quinta-feira, 12 de junho de 2008

Viva Portugal!!! Olé! Estamos à beira da ruína!

Vivemos a euforia do Euro 2008 como um antídoto para a nossa depressão colectiva, o nosso desânimo e apatia geral. Investimos todas as nossas esperanças em Ronaldo, Deco, Quaresma, Simão ou Nuno Gomes. Rimos e gritamos para não chorar… Na verdade, se não fosse esta espécie de anestesia que tomamos durante umas horas, já nos teríamos apercebido melhor dos dias difíceis que estamos a viver. Há muitos anos que não me lembro de uma situação como esta dos combustíveis, se é que alguma vez assisti ao que pude observar hoje. Talvez a minha lembrança mais antiga de tempos difíceis economicamente seja a de inícios dos anos 80, quando os meus pais me mandavam ir às 8h da manhã, para a fila do supermercado para comprar leite, porque havia uma crise no sector que fez racionar o número de pacotes que cada cliente devia levar.
Hoje depois da euforia, depois do contentamento da vitória, daquele jogo que me fez ficar pregada ao ecrã, num café do Seixal, confesso que só me apeteceu chorar no regresso a casa, pois não me apercebera bem do que se passava à minha volta. Nas ruas, os carros amontoavam-se, celebravam a vitória de Portugal, agitavam bandeiras e espalhavam gritos ruidosos, mas muitos, acumulavam-se também em extensas filas junto às gasolineiras, gerando o caos e um trânsito compacto de alguns quilómetros. Quando cheguei à Cova da Piedade, tive a sensação que a fila de autocarros que se via, já se estendia até Cacilhas.
Não bastante, e porque já estava a ficar preocupada com a situação, meti-me no primeiro supermercado que encontrei e aí assustei-me mesmo, porque não encontrei quase nada do que pretendia, a maior parte das prateleiras encontravam-se vazias, nem pão, nem leite, nem iogurtes, nem legumes, nem fruta… Que desolação! As pessoas passavam pelas secções de olhos fitos nas prateleiras, incrédulas do que se estava a passar. Uma delas virou-se para mim e disse: «Nem acredito que estou a viver isto…Agora rio-me, mas hoje já chorei muito à procura de combustível, não tinha nada na reserva e não sabia o que fazer…»
Perante este cenário, eu espero que o governo ponha fim a isto rapidamente, sem arrogância, nem violência, e não deixe os portugueses mais prejudicados do que já estão com esta crise moribunda que nos aniquila há anos… Se isto evoluir, nem quero pensar nas consequências, pois tudo isto é uma bola de neve, afectando todos os quadrantes.
Uma coisa parece-me certa, é que é em situações como estas, muito ligeiras ainda é certo, que nos apercebemos como temos uma vida facilitada perante outros povos que vivem em pobreza extrema, fome e bancarrota. Que dias melhores venham!

3 comentários:

Anónimo disse...

Olá Ana
de vez em quando venho ao teu blogue e, muito raramente, deixo algumas palavras.
Hoje não posso deixar de o fazer, por dois motivos opostos.
1. Fiquei entusiasmada pela ideia dos Cadernos do Património que foram lançados pela CMSantiago do Cacém. É uma boa notícia, como todas as que se relacionam com o recuperar, ou não deixar cair em esquecimento, as coisas e práticas que "têm os dias contados"...
Parabéns por mais uma inicativa a que estiveste ligada.
2. Não posso estar mais de acordo contigo em relação a esta euforia, este simulacro de alegria, que nos traz o futebol e de tudo fazermos para ir esquecendo o outro lado da vida. Claro que neste momento já foram ultrapassados os problemas dos transportes e já tudo está a voltar ao "normal".
Mas será que está tudo ultrapassado? Isto que nos aconteceu nos últimos dias tem raízes mais profundas.
O mau viver em que muitos de nós andam, a contar os tostões para que não sobre muito mês, para além do fim do ordenado ou da pensão, não tem melhoras à vista. Nem fim, nem solução digna desse nome.
Espero voltar mais vezes e com melhor disposição do que a de hoje,
Bjs
Eugénia

oasis dossonhos disse...

Amiga
A importância deste teu artigo motivou a sua divulgação no meu.
Xi coração
Luís

Anónimo disse...

OLa Ana,
Foi boquiaberta e uma tristeza quase agonizante com que li este teu "artigo"...fico tão triste, embora tenha a selecção mesmo aqui ao lado.
Triste porque se calahar tenho que ficar por aqui mais algum tempo, porque infelizmente não se vislumbra melhoras nesta crise Mundial.
Aqui ja se sente a crise, tudo tem aumentado, tudo, hoje pus gasoleo e paguei mais 13 frs do que o habitual, e o habitual foi ha 15 dias.
Não consigo imaginar os Países mais pobres, e espero que o pesadelo em que Portugal tem vindo a mergulhar passe depressa, e que acordemos para vivermos dias como os idos. Não peço muito, só o suficiente para vivermos com dignidade, sem sermos marginalizados dentro e fora do nosso, tão amado País a minha tão amada Lisboa.
Não quero passar o que os nossos pais passaram,chega, basta, stop,! NÃO!!, quem são os senhores do Mundo que nos manipulam economicamente como marionetas e nos fazem trabalhar sem encontar alento, quem são? Parem!, por favor.
beijos com muita saudade