quinta-feira, 21 de julho de 2011

Foto Ana Machado


Foto de Tiago Canhoto

Partilho convosco as belas palavras do escritor alentejano José Luís Peixoto, para mais uma vez recordar a paisagem alentejana e a força das vozes pujantes que lá se ouvem… Cada vez me convenço mais que o Alentejo, não é só uma região, é um estado de alma, um sentimento que se cola ao peito e nos acompanha sempre… Como diz a moda, «hei-de ir ao Alentejo, nem que seja no verão»…
«Quem nasceu no Alentejo tem o Alentejo dentro de si para sempre. Por isso, o Alentejo é infinito. As planícies parecem não ter fim porque não têm fim de facto. Dentro da gente, existem campos com sobreiros e azinheiras, existem rostos enxovalhados pelo sol, pele que tem as rugas da terra. Dentro da gente, existem searas.
O cante é a voz dessa terra infinita. Os homens descem pelas ruas quando voltam do campo ao fim da tarde. Nos olhares, trazem o pó queimado pelo sol. Nessa hora, pouco antes do pôr do sol, nasce uma aragem nos rostos dos homens. Essa aragem fresca passa pelas pedras das ruas, pela cal das casas onde houve vida e morte, pelos sorrisos, pelas crianças que brincam na rua. O cante é essa aragem».
José Luís Peixoto, in: «O círculo que Leva a Lua»

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