concertos com algumas das maiores personalidades do panorama artístico a nível mundial táis como Rinaldo Alessandrini, Chiara Banchini, Alfredo Bernardini, Enrico Onofri, Christophe Coin, Katia e Marielle Labeque, Christina Pluhar, Alexandrina Pendachanska, Gemma Bertagnolli, Maria Cristina Kiehr, Vittorio Ghielmi entre outros.Entre múltiplas acções o Divino Sospiro desenvolve uma atenta actividade de aperfeiçoamento pedagógico e musical que teve como primeiros passos as Master Classes de violino barroco orientadas pelos eminentes violinistas Chiara Banchini e Enrico Onofri, organizadas respectivamente em colaboração com a Escola de Música do Conservatório Nacional e com o Centro Cultural de Belém e que continuaram até hoje, no CCB, com a presença importante de Rinaldo Alessandrini , Enrico Onofri, Chiara Banchini e Alfredo Bernardini, Alberto Grazzi, Vittorio Ghielmi. No verão de 2007 a Universidade de Evora entregou ao fundador do agrupamento o mandato para organizar um curso de verão na area da musica antiga; este festival contou com a presença de alguns dos maiores nomes de sempre: Gustav Leonhardt, Maria Cristina Kiehr, Enrico Onofri, Alfredo Bernardini. Sempre na vertente educativa destaca-se o convite feito ao Divino Sospiro pela Reitoria da Universidade de Evora para a abertura de mestrado em interpretação com instrmentos antigos em colaboração com o departemento de musica da UE.Divino Sospiro é actualmente Orquestra Residente do Centro Cultural de Belém em Lisboa, sendo este facto de fundamental e recíproca importância para o desenvolvimento em Portugal de uma realidade artística de alta qualidade a nível internacional, e conta regularmente com a direcção de Enrico Onofri que aceitou o convite para Maestro oficial deste agrupamento."


In: http://www.divinosospiro.com/index2.htm

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Exposição "Refúgio", de Tiago Canhoto - O fotógrafo de Sines mostra as melhores imagens que captou das paisagens da região.

Hoje faço aqui um pequeno destaque à exposição de fotografia do meu amigo Tiago Canhoto. Companheiro das lides docentes no Cercal do Alentejo, professor de "genásteca", como nós lhe chamávamos na brincadeira, o Tiago surpreendeu-nos a todos com a descoberta pela fotografia. Algumas das fotos dele são mesmo um espanto, aquela paisagem daquele canto alentejano litoral, desde Sines, a Santiago do Cacém, ao Cercal, são também para mim um pouco do paraíso na terra, paraíso esse que já não revejo há algum tempo e que me fazia tão bem rever... é sempre bom voltarmos aos lugares onde fomos felizes, e aí fui-o muito mesmo, pelas mais diversas razões. Para ti Tiago, os meus parabéns! Continua môço, tens talento!

Tiago Canhoto nasceu em Lisboa em 1973, mas reside em Sines desde então. Para além do ensino da educação física, a sua grande paixão é a fotografia, em particular sobre a região.Fotografa desde 2005 e descobriu a fotografia por intermédio de um amigo. Sines e a sua beleza natural e paisagística, são os principais motivos fotográficos.


"Gosto de todo o tipo de fotografia, mas o que mais me cativa é fazer fotografia desportiva, paisagística e fotojornalismo. Para já, a fotografia é um hobby, um passatempo, mas gostaria que um dia evoluísse para outro nível. Quem sabe... Só o futuro o dirá. "

"Dou voltas e voltas e acabo por regressar aqui... e é como se fosse sempre a primeira vez! Não me canso de olhar este mar sem fim, este azul raiado de verde e de branco e da cor que existe no mais fundo de mim. Trago comigo o cansaço dos dias, os fantasmas que me perseguem nas noites mal dormidas e a vontade inabalável de acreditar que o amanhã será melhor. Por isso regresso sempre! E aspiro o cheiro a sal, a terra, a urze e a rosmaninho, num casamento perfeito que só a costa alentejana tem para oferecer.Este é o meu refúgio... concentro-me no enquadramento, na velocidade, na abertura, na focagem. É a minha terapia.Aqui estão as minhas raízes, sinto-o enquanto capto movimentos, cores, momentos únicos que passam despercebidos na rotina do dia-a-dia. E sinto-me renascer ao conseguir aprisioná-los pela objectiva... assim poderei sempre revisitá-los e reviver as emoções sentidas.Este é o meu momento de partilha, aqui é o meu refúgio."

In: http://www.centrodeartesdesines.com.pt/programacao/2008/200811/200811_tiagocanhoto.htm

Mais informação: http://www.tiagocanhoto.com/

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Fim-de-semana na Serra dos Candeeiros

