quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Desencontros Perfeitos


A sociedade de consumo imediato em que vivemos vende sonhos e estereótipos de vidas que todos nós desejamos, mas que quase ninguém, na verdade, alcança. Vivemos cada vez mais insatisfeitos, mais desiludidos pelo padrão que não se adequa ao conteúdo das nossas vidas. Mundos incomunicantes que se arrastam, que se lamentam, que se calam, que desejam o que não alcançam…Andamos todos de candeias às avessas entre o desejo irreal e a dura realidade que carregamos. Esquecemos o que temos, a simplicidade das pequenas coisas, aquelas que realmente interessam para nos fazer felizes e perdemo-nos em jogos auto-destrutivos e agonizantes, que fazem de nós seres cheios de sofrimento, de ressentimentos e frustrações. Basta dar atenção às redes sociais, aos murais que exibimos e temos lá tudo isso, uma espécie de muro das lamentações, onde vemos uma mescla de desabafos e recriminações, com base nessa utopia em que assentamos a nossa ideia de felicidade.
Uns ambicionam um carro novo e não têm capacidade financeira, outros desejam as férias paradisíacas dos folhetos turísticos, mas não têm subsídios de férias, outros estão desempregados e afogados em dívidas, uns vivem na esperança de encontrar um amor redentor ou de refazer o amor perdido das suas vidas. Olhamos à nossa volta e andamos todos perdidos nesta busca, vazios por dentro, enlouquecidos por fora… Consumimos os lugares, as pessoas, os momentos, atulhamo-nos de publicidade enganosa que nos afastam da essência dos porquês… Estamos cada vez mais desencontrados, em sintonias diferentes…cada um por si, procurando o que nos falta, alimentados for esperanças vãs. Todos nós caminhamos em desencontros perfeitos. É por isso, que a solidão impera e nunca nos satisfazemos com o que temos ou com o que podemos fazer para superar o que não temos. Abramos os olhos para a vida, como se hoje fosse o último que temos para viver, meçamos o que realmente importa, e o que podemos deixar para trás das costas, como bagagem que se carrega na experiência dos dias. Deixemos as lamúrias, as tristezas infundadas. Façamos deste dia o ponto de partida para novas metas, ainda que por vezes nos custe a mudança e nos aperte no peito o odor da saudade. É tempo de nos ajudarmos a sair deste marasmo em que nos trancámos, olharmos nos olhos uns dos outros bem fundo, tocarmos nas suas mágoas, enxugarmos as suas lágrimas e ajudarmo-nos a recomeçar. De novo!

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