Jardim de Santa Luzia, Alfama
O anthropos é um espaço de reflexão, de pausa e de abertura para os diálogos do pensamento... para a poesia que exala das palavras, para o imaginário que nos delicia e nos transporta à infância, para a literatura, para as viagens... para o lúdico... para as causas reais pelas quais nos devemos afirmar. Convido-o desde já a participar nesta minha primeira aventura bloggista e espero que seja divertido!!
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Périplo por Lisboa em Agosto
Jardim de Santa Luzia, Alfama
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
A dor daquele dia triste

Para ti Lisboa, com o meu Amor.
A noite já ia alta
E Lisboa preguiçosamente acordava devagar
Com seu ar de menina bonita,
em breve O Sol doirado viria beijá-la
E fazer rebrilhar as águas do seu Tejo.
Mas, como por feitiço,
O seu acordar lento e vagaroso, tornou-se um rebuliço,
E o luto do seu xaile ficara mais carregado.
E como num gemido, ela esqueceu seu fado,
E chorou… seu peito desventrado.
E um grito se ouviu!...
Como se um marinheiro depois de uma noite de farra
Esfaqueado tombasse no chão…
Há um grito de socorro, e há um outro mais além!...
Feriram seu coração…
Gritam lá do elevador: «Há Fogo no Chiado!»
E logo alguém lá em baixo corre a transmitir o recado.
E Lisboa acorda assim ainda um pouco estremunhada,
Com o toque das sirenes… - Há Fogo! Há Fogo!...
E como alastra e devasta, património bens e vidas.
E os Homens que tudo deram, esses soldados da Paz, Valentes, Fortes e Audazes.
Choro por ti ainda Lisboa querida,
Perdeu-se teu coração, salvaram a tua vida.
Ficaremos com a Esperança
Que o possam restituir, tal qual era Enamorada.
Esquece o medo e a ansiedade,
Mantém sim… acesa a saudade.
Traça o teu xaile e num gemido de guitarra bem trinado,
Vem Lisboa, Vem de novo Cantar teu fado!
Carminda Durão Machado
domingo, 24 de agosto de 2008
De férias novamente...
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Tragédia em Madrid
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Intervalo...
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Fim-de-semana no Festival Andanças, em S. Pedro do Sul
Mas, essa sucessão foi mais lenta do que pensámos, tendo de nos deslocar do parque de estacionamento até ao local da compra dos bilhetes em carrinhas fretadas para o efeito. A fila era longa na bilheteira, e tinha de ser feita individualmente, para que pudessem colocar a pulseira que nos daria livre acesso ao recinto do festival e ao parque de campismo organizado para o efeito. O caminho de volta teve de ser feito a pé, pois as carrinhas deixaram de fazer serviço aquela hora. O mais custoso foi mesmo ter de carregar com as tralhas todas às costas desde o parque de estacionamento até ao local onde iríamos montar a tenda, isto por terrenos completamente cheios de pó.
A montagem da tenda também foi engraçada, pois foi feita completamente na escuridão… é preciso ter perícia para saber fazê-lo, mas nós conseguimos.
Assim que chegamos aos concertos que começaram à uma da manhã, deixamos o cansaço lá fora e libertamos de dentro de nós uma energia positiva que emanava na atmosfera das tendas onde os concertos decorriam. A música era sempre animada e o pessoal vibrava em voltas e reviravoltas num ambiente super descontraído, sucedendo-se as rodas e os comboios de pessoas agarradas, circulando em grande velocidade pelo espaço em grande euforia e algazarra. Depois de começar a dançar o difícil é mesmo parar… de maneira que as horas se sucederam quase sem darmos por isso. Mas, o problema é que as actividades começavam às 9h da manhã e era precisa estar fresca para elas. Na verdade, fresca é mesmo o termo, pois o banho (comunitário num barracão algo improvisado) não tinha água quente, levando-me a dar uns belos de uns gritos logo pela manhã. Foi tal a emenda que não voltei a repetir…O maior inimigo era mesmo o pó que se agarrava aos pés descalços e se entranhava em todos os poros do nosso corpo, como uma segunda pele. Por mais que lavássemos a sujidade não saía… Mas, enfim são contrariedades, nem tudo foi perfeito em termos de condições logísticas.
Os workshops de dança sucederam-se durante todo o dia. Eu fazia os possíveis por ir experimentando os vários estilos conforme os meus gostos, entrando e saindo das tendas durante o decorrer dos mesmos. Apesar de ter gostado de quase todas as danças, apreciei bastante as danças andinas, por terem algo de latino e tribal, as danças cabo-verdianas, também com uma fusão tribal, e algumas danças de roda europeias, como eram as húngaras.