Já há algum tempo que me vinha a apetecer fazer um corte na rotina do dia-a-dia e sair de Lisboa, ver paisagens diferentes que não fossem as de Lisboa, Almada e Seixal.
A ideia de ir até à Serra dos Candeeiros partiu da Cláudia, grande companheira de saídas radicais, de caminhadas e espeleologia em grutas na Serra de Montejunto e em Salir do Porto.
Como o tempo já não está bom para acampar, desta vez ficamos instalados numa magnífica casa de abrigo, junto à povoação de Casais do Vale de Vento.
Como o frio era cortante e a chuva por vezes caía, acabámos por ficar mais em casa do que no exterior, ficando de volta da enorme lareira que enchia a sala, aquecendo-nos, jogando sem parar. Afinal de contas também sabe bem um pouco de descanso! A comida não faltou, estava óptima a massa de cogumelos da Claudenise, e soberbo o risotto do Paulo (só foi pena ele ter-se esquecido de trazer o arroz, e ter de se ir buscar o arroz para o dito cozinhado ao restaurante, mas acontece aos melhores!!) além da castanha assada, e da febra na brasa.
Para desentorpecer as pernas, fizemos duas pequenas caminhadas pela serra, dando para explorar um pouco o meio que nos envolvia. Descobri que caminhar com o frio é óptimo, principalmente quando se começa a subir, pois o corpo aquece e deixa de se sentir o frio gélido do ambiente à nossa volta. Nunca pensei que iria transpirar com aquelas temperaturas tão baixas…
No regresso, deu ainda para visitar as Grutas de Alvados, das quais aqui deixo algumas fotografias… Um fim-de-semana à maneira sem dúvida….







segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Mais uma perda na Antropologia...


Foi com alguma consternação que recebi o e-mail do Luís Maçarico a comunicar-me o falecimento do Prof. Carlos Henriques de Jesus, Biólogo e Antropólogo, Professor das Universidades Nova de Lisboa, de Évora, do ISPA, Investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência, após doença prolongada.

Num espaço curto de tempo, já vi desaparecer três professores da minha licenciatura em Antropologia, primeiro o Prof. Mesquitela Lima, a Profª. Jill Dias e agora o Prof. Carlos Jesus. Uma geração de professores que se começa a perder, nomes e referências importantes do mundo da Antropologia...

Ainda me recordo com alguma nostalgia do ar meio louco e divertido do Prof.Carlos Jesus, a imitar a lula gigante nas suas aulas sempre tão engraçadas, dele a gritar no meio da aula, para que o ouvissem no Porto. Exemplos à partida pouco pedagógicos mas que ficaram na minha memória... Um professor sem dúvida polémico e fora do vulgar. Paz à sua alma, espero que na eternidade ele alcance a tranquilidade, pois ele era sem dúvida um espírito inquieto.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Auto-retrato... aulas de fotografia digital





Eis aqui alguns dos meus exercícios do curso de Fotografia Digital: um auto-retrato... a precisar de muito mais prática. Um mundo para explorar e conhecer... cheio de técnicas e de conhecimentos que nem sempre são fáceis de pôr em prática...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Em tempos de crise… vende-se poesia!

Num destes dias enquanto me passeava pelo Chiado, fui abordada na rua por uma mulher. Trazia na mão uma pasta, pelo que pensei que me fosse pedir para responder a um inquérito ou até quem sabe vender qualquer coisa. Teria passado em frente, se não fosse o modo como ela me interpelou «-Gosta de poesia?». Achei aquela abordagem diferente da habitual e apesar de já esperar que poderia trazer algo no bico, decidi dar àquela desconhecida um pouco da minha atenção. Quando lhe respondi que sim, que gostava de poesia, ela perguntou-me se eu queria de ler um poema dela. Eu fiquei um pouco perplexa, disse-lhe que sim, mas cheguei a pensar se ela seria boa da cabeça. Ninguém se aproxima de alguém na rua para pedir que leiam os seus poemas. Eu, um pouco acabrunhada, li o poema. Quando acabei ela disse-me com um ar um pouco encolhido, que a crise a fazia vender os seus poemas, precisava de dinheiro… Se fosse só para ler, não era nada, mas se fosse para levar seria 2 €. Perguntou-me depois o que eu achara do poema. Naqueles momentos, nem tinha conseguido assimilar bem ainda as letras que acabara de ler, mas o poema chamado «Inquietude», soava todo ele a crise e a desespero, tal como a face da sua autora, um pouco angustiada.
Apeteceu-me ajudá-la só pela sinceridade dela, não me pareceu que me enganasse, precisava de sobreviver e vendia o que sabia fazer, escrever. Mas, quando olhei a carteira, não tinha dinheiro suficiente. Ela ao ver que eu não tinha dinheiro, quis oferecer-me o poema na mesma, dizendo-me que o levasse mesmo assim. Encontrei algumas moedas na carteira e dei-lhe como agradecimento. Assinou-me o poema com uma letra irreconhecível e eu segui o meu caminho. Mas ia tocada por aquele momento, pensando que em tempos de crise, já se vende tudo, até a poesia! Dá que pensar…sobretudo na história de vida que estaria por trás daquela mulher.
Deixo aqui o poema, esperando que a autora não ache um abuso da minha parte, dando a conhecer as suas palavras. Pena tenho que o seu nome não seja reconhecível. Desejo-lhe dias mais felizes e inspirações mais coloridas.


Inquietude

É no fundo do mar
Que nasce a minha inquietude
Flutua subtilmente como uma medusa
E acompanham-me a angústia
E a insónia
Levando-me aos desespero
A preto e branco…
Negativo da bipolaridade
Focado até ao absurdo.
É à noite que acontecem as explosões
Seguidas de silêncio, antecedidas de saliva
Suor, secreções…
Seja lá como for haverá um final feliz algures…
Fuga manhã loucura.
Inevitavelmente regresso ao útero da palavra.

(autora com assinatura irreconhecível, que deambulava pela Rua Garrett, no dia 8-10-2008).

