segunda-feira, 3 de setembro de 2007

«No dia em que o mundo mudou de lugar»


No dia em que o mundo mudou de lugar,
Os relógios pararam,
As horas e os minutos deixaram de se suceder.
O céu ficou sem cor,
As águas do rio turvaram,
O vento uivava
E as tempestades revoltaram os mares descontrolados.
Nesse dia, a terra ruiu debaixo dos meus pés,
Numa fracção de segundos,
E nada ficou no lugar.
Não se via ninguém,
Nem pouco ruído havia,
Apenas o silêncio
Do coração paralisado,
Que no peito já não batia.
No dia em que o mundo mudou de lugar,
Eu lancei a minha âncora num porto
De uma cidade desconhecida,
Com ruas esguias e tortuosas,
Cheias de dor e solidão
Onde a saudade corrompia a leveza do ser.
No dia em que o mundo mudou de lugar
Eu desesperei a minha raiva,
Por me sentir perdida,
Gritei a minha voz sufocada, sem ninguém me ouvir.
Caminhei sem rumo, como uma mendiga
Que não tem morada, nem abrigo.
Mas, arranquei das entranhas o medo,
Fiz um esforço e resisti,
Voltei de novo ao porto e finalmente, parti!


2007

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