sexta-feira, 7 de outubro de 2011

2º dia

No segundo dia, começou realmente a viagem. Depois de uma breve passagem pelo Porto, meti-me no comboio, em Campanhã, para Vigo. A paisagem, à medida que avançávamos, tornava-se mais verde, sinónimo que estava a atravessar terras minhotas.
Finalmente cheguei a Vigo! Depois de tanto tempo a preparar a viagem, a impressão que a cidade causa não tem nada a ver com o que andei a pesquisar na internet. Parecia muito mais familiar e atraente, do que tinha pensado.
Assim que cheguei à estação, procurei perceber onde ficaria o Hotel Princesa, onde iria pernoitar três noites, tendo feito previamente a reserva pela internet. Só foi preciso perguntar uma vez na estação em que local me encontrava da cidade, e depois de identificado no pequeno mapa que trazia, tirado do Google maps, só foi preciso seguir o instinto até encontrar a morada do hotel.
O quarto era mínimo, provavelmente mais pequeno do que o de muitas empregadas domésticas internas, mas para o tempo que passei nele, serviu perfeitamente, mesmo com uma casa de banho bastante exígua…
A cidade portuária, com colinas muito acentuadas, faz-me sentir muito pequena.
 
Deslumbrada com o porto e com os magníficos cruzeiros que nele acostam, tomo a minha primeira refeição na cidade, no terraço de um centro comercial de Laxe, com uma soberba vista sobre o porto e a ria.

Iniciei a minha descoberta de Vigo pelo «casco velho», considerado o núcleo urbano antigo, encontrando nas suas ruelas apertadas e tortuosas, edifícios muito antigos e pequenas praças, onde não faltavam animados bares, cafés com esplanadas servindo tapas e bebidas frescas. Percorri a Praça da Constituición, visitei a pequena catedral Colegiata de Santa María, a rua dos cestos, a interessante Porta do Sol, onde pude admirar a escultura de Francisco Leiro, «El Sireno» (o homem sereia).



Aí ao redor, estendem-se elegantes avenidas com diferente arquitetura, de estilo elegante,do final do séc. XIX, início do séc. XX.

Cansada de andar de um lado para o outro e de modo a rentabilizar o ótimo tempo que se fazia sentir, apanhei o autocarro no Passeo Alfonso XII e rumei às praias de Samil, onde apreciei a paisagem envolvente, as águas calmas, o banho no mar, o descanso.


No passeio a pé, no regresso, visitei o Museo do Mar da Galicia, onde vi a exposição temporária «A Costa Galega no Arquivo Pacheco: cartas de punto maior», com imagens do fotógrafo Pacheco, de renome na região, além de outras exposições, incluindo a permanente. Este museu dedicado ao mar e às pescas foi construído sob os vestígios de um antigo matadouro de Vigo.

Durante a visita, assentei este poema, por me parecer belíssimo:

«Memoria,
Emissária do mar,
Que nos mantém un cheiro de recordo:
Algo de nós
Pureza de altos dias
Mentras camiño pola vasta área
E penso no amor
Que sempre se comeza
Nunha praia.»
Xoahana Torres, 1980.

De volta ao centro de Vigo, jantei junto a um jardim, perto da ria. E tive um anoitecer encantador. Depois de jantar, fui caminhar no passeio marítimo e no porto desportivo, onde se viam os últimos raios de sol doirados a tingir o céu, tornando-se gradualmente mais escuros com o final do crepúsculo. Naqueles instantes, pensei em como era afortunada por ter vindo conhecer Vigo e ter vivido aquele instante.
Cidades portuárias, são cidades que fascinam, que contam histórias dos que partiram e dos que chegaram, cruzamento de vidas que faz delas cidades ricas em memórias.

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