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Lançamento de dois livros nos Combatentes

LANÇAMENTO DE DOIS LIVROS DE POESIA
Dia 29 de Outubro, quarta-feira, no Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes" foram lançados dois livros de poesia, um de Luís Filipe Maçarico, "Cadernos de Areia", e outro de Paula Lucas da Silva, "Gardunha: Silêncios de Granito". Esta autora é natural de Alpedrinha e é professora de filosofia no Cacém, onde reside.
A sua poesia fala-nos da magia de uma serra e de um povo que vive em casas de granito, cenário propício a uma poesia que vem de dentro, do sangue, da vivência desses caminhos onde o silêncio mora entre cerejais e castanheiros... Rosa Dias e Maria Eugénia abrilhantaram a noite com a declamação de poemas seus.

Luís Maçarico e Paula Silva Lucas


A apresentação do livro do Luís Maçarico foi feita por mim e contou com a leitura de outros livros do autor por Álvaro Faria, Flávio Gil e Nádia Nogueira. O professor de árabe Tiago Bensetil declamou 3 poemas do novo livro, naquela língua. Um dos momentos altos da noite foi mesmo o cantar de parabéns ao Luís e a animação musical com acordeão, com três jovens bastante talentosos.

Eu e o Luís Maçarico


Breves palavras sobre o Luís Maçarico


O Luís nasceu em Évora há 56 anos, mas foi em Lisboa que cresceu e sempre viveu. Segundo as suas próprias palavras, foi aqui que aprendeu a ser poeta, apoiado no parapeito da velha janela da sua casa em Alcântara, que transformou num beiral de sonhos. Diante dos seus olhos desfilaram varinas, vagabundos, mulheres dos figos, trapeiras, peixeiras, saltimbancos, robertos, homens e mulheres com a vida marcada pelo ritmo das fábricas. Foi neste cenário de Lisboa e com estas personagens típicas da cidade dos anos 50 que o imaginário do Luís cresceu.
O menino que se fez homem, tornou-se poeta e nos seus poemas passou a deixar impressa a sua marca, o seu olhar atento sobre o que o rodeava, afirmando neles as suas convicções, os seus ideais e sentimentos.
Esta sensibilidade do Luís perante o meio envolvente, perante as pessoas e as suas vidas, levou-o mais tarde a interessar-se por Antropologia, tendo-se licenciado nesta ciência, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova. Desde essa altura, documentou tradições, trajectos pessoais e recolhas orais sobre aspectos sociais e culturais e produziu alguns estudos sobre colectividades, entre os quais se destaca “Um Antropólogo no Associativismo”. Em 2005, completou o Mestrado em Antropologia (Patrimónios e Identidades) no ISCTE - Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa- com a tese de dissertação “Os processos de construção de um herói do imaginário popular - o Caso de Santa Camarão”.
No âmbito antropológico, o Luís Maçarico escreveu ainda inúmeros trabalhos de investigação para revistas, nomeadamente “O Alentejo, o Cante e os seus Poetas” (Arquivo de Beja) “A Função Antropológica da Aldraba: Da Origem Simbólica à Morte Funcional” (Arqueologia Medieval), “Aldrabas e Batentes de Montemor-o-Novo: Um Olhar Antropológico” (Almansor) e “Os Morábitos na Arquitectura Religiosa do Sul” (Callípole), «O imaginário popular e a patrimonilização em Murfacém» (Anais de Almada), entre muitos outros.

A poesia e a antropologia cruzam-se e complementam-se na vida do autor, inspirando-o, pois atrás de um texto antropológico ou de um poema, outro vem. Ao todo, o Luís Maçarico publicou catorze livros de poesia, nove textos de literatura infantil, uma biografia e um volume de contos. Vários textos, quer em prosa quer em poesia, representam a sua escrita em treze antologias. São mais de dois mil os poemas divulgados na imprensa, onde continua a colaborar, com crónicas de viagem, entrevistas e artigos de intervenção, nomeadamente no jornal “Conversas de Café”.
Trata-se pois de um autor versátil e completo. Como lhe chamou Paula Cristina Lucas da Silva na introdução de um dos seus livros, o Luís Maçarico é um poeta de pan, o que quer dizer que “significa tudo, ou o todo, o mundo, o universal), cabendo nessa acepção tudo o que o poeta canta, ou seja “o corpo, a luz, a terra, as gentes, os sonhos, os desejos, os sentidos, a aventura, o destino, a palavra, os lugares, as sensações, as memórias, os homens, a solidão, as cidades, o campo, os mistérios, as crianças, os sentimentos, a amizade, as paisagens, os medos, os mitos, a intimidade, enfim a vida”.(In: vagabundo da Luz).

Cadernos de Areia

Esta minha participação neste lançamento e no prefácio do livro surgiu como arte do destino e teve um significado especial para mim, pois quando o Luís me falou que pretendia publicar um livro com alguns poemas seus sobre a Tunísia, eu tinha acabado de chegar de uma viagem de férias a esse país do norte de África e começava a escrever algumas reflexões sobre o mesmo. Estava tudo ainda muito fresco na memória e quando partilhei esses momentos com o Luís, o convite para esta participação surgiu logo ali, deixando-me surpresa, agradada e de certo modo um pouco ansiosa, por ser grande a minha responsabilidade, a de honrar a palavra deste poeta e amigo.
As viagens e os itinerários, dentro e fora do país, os contactos que estabelece com as pessoas que vai conhecendo e descobrindo, constituem sempre para o Luís Maçarico um bom pretexto para escrever, sendo através da poesia que melhor expressa os seus sentimentos e as impressões dos lugares que percorre.


