quinta-feira, 3 de abril de 2008

Medo

Hoje o dia chama-se medo, vivo nele e ele em mim, vivo com ele preso na garganta e na boca do estômago... o medo é quem me governa e me torna desdita... o medo é tudo em mim... agoniza-me, tira-me a esperança, invade-me, como um sonho mau... só quero que o hoje acabe para voltar de novo acreditar...que ele não torne a cobrir-me com o seu manto pesado... Amanhã será de novo um outro dia!!!

O poema que se segue traduz um pouco o modo como me sinto, do Drummond de Andrade...


«Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães,
o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores,
o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medoe sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.»

Carlos Drummond de Andrade

1 comentário:

adolescente disse...

Não a conheço mas deixo aqui uma pequena mensagem que sinto que devo deixar:

O medo é a razao de lutarmos por aquilo que tememos. Temos de sabê-lo vencer e é com ele que aprendemos verdadeiras lições. Se não experimentarmos, nunca puderemos dizer que temos medo, não queremos é vence-lo e nao arranjamos coragem pro fazer... mas assim ele nunca desaparecerá... e persistirá e um dia pode ser tarde de mais para fazer algo só porque temos medo...

Temos de saber vencer os nossos medos e lidar com as nossas crenças e ilusões.