quarta-feira, 12 de maio de 2010

8º dia – Partida para Chefchaouen

Após 3 noites em Fez partimos em direcção a Chefchouen. O percurso demorou algumas horas, mas valeu bem a pena.
Chefchouen possui uma área de 4.350 km2 e localiza-se no Rif Ocidental, em plena montanha. Caracteriza-se por uma arquitectura árabe-andaluza, influência dos fugitivos da Reconquista do Al Andalous. A kasbah na praça Outa é do séc.XVII e a grande mesquita, com o seu minarete octogonal é do séc. XV.
É uma terra linda e encantadora fazendo lembrar, Sidi Bou Said, na Tunísia. Contudo, pareceu-me ainda mais acolhedora, mais envolvente, com as suas casas com as fachadas caiadas de branco e azul índigo ou turqueza, assemelhando-se a casas de bonecas de brincar, quase irreais, de tão fantásticas nos pareciam. Cada recanto nesta terra nos encanta, cada porta, cada pátio, as ruelas, as praças. Tudo está muito limpo e cuidadosamente apresentado e não faltam tendas, lojas e bancadas para comprarmos souvenirs.
A praça principal, a Uta el-Hammam, é o coração da cidade velha e o ponto central de convergência das ruas da medina. Apresenta árvores, pavimento em pedras e cascalho e, no centro há uma fonte. Além da mesquita, salienta-se um aglomerado de cafés e restaurantes, onde pudemos beber mais um doce e saboroso chá de menta, numa esplanada. Enquanto bebíamos o chá com a calma vagarosa que nos habituámos em Marrocos, ecoava do minarete o forte muézin que chamava os fiéis à oração. Aos poucos, até aquela sonoridade entoada cinco vezes ao dia, marcava já o nosso ritmo de vida.


Nesta bela terra, até as pessoas são mais calmas, não há tanto regateio nas compras e não nos aborrecem quando não queremos comprar nada. São tranquilas, simpáticas e respeitadoras, não andam atrás de nós como em Marraquexe, Fez ou Tetouan. Reflectem a serenidade dos tons azuis da cidade. Em termos de pobreza e sujidade, apesar dela existir, porque passámos também por bairros mais carenciados, ela não é também tão gritante como noutras cidades que visitámos.

O hotel Madrid, onde ficámos alojados era também um autêntico mimo, acolhedor e confortável, embora sem luxos. A área de estar e de pequeno-almoço era colorida com mesas de madeira e tecidos a combinar, e os quartos, com camas com dosséis cor-de-rosa, pareciam quase quartos de princesas. Depois de um longo dia soube bem "aterrar" naquele palácio da terra da fantasia.

1 comentário:

oasis dossonhos disse...

Chaouen é mágica, linda, nesse ocre, azul da cor de uma alvorada onírica.
Parabéns por essa viagem.
Bjs
Luís