O livro que hoje aqui falamos, Cadernos de Areia é disso prova, constituindo quase que um diário de bordo, onde o Luís regista as suas sensações e nos descreve alguns sítios e lugares da Tunísia, país que visita regularmente desde os anos 90. Fala-nos com a voz do poeta, mas com o olhar do etnógrafo que há dentro de si, acompanhando o ritmo de vida dos tunisinos. Fala-nos de pescadores que tecem as suas vidas no mar; do movimento dos souks e dos comerciantes ávidos de um bom negócio; dos homens que passam as suas horas de ócio no café convivendo, dos dias que passam lentamente, sem pressas. E estas descrições são tão sensoriais que quase conseguimos ouvir o som das ruas, o eco vibrante do almuedine - cântico de chamamento para as cinco orações diárias do Islão, a ondulação do mar na Ilha de Jerba, o regateio nos souks; o cheiro intenso a jasmim, a rosa e a maresia ao entardecer, o forte aroma a especiarias nos mercados, o sabor condimentado do cuscuz e do adocicado chá de menta.
Através destes Cadernos de Areia, viajamos e acompanhamos o percurso do poeta em várias terras da Tunísia e testemunhamos o seu deslumbramento. Conhecemos paisagens e geografias diferentes, avistamos palmeiras que esvoaçam ao vento, sentimos no rosto o bafo quente trazido do deserto. Deserto esse tão solitário, tão profundo e silencioso, onde se reconhecem caminhos antes já traçados e percorridos. Prova de fogo este caminho debaixo de sol escaldante, rumo ao oásis no dorso de um camelo. E a areia fina escorre por entre os dedos, como os passos que damos e em instantes se tornam memórias do lugar. Entramos nas magníficas ruelas pintadas de branco e azul de Sidi Bou Said, caminhamos por Le Kef, Gafsa e Gabès, contemplamos o entardecer em Cartago e sonhamos com “chás de estrelas”.
Poesia de viagem, de memórias e de afectos, este livro é sem sombra de dúvida uma incursão por um país que ecoa dentro de nós.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

XIV Fórum sobre património marítimo do Mediterrâneo no Seixal – 24 e 25 de Outubro de 2008

Decorreu entre 24 e 25 de Outubro de 2008, no Ecomuseu do Seixal o XIV Fórum da Associação dos Museus Marítimos do Mediterrâneo, tendo tido como tema os "Inventários e divulgação de património marítimo e fluvial - o papel dos museus e a participação das comunidades". Inserida na programação desde fórum esteve a visita ao Palhabote Santa Eulália, do Museu Marítimo de Barcelona, o qual esteve atracado na Doca da Rocha de Conde de Óbidos na última semana. Foi uma oportunidade única para ver este belo exemplar em águas lusas, pois regressou à Catalunha no dia 25 de Outubro, ao anoitecer. Os palhabotes são embarcações com casco de madeira e com aparelho de escuna, que se utilizavam como cargueiros. Este tipo de veleiros foi adoptado em finais do séc. XIC, pelos armadores espanhóis, que procuravam um tipo de barco pequeno, rápido e de tripulação reduzida. Um pouco da história do Palhabote Santa Eulália Este palhabote de três mastros chamou-se Carmen Flores e foi construído na praia de Torrevieja (Alicante), em 1918. O armador que o mandou construir foi o comerciante Pascual Flores. A 28 de Dezembro de 1918, a embarcação recebeu a sua licença de navegação e dedicou-se então ao transporte de mercadorias, especialmente cereais, madeira, sal e minério. Em 1921, realizou a sua primeira viagem à América, levando sal e trazendo cereais. Em 1931, este palhabote foi adquirido por Jaume Oliver, armador marroquino que lhe mudou o nome para Puerto de Palma e lhe instalou o motor, transformando-o num moto veleiro. Retirou-lhe também o mastro da mezena. Em 1936 foi comprado pela companhia marroquina «Naviera Mallorquina, que o rebaptizou de Cala Sans Vincens, nome de um outro barco da companhia, que tinha naufragado em 1935. O palhabote navegou até 1975, com esse nome, quando foi comprado pela empresa Sayremar, que se dedicava a trabalhos subaquáticos e de salvamento. Teve outro nome, agora como Sayremar Uno. Em Janeiro de 1997, o barco passou para as mãos do Museu Marítimo de Barcelona e foi restaurado, tendo passado a chamar-se Santa Eulália. O processo de restauro foi oficialmente concluído com a participação do barco na regata Ruta de la Sal, em Abril de 2001. Para os que não tiveram a sorte de testemunhar a sua beleza, deixo aqui algumas fotos para admirarem este exemplo vivo de património marítimo navegante.


