quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Seminário de Olaria Romana no Seixal


Iniciou-se hoje no Seixal o Seminário Internacional, sobre a Olaria Romana da Quinta do Rouxinol, que vai durar até dia 20 de Fevereiro. A manhã foi preenchida com a excelente comunicação do Prof. Carlos Fabião, da Faculdade de Letras de Lisboa, que nos falou do contributo dos estudos cerâmicos para a História da Presença Romana no Ocidente da Península Ibérica, contextualizando assim esta vertente de investigação em Portugal, referindo os pioneiros e impulsionadores nesta matéria, no séc. XIX , inícios do séc. XX, e os desenvolvimentos posteriores destes estudos nos últimos anos.
Da parte da tarde, assistiu-se no Moinho de Maré de Corroios a um ateliê de arqueologia experimental, que teve como objectivo a recriação da actividade oleira, tal como se pressupõe que se pudesse realizar na Quinta do Rouxinol, no período romano. Nesse sentido, pôde observar-se a actividade do oleiro Paulo Franco (do Sobreiro, Mafra) que nos exemplificou o processo de construção de ânforas, as técnicas da sua moldagem, e a cadeia operatória da olaria artesanal. Posteriormente, visitou-se a Olaria Romana da Quinta do Rouxinol, considerado monumento nacional pelo seu valor histórico, tendo Jorge Raposo contextualizado a descoberta dos fornos nos anos 80, do séc. XX.

No Moinho de Maré de Corroios

Na Olaria Romana da Quinta do Rouxinol. São vísíveis os vestígios de antigos fornos.
Deu-se continuidade ao ateliê experimental com a observação de enchimento do forno, criado especialmente para a ocasião, constituindo uma réplica de um dos fornos encontrados na olaria da Quinta do Rouxinol. O enchimento do forno a lenha foi feito por um outro oleiro Michael da Silva Gomes, seguindo uma técnica muito semelhante à praticada em algumas olarias do Alentejo.
O forno, tal como os fornos romanos, apresenta planta circular, é composto por duas partes sobrepostas, separadas por uma grelha perfurada, de modo a facilitar a circulação do ar, pela câmara de cozedura e pela câmara de combustão. Em cima são colocadas as ânforas, a loiça doméstica, de modo a aproveitar bem o espaço na câmara de cozedura. Depois de colocadas as peças fechava-se a entrada com fragmentos de peças partidas e barro e tapava-se com tijolos, telhas e outras peças partidas.
O resultado da cozedura será verificado no sábado de manhã. Por ser uma experiência sem dúvida original e com alguma imprevisibilidade, uma vez que é a primeira vez que os oleiros estão a proceder em moldes tão artesanais, espera-se com alguma ansiedade os resultados no sábado de manhã. Durante o resto da noite e a manhã seguinte, o forno terá de ser abastecido contantemente de lenha, até que este atinja uma temperatura de 900C. A partir de sexta-feira, o forno entrará num processo de arrefecimento gradual, para que não haja o perigo das peças estalarem quando as mesmas forem desenfornadas.

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