A visita a Santiago de Compostela acabou por acontecer. Até o tempo mudara, parecia de propósito, tornando-se mais escuro e frio, coincidindo com uma experiência mais espiritual. Perto das 8h00 da manhã, apanhei em Vigo o comboio direto para Santiago de Compostela. O comboio de média distância da RENFE é bastante confortável, semelhante aos nossos alfas, o que tornou a viagem muito cómoda e rápida.
Chegada a Compostela, não foi difícil encontrar o caminho para o centro, em direção à catedral. Ali, basta seguir alguém com ar de turista, pois todos têm o mesmo destino.
Não levava planos pré-concebidos. A única coisa que sabia que queria fazer era estar ao meio dia na catedral na missa do peregrino e gostava de visitar o Museo do Pobo Galego, o resto ficaria encarregue do destino e do improviso.
No seu interior, muitos eram os peregrinos que tinham feito longas caminhadas até Santiago. Traziam no corpo as marcas do sacrifício, o cansaço acumulado dos dias passados, os odores intensos desses caminhos de fé.
Aquele momento foi para mim, um momento de silêncio…absoluto e completo. Só me apetecia permanecer naquele mutismo inebriante. Não me apetecia falar, nem ouvir nada, nem quase a voz do pensamento, que me ia segredando como estava contente de ali estar. E contudo, sabia que o meu contentamento não se podia comparar aos que palmilharam montes e vales, padeceram de dores, de desafios que conseguiram transpor para ali chegar. Eu limitara-me a apanhar um comboio confortável, quase luxuoso
! Não tinha feito nenhum sacrifício que me fizesse apreciar tanto aquele momento de júbilo da chegada, de encontro e partilha com outros caminheiros.
O momento mais emocionante na cerimónia da missa do peregrino foi quando o incensório foi balançado, o “botafumeiro”,perfumando a catedral de uma fragrância abençoada.
Quando a cerimónia acabou, a fome era mais forte do que eu, desmotivando-me a ver com maior pormenor e detalhe a mesma, ou mesmo ver de perto a imagem de Santiago, como é tradicional.
O tempo cá fora, estava fresco e escurecido e naquela altura comecei a sentir-me cansada. Deambulei um pouco pelas ruelas visitando as inúmeras lojas de souvenirs, mas como não tinha preparado bem a minha incursão a Santiago, não sabia muito bem o que ver.
A meio da tarde fui ao Museo do Pobo Galego. Trata-se do principal museu etnográfico da Galiza, situado no antigo convento de San Domingos de Bonaval.
No fim do dia regressei a Vigo. Introspetiva, mastigava mentalmente tudo o que vira e sentira nesse dia. A jornada acabou com uma tapa de tortilha e um copo de vinho tinto Imperial (Mencia), como um brinde à minha última noite em Vigo.
De regresso a Portugal e ao Porto, onde me reuniria a amigos que viriam ao meu encontro, meditava no comboio em tudo o que tinha visto naqueles breves dias…passou tudo tão rápido, mas foi decididamente muito bom!