A sessão do Ioga do Riso de que sou fã levou-me quase a ficar sem voz, de tanto rir e o mais giro, conseguiu atingir o seu objectivo entre o grupo em que me encontrava, pois levamos o resto do fim de semana a praticar alguns dos exercícios realizados no workshop. Rir, dizem é o melhor remédio e nesse aspecto acho que vim mais feliz para casa, mais preenchida e com maior libertação de endorfinas, pois nessas sessões, as pessoas despem-se mesmo de preconceitos e de inibições e situam-se num patamar onde as diferenças se anulam. Somos todos doidos, ok, mas às vezes sabe bem ser doido!
E assim se passou um fim-de-semana com muita folia, boa disposição, alguns momentos de introspecção (porque também fazem falta), embora as pernas e os músculos tenham ficado muito doridos, mas como cantava o António Variações «quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga».
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Algumas festas do calendário muçulmano e a dança
A música e a dança popular profana é admitida e acompanha os momentos mais importantes do ciclo vital, os ritos das quatro estações e as manifestações de carácter guerreiro.
As festas instituídas pelo Governo, nomeadamente as festas nacionais, são celebradas por grupos folclóricos que asseguram o divertimento público e oficial.
Mas não há necessidade de festas instituídas e acontecimentos precisos que se cante e se dance.
O quotidiano oferece às mulheres maghrebianas ocasiões de reunião: tomando conta das crianças; bordando, tecendo… A sua condição de afastamento da vida pública reforça a solidariedade levando à criação de espaços e tempos privilegiados.
A dança costuma ter lugar à tarde durante um curto período. Uma entoa um cântico, outra toca num bendir ou numa darbouka e todas batem as palmas. A mais impulsiva do grupo esboça alguns movimentos. São mulheres com gosto inato para os risos e para a festa.
Geralmente, as festas do calendário muçulmano não dão lugar a manifestações musicais e muito menos a danças, mas somente a cânticos religiosos.
Vejamos algumas dessas festas:
- O Mouloud comemora o nascimento do Profeta. Certas peregrinações marabuticas –moussem- são feitas nesta ocasião. Esta festa gira também em torno de velhos ritos de fertilidade da terra, mas estas práticas não são reconhecidas pelos muçulmanos ortodoxos.
- Aid el Seguir ou Aid Alftir – fecha o período do Ramadão, do jejum, com visitas, prazeres alimentares e oferendas aos pobres.
Em certos meios populares a ruptura do jejum favorece o aparecimento da diversão, sendo os cafés e as praças públicas invadidas pela música e dança.
- Aid el Kebir ou Aid el Adha – festa do sacrifício do carneiro. É um rito que comemora o sacrifício de Abraão, dando lugar a grandes refeições em comum.
- A Achoura – não mencionada no Alcorão, esta festa comemora o massacre de Al Hussein, filho do rei, mas só os Xiitas celebram a festa em honra deste mártir. Para a maioria das pessas, a Achoura representa o dia dos mortos e as visitas aos cemitérios.
Em Marraquexe e só nesta cidade, orquestras de homens reúnem-se cantando a dekka, animando a noite de Alchoura, dando a esta festa a sua dimensão de alegria.
-A peregrinação a Meca, recomendada pelo Islão é um pretexto para festas majestosas nas cidades.
O MOUSSEM
O Moussem é uma festa marabutica, ou seja, uma peregrinação anual ligada ao culto dos Santos, onde cantos e danças ocupam um papel importante. O Islão Ortodoxo rejeita , porém, o culto dos Santos, desacreditando o Moussem.
Cada Moussem no Maghreb tem uma personalidade própria. O Santo patrono da peregrinação pode ser de uma cidade, de uma aldeia, o ancestral de uma tribo ou fracção de tribo ou o fundador de uma confraria.
O Moussem rural desenrola-se geralmente nos momentos de ruptura dos trabalhos agrícolas, no fim do Verão e do Outono.
O Moussem citadino coincide frequentemente com uma festa do Calendário Muçulmano, principalmente com a festa do nascimento do profeta.
Os peregrinos rurais e os participantes vindos de longe (homens, mulheres e crianças) agrupados em fracções de tribo, instalam as suas tendas junto do santuário do santo local, chamado marabuto.
As mulheres também aí se reúnem, dançando freneticamente até caírem no chão, após serem tomadas pelo transe. Ficando desmaiadas durante a possessão, o corpo sacode-se em espasmos e a respiração é pontuada por pequenos gritos. As mulheres que assistem ajudam-nas a voltar a si.
O Moussem apresenta o carácter de uma festa popular cheia de actividades e divertimentos, com feira agrícola onde se trocam cereais, artesanato, roupas e jóias.
A dança, um pouco religiosa, um pouco profana é um elemento constante em todos os Moussem.
Associa-se o Moussem à liberdade da mulher, porque estas peregrinações autorizam as mulheres a comportar-se de forma pouco habitual. Elas são livres de circular, misturam-se com grupos de homens. Mas estes homens estão sob a protecção do santo que lhes impõe pensamentos puros.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
A Dança, a Mulher e o Islão
AS DANÇAS FAMILIARES
É através da dança que o corpo da mulher reencontra a liberdade. Isto está presente principalmente nos meios citadinos, onde a função das danças é o divertimento.