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago



Devo confessar que a exposição que vi sobre a vida deste homem, em Julho, no Palácio da Ajuda, me fez desbloquear o trauma, o medo, o mito, eu sei lá, que tinha em relação à escrita deste homem.
Desde Julho, já li três livros seguidos dele, dois volumes dos Cadernos de Lanzarote, onde o escritor narra em forma de diário, o seu quotidiano e a sua vida atarefada, as suas deslocações constantes em diversas partes do globo, quer seja promovendo os seus livros ou fazendo conferências. No período que abrange estes primeiros dois volumes dos Cadernos, dá para perceber, que a sua actividade literária tem de se conciliar muito bem com a sua agenda de entrevistas, depoimentos, artigos de opinião que faz, entre outros vários aspectos. Estes cadernos são óptimas leituras para quem se interesse em conhecer melhor como é o homem por trás do escritor, embora não seja intenção de José Saramago que estes livros o revelem ou exponham a sua vida privada com Pilar. São antes importantes testemunhos sobre a sua forma de pensar e a sua posição sobre o mundo.
Mas destes três livros, foi o Ensaio da Cegueira que me surpreendeu verdadeiramente. Já conhecia a história desde há alguns anos, pois já tinha visto a peça de teatro inspirada na obra, pelo grupo «O Bando», na Trindade. No entanto, ou foi a memória que me traiu e não me recordou de toda a trama, ou alguns aspectos na peça não foram tão perturbadores como este livro.
Confesso que várias vezes estive para desistir de o ler, não pela dificuldade da linguagem ou pela forma como o autor escreve os diálogos, sem pontuação, mas pela força do texto, pela experiência tão real que me fez sentir, um verdadeira viagem ao mundo das trevas, que me acompanhou no último mês. Não há dúvida que Saramago toca na ferida, naquele ponto fraco que a nossa civilização tem: a tecnologia e o bem-estar que a maioria de nós possui nas suas vidas. Não pensamos no que nos faz falta, senão quando o perdemos, e é bem verdade… Se um dia destes, tal como as personagens do livro, (com excepção da mulher do médico) todos nós começássemos a sofrer de uma cegueira colectiva, e deixássemos de poder viver como vivemos, o que aconteceria à ordem das coisas? Na verdade, sempre existiram cegos, mas sempre auxiliados por toda uma estrutura de bens e serviços desenvolvidos por gente que vê.
No livro do Saramago, a cegueira torna inalcançável todos os bens essenciais à sobrevivência da humanidade, é-se privado de água potável, electricidade, alimentos, meios de comunicação, tudo porque toda a gente cegou e não há quem possa trabalhar. Por ser “o salve-se quem puder”, o mais importante é mesmo a lei da sobrevivência, e com essa luta, vêm à superfície também a falta de escrúpulos, a imoralidade e a indignidade humana. Joga-se com qualquer moeda de troca para arranjar comida, a qual passa pela chantagem, pelo roubo, pela violação, pelo engano, pelo consentimento da desonra.
As cenas do livro sucedem-se, cada vez mais fortes e mais difíceis de digerir, mas trata-se sem dúvida de um olhar bastante realista sobre a nossa desorientação perante uma tragédia, uma calamidade como esta, que afinal, tirando o facto de ficarmos todos cegos (atendendo aqui que a cegueira é uma metáfora), pode bem um dia acontecer. Lido numa altura, em que tanto se fala da crise financeira a nível mundial, este livro que fala de cegueira, fez-me reflectir várias vezes, sobre a linha vermelha que andamos quase todos em risco de pisar. E se passarmos essa barreira, o que estará para além dela? Num mundo em que nos habituamos ao conforto e à opulência, como viveremos se tudo ruir?
Penso que o livro do Saramago é nesta perspectiva, e no meu entender, um grito de alerta para a cegueira com que vivemos, com olhos de ver, mas não de observar, sem dar verdadeira atenção às coisas verdadeiramente importantes, a empenharmos-nos até à medula, a ter tudo quanto é novo modelo e de primeira qualidade, e para quê? Tudo futilidades que alimentam o ego, mas tão pouco o ser…
Enfim, estas são apenas algumas linhas de reflexão que queria partilhar convosco, assim como dizer-vos, que ainda bem que tive coragem de ir com o livro até ao fim. Não tenho dúvidas que o Saramago fez um excelente trabalho nesta obra. Aos poucos irei lendo as outras…. Muitos mundos tenho ainda por descobrir!

Inauguração do Banco do Tempo em Almada


Foi inaugurado no dia 11 de Outubro o Banco do Tempo de Almada, na Cooperativa Mó de Vida, no Pragal.
A inauguração contou com a presença do GRAAL, instituição responsável pela introdução do Banco do Tempo em Portugal e pelas suas actuais 22 agências, e com os pré-inscritos no Banco do Tempo, onde estou incluída.
A sessão contou com alguns esclarecimentos gerais sobre a filosofia do Banco do Tempo, tendo sido passado um pequeno filme de divulgação em relação ao mesmo. Recordo que o Banco do Tempo surgiu em Portugal em 2001, tendo nascido na Itália.
A partir de agora o Banco do Tempo de Almada existe e conta com o apoio de todos aqueles que se revêem no papel de dar um pouco do seu tempo ao seu semelhante e receber em troca outro serviço ou ensinamento.
Para que fiquem melhor esclarecidos eu tentarei resumir o modo como tudo se processa.

Funcionamento do Banco do Tempo

O Banco do Tempo funciona tal como um banco, mas de uma forma simbólica. Funciona com investidores que estejam dispostos a dar uma hora do seu tempo para prestar um conjunto de serviços, recebendo em retribuição uma hora para utilizar em benefício próprio.

Troca por troca. Hora por Hora.

