segunda-feira, 10 de maio de 2010

7º Dia: Meknés

Este foi um dia dedicado a conhecer Meknés, localizada a poucos quilómetros de Fez. Escolhemos precisamente o dia que o rei Mohammed VI, também se deslocava a Meknés, e por isso à saída de Fez e em toda a auto-estrada em direcção a essa cidade, era visível militares e polícias, localizados em locais estratégicos e à beira da estrada, distanciados por alguns metros. Ficámos impressionados com a força do aparelho de segurança do estado. Pela primeira vez tive a experiência de estar perante um estado totalitário e perante uma máquina de poder semelhante ao Big Brother de 1984, de George Orwell, que tudo controla e comanda.
Ao entrarmos em Meknés, uma grande multidão aguardava já o rei, com bandeiras, instrumentos musicais, assim como cavaleiros montando belos cavalos enfeitados. Foi difícil encontrar o caminho para a medina até porque muitas ruas estavam fechadas, devido à chegada do rei, fazendo aumentar o trânsito e a confusão. Mas, por fim lá acabámos por encontrar o caminho e deixar o carro à entrada da medina.


Meknés é actualmente a quinta maior cidade de Marrocos, com 450.000 habitantes. Tal como Fez, a cidade apresenta três zonas bem definidas, a medina, a cidade imperial e a Ville Nouvelle.
Meknés possui uma medina mais acessível do que Fez, tendo sido possível andar calmamente nas ruas sem guia, embora também não nos tenhamos aventurado muito para os becos e ruelas. Entrei numa loja e consegui comprar uma manta por um bom preço. Ao princípio o comerciante disse que não, que o preço que eu propunha não era suficiente, mas a verdade é que ele lá acabou por aceitar os meus 10€. De resto, às tantas, começamos a achar mais do mesmo, entre as lojas de tapetes e de marroquinaria, começava a não se ver nada de novo.
Só nos arriscámos a embrenhar-nos mais na medina, quando um dos colegas que andava à procura de instrumentos musicais, solicitou a uns homens que lhe indicassem uma loja onde isso se vendesse. Logo um deles, nos levou por caminhos mais escondidos e descobrimos o mercado. Bancas de fruta, legumes, aves, carne e peixe, cheiros intensos, gatos por todo o lado e misturados com os consumíveis. Claro que num fim, quando o homem nos encontrou a loja pediu uma recompensa.


Depois de almoçarmos, fomos ao Musée Dar Jamaï, visivelmente muito melhor daquele que visitámos em Marraquexe. Este está instalado numa bonita residência construída em cerca de 1882, incluindo cornijas de madeira pintada, um telhado de telas verdes e um pátio com dois lagos. Apresenta colecções de cerâmica, tapetes, trajes, joalharia, metalurgia e ainda a reconstituição de uma sala marroquina. Trata-se de um belíssimo palácio.


No fim do dia tivemos o nosso ponto alto e cómico da jornada. Quisemos sair do parque de estacionamento sem pagarmos… Não nos tínhamos apercebido que este era pago e quando vimos vir o arrumador, pensámos nem pensar, estamos fartos de gorjetas…e arrancámos com o carro. Eis quando, o arrumador vem atrás do carro e começa a bater no mesmo, dizendo «L’argent!». Aí, nós parámos o carro, olhámos com ar de parvos e fizemo-nos desentendidos, até que houve alguém que disse: «Argent… o que é o argent?...» Enfim, cena hilariante, os portugueses a quererem sair de um parque sem pagar. Quando demos ao arrumador 5 dirhams, o equivalente a 50 cêntimos, o homem olhou para a moeda desconsolado, encolheu os ombros, e acabou por aceitar, mais valia aquilo do que nada, e lá nos deixou seguir.
Ao chegarmos a Fez andámos perdidos, já não encontrávamos o caminho para o hotel, tendo indo parar a bairros sociais junto à medina, mas depois de muito andarmos às voltas, lá conseguimos sair do labirinto…. A aventura continuava!
Na última noite em Fez, decidimos jantar na zona nova, perto do Boulevard, e aproveitámos para passear na longa avenida depois do repasto.

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