terça-feira, 2 de junho de 2009

Darwinismo - continuação

O DARWINISMO SOCIAL

O Darwinismo Social é com certeza a teoria científica, que até hoje maior projecção teve a nível social e cultural, influenciando todas as ciências sociais e humanas, entre as quais a Psicologia, a Filosofia, a Ética, a História, a Teoria Política, a Sociologia, a Antropologia e a Geografia, entre outras.
As ideias do pensamento que levaram Darwin à sua teoria de evolução fizeram surgir visões novas de sociedade humana, evidenciando uma série de novas teorias sociológicas que na história da sociologia são designadas como “biológicas” ou “organicistas.
Deve salientar-se contudo, que o Darwin em si tem pouco a ver com a teoria do Darwinismo social. É verdade que este dedica no seu livro sobre a origem do Homem, um capítulo sobre a questão da “selecção natural”, no entanto Darwin não pretende aplicar o princípio da Selecção Natural à sociedade humana, salientando que , “se negássemos o nosso auxílio aos socialmente menos favorecidos, aos fracos e menos sadios, isto não poderia acontecer, sem a destruição de uma das partes mais nobres do nosso ser (…) Portanto, temos de assumir as consequências sem dúvida negativas da sobrevivência e da propagação dos fracos sem nos lamentar.” (Cf. Descendent of Man, I)
Porém, o conceito de Darwinismo Social começou a ser muito aplicado e expresso em estudos sociológicos, principalmente por Herbert Spencer (1820-1903), que entendeu que a selecção natural fazia dos indivíduos menos aptos, seres inferiores e “miseráveis”. Esta opinião ignorou drasticamente a forma como as estruturas das instituições sociais e as coerções socialmente organizadas geriam e perpetuavam a miséria e as categorizações de inferioridade. Este tipo de argumentação, de nada válida, desencadeou uma verdadeira ideologia de hierarquia de raças e classes, o que se traduziu mais tarde na onda crescente dos ideais nazis e do Nacionalismo Social.

Desta forma, poder-se-á dizer que o Darwinismo Social se apresentava como teoria científica, mas era essencialmente uma ideologia pseudo-científica, que punha em causa valores e preconceitos, falseando as ideias de Darwin, deduzindo as directivas do comportamento sócio-político de leis naturais.

A Antropologia Evolucionista

O evolucionismo sócio-cultural é herdeiro em grande parte da ideia de progresso do séc. XVIII, formalizada por Turgot, Condorcet e Jean-Jacques Rosseau, sendo estes autores, entre outros, os principais mentores das ideias que constituíram a teoria da evolução cultural.
Defendia-se assim, que a história dos seres humanos se podia descrever como progressiva, evoluindo desde as formas mais simples até às formas mais complexas e sofisticadas, englobando todas as sociedades humanas num único esquema evolutivo, incluindo as tribos selvagens e os povos ditos civilizados.
Estes evolucionistas apresentam, para complementar o seu esquema, supostos estádios através dos quais, a cultura humana teria progredido, tendo origem na “criação, queda e dilúvio”, passando pela organização pastoril, as invenções da agricultura e da ideia de propriedade privada, ao crescimento das aldeias, à divisão do trabalho, à civilização moderna.
Subjacente a este “progresso evolutivo do Homem”, estava a ideia de uniformidade de natureza, isto é de unidade psíquica, originária também do Iluminismo, e que defendia que todos os homens eram semelhantes na maneira como pensavam.
Embora as teorias antropológicas da cultura tivessem recebido um grande incentivo com a influência do Iluminismo, o Darwinismo deu à Antropolgia uma nova demárche, fazendo triunfar o ponto de vista evolucionista biológico na análise cultural.

Foi a partir da crítica das teorias evolucionistas de cultura, por Leslie White e os seus discípulos, principalmente Marshall Sahlins e Elman Service, que surgiu uma teoria não unilinear de evolução social. Estas teorias reafirmaram a importância dos factores ambientais e ecológicos na influência da evolução das sociedades.
Hoje em dia, emergem com frequência teorias evolutivas, novas géneses, novos conhecimentos, porém a originalidade da teoria de Darwin, apesar das suas repercussões negativas a nível social, permanece inabalável, já que representa uma das maiores revoluções científicas da Humanidade.

1 comentário:

oasis dossonhos disse...

Olá, amiga. Deixo aqui o link do blogue da Aldraba, que passou por algumas vicissitudes...
http://aldrabaassociacao.blogspot.com/

abraço

Luís Filipe Maçarico