Exemplos de serviços:
Acompanhamento de crianças, aprender uma língua/ um instrumento de música, bricolage, ajuda doméstica, aprender a cozinhar, acompanhamento médico, acompanhamento a espectáculos, caminhadas… (um mundo infinito de hipóteses).

Objectivos do Banco do Tempo

O Banco do Tempo existe para apoiar a família e a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar através da oferta de soluções práticas da organização da vida quotidiana.
Construir uma cultura de solidariedade e promover o sentido de comunidade, o encontro de pessoas que convivem nos mesmos espaços, a colaboração entre gerações e a construção de relações sociais mais humanas.
Valorizar o tempo e o cuidado dos outros, estimular os talentos e promover o reconhecimento das capacidades de cada um.
Promover a cooperação entre várias entidades públicas ou privadas.

Caso resida no concelho de Almada e esta ideia lhe parecer interessante, não hesite em inscrever-se.

Contactos:

Mó de Vida
Calçadinha da Horta, 19
2800-564 Pragal- Almada
Telefone: 212720641

E-mail: btmodevidagmail.com
Blogue: http://bancodotempomodevida.blogspot.com/
Os horários de atendimento do Banco do Tempo realizam-se nos seguintes dias:

3ªs feiras das 18h às 20h
Aos sábados das 16 às 20h

Para conhecer melhor o percurso e história do Banco do Tempo em Portugal, aceda ao site do GRAAL

http://www.graal.org.pt/

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

9ª Festa do Cinema Francês em pleno

Já teve início a 9ª Festa do Cinema Francês, a decorrer em diversos pontos do país, no Porto, Coimbra, Lisboa, Almada e Faro.
Neste evento podem ver-se as mais diversas longas-metragens em exclusivo e estreia absoluta. Uma boa oportunidade para ver as novidades, algumas das quais nem devem ter estreia em Portugal.

Até agora só pude ver ainda um filme, ou melhor um documentário, por sinal belíssimo. O seu nome é «Le premier Cri», que em português quer dizer o primeiro choro, e data de 2007. De uma natureza antropológica tocante, o realizador Gilles de Maistre documenta a maternidade em diferentes pontos do mundo e em diferentes culturas, assim como os seus mitos e os seus rituais. Acompanha os últimos dias de gravidez de diferentes mulheres desde a Índia, à Sibéria, ao Canadá, ao deserto sub-sahariano, aos índios da amazónia, à França, ao Japão, ao México e à China. Apresenta um pouco de todas as realidades, desde aquelas em que a maternidade é um ritual colectivo das mulheres da população, entre elas as mais velhas, as parteiras ou feiticeiras, até àquelas que vivendo no conforto da civilização ocidental, como a do Canadá, prefere ter o filho em casa, sem assistência hospitalar nem recurso de parteira, fazendo o parto, em casa, junto do marido e de alguns amigos chegados. Outras belas imagens chegam do México, onde parece começar a ser moda os partos na água, em piscinas ou na água do mar, geralmente junto de golfinhos. Uma forma de parto, pelo que percebi menos traumatizante para a criança, que vive durante nove meses numa placenta.
Estas várias histórias destas mulheres do mundo têm em comum o nascimento dos seus bebés e o facto de parirem todas no mesmo dia em que acontece um fenómeno astronómico, um eclipse solar.

Segundo palavras do próprio realizador, pode dizer-se que este documentário « é um retrato do mundo actual. Um instante emocional, sem julgamentos, nem lições de moral, que ao mesmo tempo revela uma série de questões: as desigualdades sociais e económicas, o acesso à saúde, a ecologia, as contradições entre a natureza e os excessos do progresso, as falhas e as vitórias da ciência».


Até dia 2 de Novembro aproveitem os bons filmes que a Festa nos traz.

Mais informações no site:

http://www.festadocinemafrances.com/


Aí poderão ter acesso à programação e visualizar os trailers dos filmes, uma boa forma de seleccionarem os filmes que pretendem ver.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Jornadas do Património - Dias da Fotografia em Almada


Jornadas Europeias do património 2008





Dias da Fotografia no Museu da Cidade de Almada

De 26 a 28 de Setembro realizam.se as Jornadas do Património com múltiplas actividades um pouco por todo o país. Recomendo aos habitantes de Almada e não só que participem na iniciativa «Dias da Fotografia», no Museu da Cidade de Almada.
Esta iniciativa insere-se no âmbito da valorização e divulgação do património à guarda do Museu, e tem como objectivo fundamental criar uma oportunidade para as pessoas se tornarem ainda mais protagonistas do património e em particular do legado cultural que está à sua própria guarda.
Para tal vão existir visitas orientadas sobre o papel da imagem no Museu da Cidade e mesas temáticas com álbuns fotográficos do Museu e de colaboradores convidados, com exemplos de utilização de fotografias de particulares em exposições do Museu e com materiais de arquivo e conservação onde serão demonstradas formas simples e práticas de conservação de fotografias.

