segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ensemble c’est tout


«Ensemble c’est tout» foi exibido no último dia do Festival do Cinema Francês, que decorreu de 3 a 15 de Outubro no Cinema S. Jorge e no Instituto Franco-Português, em Lisboa. Este foi também o único filme do festival que escolhi para ver e não me arrependi da escolha. Trata-se de um filme com um enredo simples, mas verdadeiramente enternecedor, uma cereja em cima de um bolo de um fim de tarde de domingo.
Nestas coisas também sou suspeita, pois sou uma grande apreciadora de filmes franceses, não de todos é claro, mas sempre que posso não perco uma fita francesa, sobretudo aquelas que são rodadas em Paris, (espécie de cidade mãe para mim, já que foi lá que fui concebida e era lá que se esperava que nascesse e crescesse, mas não foi esse o meu destino…)
Mas, voltemos ao filme. Este conta a história da vida de quatro personagens, cujas vidas se cruzam, se misturam e se fundem, fala da solidão urbana vivida por diferentes gerações, fala da necessidade dos afectos e da solidariedade entre as pessoas.
Camille (Andrey Tatou – a famosa Amélie Poulain) vive num sótão de um andar parisiense, em quatro paredes acatitadas. Levanta-se todos os dias de madrugada para trabalhar nas limpezas e a sua vida restringe-se às conversas com as colegas de trabalho e o regresso a casa. Quando conhece um dos seus vizinhos, Philbert (personagem muito peculiar, um pouco anacrónico para os dias actuais, bastante formal e cheio de tiques e maneiras), a sua vida começa a mudar. Um dia Camille adoece e Philbert decide trazê-la para o seu apartamento, uns andares abaixo. Mas a convivência de Camille com Franck, com quem Philbert partilha a casa, não será pacífica, embora venha a dar os seus frutos. Franck é um jovem cozinheiro, frustrado com a sua vida pessoal, cuja avó, a Paulette, está num lar, em recuperação de uma fractura do fémur. As relações estabelecidas por estas quatro personagens vão ser determinantes para atenuar a solidão e a sensação de vazio que cada uma delas sente, atenuando-lhes as inquietações do espírito.

É um filme com óptimos diálogos, que fazem desprender facilmente o riso, embora também façam reflectir um pouco sobre a necessidade que o ser humano tem de se agregar, de partilhar com os outros o pouco que tem, e como às vezes pequenos gestos fazem toda a diferença nas nossas vidas.
No fim da sessão, a radiante audiência da enorme sala 1 do S. Jorge, completamente apinhada, não se conteve e houve aplausos efusivos. Saí do cinema satisfeita e convencida que tinha feito uma excelente opção!

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