Hoje depois da euforia, depois do contentamento da vitória, daquele jogo que me fez ficar pregada ao ecrã, num café do Seixal, confesso que só me apeteceu chorar no regresso a casa, pois não me apercebera bem do que se passava à minha volta. Nas ruas, os carros amontoavam-se, celebravam a vitória de Portugal, agitavam bandeiras e espalhavam gritos ruidosos, mas muitos, acumulavam-se também em extensas filas junto às gasolineiras, gerando o caos e um trânsito compacto de alguns quilómetros. Quando cheguei à Cova da Piedade, tive a sensação que a fila de autocarros que se via, já se estendia até Cacilhas.
Não bastante, e porque já estava a ficar preocupada com a situação, meti-me no primeiro supermercado que encontrei e aí assustei-me mesmo, porque não encontrei quase nada do que pretendia, a maior parte das prateleiras encontravam-se vazias, nem pão, nem leite, nem iogurtes, nem legumes, nem fruta… Que desolação! As pessoas passavam pelas secções de olhos fitos nas prateleiras, incrédulas do que se estava a passar. Uma delas virou-se para mim e disse: «Nem acredito que estou a viver isto…Agora rio-me, mas hoje já chorei muito à procura de combustível, não tinha nada na reserva e não sabia o que fazer…»
Perante este cenário, eu espero que o governo ponha fim a isto rapidamente, sem arrogância, nem violência, e não deixe os portugueses mais prejudicados do que já estão com esta crise moribunda que nos aniquila há anos… Se isto evoluir, nem quero pensar nas consequências, pois tudo isto é uma bola de neve, afectando todos os quadrantes.
Uma coisa parece-me certa, é que é em situações como estas, muito ligeiras ainda é certo, que nos apercebemos como temos uma vida facilitada perante outros povos que vivem em pobreza extrema, fome e bancarrota. Que dias melhores venham!
3 comentários:
Olá Ana
de vez em quando venho ao teu blogue e, muito raramente, deixo algumas palavras.
Hoje não posso deixar de o fazer, por dois motivos opostos.
1. Fiquei entusiasmada pela ideia dos Cadernos do Património que foram lançados pela CMSantiago do Cacém. É uma boa notícia, como todas as que se relacionam com o recuperar, ou não deixar cair em esquecimento, as coisas e práticas que "têm os dias contados"...
Parabéns por mais uma inicativa a que estiveste ligada.
2. Não posso estar mais de acordo contigo em relação a esta euforia, este simulacro de alegria, que nos traz o futebol e de tudo fazermos para ir esquecendo o outro lado da vida. Claro que neste momento já foram ultrapassados os problemas dos transportes e já tudo está a voltar ao "normal".
Mas será que está tudo ultrapassado? Isto que nos aconteceu nos últimos dias tem raízes mais profundas.
O mau viver em que muitos de nós andam, a contar os tostões para que não sobre muito mês, para além do fim do ordenado ou da pensão, não tem melhoras à vista. Nem fim, nem solução digna desse nome.
Espero voltar mais vezes e com melhor disposição do que a de hoje,
Bjs
Eugénia
Amiga
A importância deste teu artigo motivou a sua divulgação no meu.
Xi coração
Luís
OLa Ana,
Foi boquiaberta e uma tristeza quase agonizante com que li este teu "artigo"...fico tão triste, embora tenha a selecção mesmo aqui ao lado.
Triste porque se calahar tenho que ficar por aqui mais algum tempo, porque infelizmente não se vislumbra melhoras nesta crise Mundial.
Aqui ja se sente a crise, tudo tem aumentado, tudo, hoje pus gasoleo e paguei mais 13 frs do que o habitual, e o habitual foi ha 15 dias.
Não consigo imaginar os Países mais pobres, e espero que o pesadelo em que Portugal tem vindo a mergulhar passe depressa, e que acordemos para vivermos dias como os idos. Não peço muito, só o suficiente para vivermos com dignidade, sem sermos marginalizados dentro e fora do nosso, tão amado País a minha tão amada Lisboa.
Não quero passar o que os nossos pais passaram,chega, basta, stop,! NÃO!!, quem são os senhores do Mundo que nos manipulam economicamente como marionetas e nos fazem trabalhar sem encontar alento, quem são? Parem!, por favor.
beijos com muita saudade
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