Mesas temáticas, dias 26 e 27 das 10.00h - 18.00h
Visitas Orientadas (nº máximo de participantes: 25), dia 26, Sexta: 11.00h
dia 27, Sábado: 15.00h
Museu da Cidade - Praça João Raimundo, Cova da Piedade
Tel.: 21 273 40 30 / 32

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Actividades do Saltimbanco em Outubro

Mais uma vez aqui deixo ficar dicas para os vossos tempos livres. O Saltimbanco está cheio de novas ideias e projectos:

ANIMAÇÃO AO AR LIVRE … para todas as idades:

Foto Paper «Nos Trilhos do 28. Da Estrela a Alfama»
Sábado, 4 de Outubro, 14h (ponto de encontro: Basílica da Estrela)
Preço: 3 €
Requisito: Máquina Fotográfica Digital
Inscrições prévias pelo telm: 917727683 ou pelo e-mail info@osaltimbanco.org

Caça ao Tesouro em Belém
Sábado, 11 de Outubro, 15h (ponto de encontro: Mcdonalds de Belém)
Preço: 3 €
Inscrições prévias pelo telm: 917727683 ou pelo e-mail info@osaltimbanco.org

Oficina de Escrita Criativa «Escrever em caminho na Sétima Colina»
Sábado, 18 de Outubro, 14h (ponto de encontro: Jardim de São Pedro de Alcântara)
Preço: 3 €
Requisito recomendado: Máquina Fotográfica Digital
Inscrições prévias pelo telm: 917727683 ou pelo e-mail info@osaltimbanco.org


FORMAÇÃO para Adultos e crianças, em Alvalade*:
*Centro de Estudo e Explicações Moremind – Espaço Parceiro do SALTIMBANCO
(Rua Ricardo Jorge, 11, 2.º andar, Alvalade, tel. 21 847 21 93, e-mail: students-alvalade@moremind.info)

inscrições abertas!

Português para Estrangeiros

Duração: (20 horas: duas sessões semanais de 2h)
Preço: 100 € (em grupo) PREÇO PROMOCIONAL
Horário: Pós-laboral ou laboral
Início: A partir de 20 de Outubro


Iniciação ao Italiano
Duração: (20 horas: uma sessão semanal de 2 horas)
Preço: 100 € (em grupo) PREÇO PROMOCIONAL
Horário: Sábados, 15h às 17h
Início: 11 de Outubro


Iniciação à Fotografia Digital
Duração: (10 horas: uma sessão semanal de 2 horas)
Preço: 75 € (em grupo)
Requisitos: Computador Portátil e Máquina Fotográfica
próprios.
Horário: Sábados, 10h às 12h
Início: 25 de Outubro

Clube de Inglês para Miúdos e Graúdos
Horário: Sábados, 10h/11h ou 4ª feira das 18h às 19h
Preço: 22 € /mês Desconto 10% na inscrição de dois ou mais familiares
Um espaço de Iniciação ao Inglês que tem como objectivo associar miúdos e graúdos na descoberta da língua e da cultura inglesa.

Clube de Jornalismo (10 aos 15 anos)
Horário: Sábados, 11h/12h
Preço: 22 € /mês
O Jornalismo como ferramenta de motivação e de investigação para a aprendizagem das matérias escolares e do mundo em volta. Os “sócios” deste clube terão direito a actividades de exterior, como reportagens, visitas de estudo e passeios temáticos.

Clube de Ciências (8 aos 14 anos)
Horário: 2ª feira das 18h00 às 19h00
Preço: 22 € /mês
O objectivo deste Clube é realizar actividades práticas, motivadoras e pedagógicas, através de experiências, observações e projectos científicos que suscitem o espírito do cientista no aluno. Os “Sócios” deste clube beneficiarão de saídas de campo e visitas de estudo, regularmente, de modo gratuito!



Inscrições e pedidos de informação para:
917727683 ou info@osaltimbanco.org

e ainda ver: http://www.osaltimbanco.blogspot.com/
e http://www.trilhosdesaltimbanco.blogspot.com/

domingo, 21 de setembro de 2008

Sugestão de cinema


Neste sábado gostei dos rumos que a tarde tomou... passo antepasso, sem nada pensado ou combinado. O tempo tinha mudado, as nuvens aligeiraram o seu ar carrancudo da manhã e o sol começava a espreitar timidamente. Apetecia-me fazer algo diferente dos últimos fins de semana, passados na Margem Sul, e aproveitar mais da vida que costumava ter em Lisboa. Fui até ao Pátio Bagatela, perto das Amoreiras, até uma esplanada, onde pude beber um magnífico Capuccino e por a leitura de revistas em dia. Depois de ver as novidades, procurei o cartaz de cinema. Apetecia-me ver algo que não fosse a estupada comercial que as grandes superfícies oferecem, com algum conteúdo para variar...e de preferência francês, pois sou grande apreciadora e em Almada não passa esse tipo de cinema. Bingo! Acabou de estrear um filme chamado «Bem-Vindo ao Norte», e que pelo que diz a imprensa é o filme francês mais visto de sempre, com lucros de mais de cem milhões de euros. É passado no Norte de França, e é uma comédia regional "positiva" e popular.


Sinopse retirada do Diário de Notícias Online:

«O filme conta a história de um director dos correios (Kad Merad) do Sul de França que mente para obter uma colocação à beira-mar. É descoberto, e castigado com a chefia da estação de Bergues, no Norte. Um exílio gelado, boçal e agreste, pensa ele.Lá chegado, conhece o castiço carteiro local (Dany Boon), e descobre que a região é acolhedora, a gente calorosa e divertida, e a comida boa. Embora o ch'timi seja problemático de entender».