Nas festas familiares, no lado das mulheres, parentes e convidadas levantam-se e dança duas a duas ou em pequenos grupos. Cada mulher que dança deixa aflorar a sua sensualidade, chamando a uma participação cúmplice a assistência, estimulada pelo ritmo e pela linguagem da canção.
Um erotismo flagrante exala das partes do corpo através dos movimentos: tremor dos ombros e dos seios, oscilação das ancas mais ou menos acentuada. Todo este jogo de sedução e de erotismo tem o olhar de uma assistência exclusivamente feminina. Estas raramente dançam em frente de seu pai ou irmão e não é tolerado que outros homens as vejam dançar, para não fantasiarem com o seu corpo. Assim, uma mulher honrada só pode dançar entre mulheres, geralmente em casa, em festas por elas organizadas, ou de acordo com certos rituais.
As danças das festas familiares são também importantes uma vez que aí as mulheres podem escolher esposas para os seus filhos, para o irmão ou primo.
DANÇA - RITUAL COLECTIVO NOS MEIOS RURAIS
O património rural oferece uma grande variedade de músicas e danças, reflexo da diversidade das populações que as elaboraram.
Na arte musical berbere predomina a poesia cantada onde os temas principais evocam os trabalhos agrícolas, o ciclo da natureza, a vida pastoril, o amor e a guerra. Os cantos são acompanhados por danças. Em Marrocos, por exemplo, as duas formas principais de música berbere dançada chama-se AHOUACH e AHIDUS. Estas são danças colectivas e rituais que teriam origem nos cultos lunares ou solares.
Na AHOUACH, as dançarinas põem-se em círculo em volta de um

A AHOUACH prolonga-se em princípio até altas horas da noite, à luz de uma fogueira. È dançada em qualquer parte do Alto Atlas, ao longo do Vale de Dadés.
A AHIADOUS é uma dança colectiva. Divertimento social de muitas noites de verão, esta dança é praticada em todas as festas tradicionais, agrárias para os casamentos e circuncisões. A maior parte da AHIADOUS, põe em presença homens e mulheres, não excluindo as composições exclusivamente femininas ou masculinas.
Após um solo introdutório, lançado por um poeta cantor, os homens e mulheres tomam o seu lugar, formando um círculo, ombro contra ombro, dirigidos por um condutor.
O gesto fundamental da dança consiste essencialmente nas vibrações dos ombros. As mulheres levantam e baixam os braços como se tratasse de uma oração. Este movimento alia-se a um ligeiro balançar do corpo para trás e para a frente. Por vezes, os dançarinos agarram mutuamente as mãos e inclinam o corpo para o centro do círculo. Voltando à posição inicial, eles viram os corpos e os ombros tocam-se novamente. Uma onda frenética parece percorrê-los.
A GUEDRA – DANÇA DE POSSESSÃO

A GUEDRA é executada sobretudo no sul marroquino, em Goulimine. As atitudes e os gestos desta dança revelam-se de um simbolismo muito antigo. Por esse motivo, adquiriu o estatuto de um fenómeno cultural único em Marrocos, figurando sistematicamente no programa das manifestações folclóricas.
Para dançar a GUEDRA, homens e mulheres reúnem-se em círculo, cantando e batendo as mãos, todos eles vestidos de azul e negro. Uma mulher põe-se a dançar ao centro, de pé, ajoelhando-se pouco a pouco. Ela está coberta por um ou dois véus que vão deixando ver a face progressivamente. Os braços esticados ou semi-flectidos à altura do busto, movimentam-se alternadamente para a esquerda e para a direita, mas é o trabalho exemplar das mãos e sobretudo dos dedos que caracteriza a GUEDRA. A cabeça balança lateralmente e as inúmeras tranças ornamentadas de pérolas e conchas que compõem o penteado tradicional destas mulheres agitam-se. O ritmo intensifica-se gradualmente, a respiração da dançarina torna-se ofegante.
Esta dança “fascinante” e “hipnótica” tem feito suscitar muitas interrogações e tem dado lugar a múltiplas interpretações. Muitos entendem-na como uma dança erótica, de um clima sexual intenso, sugerido pelo modo como a dançarina se move. Mas esta dança evoca também um hino à vida, simbolizando as etapas do nascimento pela emergência dos véus, da explosão vital da morte, pelo esgotamento da bailarina. A GUEDRA também pode pertencer às danças de possessão, uma transe muito particular de origem africana negra. Acrescente-se que Goulimine era um antigo centro caravaneiro e que os seus autóctones perpetuaram através desta dança a sua crença de possessão pelos génios, que se manifestam nas transes.
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