segunda-feira, 10 de março de 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Para mim todos os dias são dias da Mulher e embora reconheça a força e a determinação das mulheres operárias que deram origem ao dia que comemoramos a 8 de Março, a verdade é que não costumo celebrar o dia, com excepção da altura em que dei aulas no Cercal do Alentejo, onde aí sim houve festa de arromba, motivada pelo grande companheirismo entre as colegas, incluindo borga pela noite dentro, mesmo em véspera de aulas… Bons tempos esses…
Em Almada, este dia não foi esquecido e foi comemorado com múltiplas iniciativas, como a inauguração de uma obra de Arte Pública, na Quinta do Bom Retiro, intitulada «Mulher Monumento»; a distribuição de flores pelas ruas de várias freguesias do concelho; a inauguração de exposições, como a documental «Gestos de Mulher para o Futuro: educar a reconstruir. Almada/Kwanza Sul», na Galeria Municipal de Arte, e por fim a inauguração da exposição «Trabalhos de Mulheres», no Museu da Cidade.
De todas estas iniciativas, fui assistir à inauguração desta última exposição. Posso dizê-lo que fui mais pelo facto da minha amiga, Rosa Dias, ir abrilhantar a noite com a sua poesia, em parceria com outro poeta, Manuel Viegas. A inauguração abriu assim com uma sessão de poesia cheia do nome Mulher e do verbo amar. A Rosa esteve bem como sempre…Mulher de alma e coração, de grande sorriso aberto e franco, alentejana de Campo Maior, com o dom da palavra e da expressão do sentimento. Canta o Alentejo como ninguém… Além da poesia, foi possível ouvir o belo grupo juvenil Ensemble de Violinos da colectividade SFUAP, que prova bem que a juventude em Almada está viva e tem valor.
No evento, encontrei ainda o José Alberto e a Maria Eugénia da Associação Aldraba, os quais já não via desde o Encontro no Pragal (onde tive a oportunidade de participar) e que soube bem rever. Foi bom voltar a ouvir falar do Alentejo, da sua cultura e do que ele tem de melhor.
Quando cheguei a casa, liguei o televisor e curiosamente, na RTP passava um documentário português bastante interessante, passado em Santo Aleixo da Restauração, no Baixo Alentejo, sobre as suas gentes, as suas tradições, o seu cante, o trabalho dos campos, a sua labuta, os seus campos. Dei-me conta, da falta que sinto do Alentejo, desses tempos felizes aí passados, do sorriso da minha tia que nunca mais verei, das searas douradas no Verão, do calor sufocante…da calma das ruas, do horizonte infinito onde perdia o pensamento…das vozes melódicas dos homens, que há muito já não oiço… das gargalhadas que dava e das partidas que fazia a alguns colegas de escola, do trabalho etnográfico que aí fiz…Tenho saudades do Alentejo!

1 comentário:

Anónimo disse...

A verdadeira amizade, é grande como o nosso Alentejo, as palavras poeticas são lindas e coloridas como as papoilas.
Tu minha amiga que és antropologa e nasceste da terra,ficaste presa nas raizes, e te esgueirastes para alcansares o sol; chegaste lá.
Eu, com minha alma poetica te vejo suspensa, com os pés agarrados à
terra, o coração na boca, os olhos no céu,e a alma no nosso Alentejo. Tal qual como eu.
Bem - Hajas por tuas palavras pela tua amizade. abraço da amiga Rosa Dias