O certo é que se trata de um filme muito bem disposto, muito engraçado, que se vê muito bem. Uma verdadeira brisa de ar fresco, numa altura em que se consome cinema de bombas e artifício, recheado de violência e animosidade. Quem goste de rir como eu e de cinema francês é obrigatório! Atenção que está aí a estoirar o Festival de Cinema Francês em inícios de Outubro!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Campanha de adopção de animais no Seixal


O próximo sábado, 13 de Setembro, entre as 10 e as 17 horas, é dia de mais uma campanha suplementar do Adopte um Amigo de Quatro Patas no Canil/Gatil Municipal. Existem para adopção 68 cães adultos, 4 cachorros, 10 gatos adultos e 6 gatinhos.
Para adoptar um animal, é necessário ter mais de 18 anos, apresentar documento de identificação pessoal e preencher um termo de responsabilidade de posse de animal.
A iniciativa conta com o apoio do Grupo de Voluntários do Canil/Gatil Municipal.
Próximas campanhas

27 de Setembro

25 de Outubro

29 de Novembro

13 de Dezembro

suplementar27 de Dezembro

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Cruzeiro no Douro: Porto –Régua

O objectivo da minha visita ao Porto foi precisamente a realização de um cruzeiro no Douro. Há alguns anos que andava para o fazer e nunca tive oportunidade para o fazer. Tratei de tudo pela Internet, depois de ter feito longas pesquisas de cruzeiros, operadores, itinerários e preços, acabei por fazer a reserva por e-mail e fazer o pagamento através de transferência bancária. Só precisei imprimir o vocher enviado, servindo como bilhete.
Como optamos pela descida do Douro de barco, o percurso até à Régua era feito de comboio. Por esse motivo, o ponto de encontro foi pelas 8.45 na Estação de S.Bento. O comboio não era antigo como outros tempos, mas um pouco mais velho do que os actuais, fazendo algum barulho. Confesso que a primeira parte da viagem não me agradou propriamente. Estava muito cansada logo cedo, o sono ia tentando vencer-me e toldando-me a paisagem, mas a verdade, é que a linha do comboio não acompanhava o rio, tal como imaginara. A paisagem só começou a tornar-se verdadeiramente bonita, uma meia-hora antes de chegar à Régua, quando começámos a ver o rio e os socalcos do vinho de Porto. O grupo que seguia neste passeio era muito grande, cerca de 155 pessoas, só nos apercebemos disso quando o comboio parou na Régua e aquela amálgama de gente saiu invadindo as ruas.
O percurso da estação até ao cais, onde nos esperava o barco, foi curto, mas o facto de irmos em carneirada, não permitiu conhecer nada da Régua, foi sair de um lado e entrarmos noutro.
No barco, as pessoas estavam organizadas por mesas. Nós para variar ficamos na mesa dos únicos espanhóis que havia a bordo. Mas, estes ao contrário dos do grupo da Tunísia eram simpáticos e conversadores. Logo assim que partimos, o almoço começou logo a ser servido. Posso dizer que foi mesmo um grande almoço, com um saboroso creme de legumes, lombo do porco assado com arroz, batata frita e feijão verde. Para acompanhar duas maravilhosas garrafas de vinho do Douro, uma de vinho branco, outra de tinto. O vinho de grande categoria…
Quando o almoço terminou, houve muitas horas para apreciar a paisagem (cerca de 5h). Pela janela, ou mesmo na proa do navio, o verde marcava tudo quanto se via, as encostas, as árvores, as vinhas de traçado irregular, plantadas em socalco, acompanhando o percurso do rio.
No barco reinava a boa disposição, com música e animação (embora dispensasse a injecção de música dita pimba ou popular em doses exageradas e em altíssimo volume durante horas consecutivas). Os olhares viravam-se todos para o rio, um olhar de encantamento que não se cansa e não deixa de se surpreender. Cada recanto era digno de uma recordação, de uma imagem captada pela câmara digital. O rio corria sereno, brilhando no horizonte, em sintonia com o céu, parecendo prata.
Momentos de alguma agitação ocorrem na passagem das barragens de Carrapatelo (com um desnível de 35 m) e na de Crestuma (com um desnível de 14 m). A descida do barco acompanhando a descida das águas faz-se lentamente e à medida que vamos olhando para cima apercebemo-nos que estamos a descer cada vez mais, o que é impressionante. Quando chegamos à altura certa, a comporta abre-se e podemos passar a barragem. Como tudo é feito vagarosamente e com muita segurança, o processo não se torna assustador, mas mete algum respeito.
O percurso continua com paisagens bucólicas e encantadoras. Serenamente continuamos a descida até ao Porto a bom ritmo (o navio não anda propriamente devagar), vendo de quando em quando outra embarcação de cruzeiros, pescadores nas margens ou em algum barquito. Sigo na proa, com o cabelo ao vento, contemplando toda aquela paz e aquela serenidade, afastando-me do ruído e daquela música ensurdecedora e sem qualidade, que não rima com tanta beleza envolvente.
Perto das seis da tarde chegamos ao Porto. A entrada na cidade de barco é verdadeiramente bela, com as suas pontes, o seu casario triste, os seus barcos rabelos no lado de Gaia, as caves que se avistam, as gentes que enchem a Ribeira do Porto. O sol brilhava e o vento soprava com intensidade… o Porto estava com uma cor quente e alegre, contrastando com o cinzento e pardacento do dia anterior que as nossas fotografias registaram. Foi um dia inesquecível!