sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Dia 10
16 de Agosto de 2007


Saídos de Nimes, onde não vimos absolutamente nada, com excepção do hotel, dirigimo-nos para Barcelona.
Foi uma viagem um pouco maior do que esperávamos, pois apanhámos uma enorme fila alguns quilómetros antes da fronteira com Espanha, que nos reteve imenso tempo. Para quem já precisava de ir à casa de banho, esses quilómetros escassos, feitos em marcha lenta pareceram intermináveis.
Chegados a Barcelona, aproveitámos ao segundo as escassas 5 horas e meia que nos restavam.
Barcelona é um poderoso centro cosmopolita, um dos grandes «umbigos» do mundo, com uma animação que não acaba nunca.
As ramblas, uma sequência de secções de rua que vão da Praça da Catalunha até ao mar (Rambla de Canaletes, Rambla dos Estudos, Rambla de São José, Rambla dos Capuchos e Rambla de Santa Mónica) estavam repletas de gente que se acotovelava para passar, para ver os espectáculos de rua (algo de que os carteiristas muito se aproveitam), que se desenrolavam um pouco por todo o lado. Os sotaques e as proveniências das gentes que por aí deambulavam eram das mais diversas. Sentimo-nos aqui verdadeiros «cidadãos do mundo», disso não há dúvidas. Para quem não goste de bulícios e de vida agitada, movimento, confusão e animação, esta não é a sua cidade ideal, pelo menos em pleno mês de Agosto (é a segunda vez que aí vou nessa altura do ano). Mas, para quem aprecie animação, está no lugar certo, pois é um local repleto de emoções e de aceleração, assemelhando-se um pouco à noite de Santo António de Lisboa.
Para aproveitarmos o melhor que a cidade tem, e porque o grupo que seguia mal conhecia ou não conhecia mesmo a cidade, eu servi aí de guia do circuito. Saquei do meu guia turístico e do mapa e lançámo-nos na aventura, pretendendo revisitar rapidamente alguns dos locais emblemáticos que mais gostara de ver em 2000, quando lá fui a primeira vez. Mas, não foi uma tarefa muito fácil, não que tenha enganado mal o caminho ou que nos tivéssemos perdido (esse era o meu maior receio), mas porque a cidade na sua generalidade se encontra em obras, o que para o turista que a visita é bastante aborrecido.
A 1ª paragem foi junto às Ramblas, ao Palau Guell, um palácio feito por Gaudi para Guell. É bastante bonito e vale mesmo a pena fazer uma visita ao seu interior e ao terraço, mas esta foi a primeira desilusão, estava em obras.
Seguimos pela Praça Real, em direcção ao Bairro Gótico, que faz lembrar as ruas de Alfama, completamente tortuosas e irregulares, para irmos até à Catedral, mas encontrámos não só obras, como uma enorme fila para entrar. Pensei que outra opção interessante seria ir até ao Palau da Musica Catalana, que tanto me tinha encantado quando o visitei e até não era longe da Catedral. Trata-se de um palácio com mistura de estilo arquitectónico com influências árabes e modernistas, especialmente de Arte Nova; uma verdadeira delícia para os sentidos. Mas, quis o destino que se encontrasse encerrado também para obras, embora me tenham dito na loja do Palácio que seria apenas em Agosto.
Como os meus companheiros de viagem tinham muita curiosidade em ver «La Pedrera», de Gaudi, encaminhei-os para a Praça da Catalunha e seguimos pela longa avenida do Passeig de Gracia. De vez em quando perguntava às pessoas das bancas de jornais se estava no bom caminho, pois apesar dos mapas, às vezes as distâncias não são tão curtas como parecem. Nessa avenida, pudemos apreciar outros edifícios maravilhosos, como a Casa Amatler, no nº41 e a Casa Batló, no nº 43. A primeira foi construída em 1898 por Josep Puigi Cadafalch para um fabricante de chocolates e a segunda foi construída por Gaudi. Esta faz-me sempre lembrar aquela história infantil em que a casa era feita de doces, pois é assim que me parece. Foi inspirada na lenda de S. Jorge e do Dragão. Quando visitei Barcelona pela primeira vez, esta encontrava-se em obras, por isso pude ver agora com satisfação as formas deste edifício encantado. A entrada era paga e bastante dispendiosa (16,50€), pelo que optámos por ver só as fachadas exteriores.
Um pouco mais à frente, encontrámos «La Pedrera», Casa Milá, como realmente se chama. Esta é uma das criações mais impressionantes de Gaudi, um enorme prédio de habitação, com uma aparência rochosa, que se assemelha a uma gruta. As varandas, em ferro forjado e trabalhado, assumem formas e contornos ondulados e as chaminés no terraço, assemelham-se a feições humanas. No exterior, a fila para a bilheteira era enorme, faltando nessa altura cerca de 40 minutos de espera até comprarmos o bilhete (que custava 8€).
Como havia elementos do grupo que não queriam sair de Barcelona sem ver a Sagrada Família, pegámos no mapa e verificámos se era possível ir dali a pé até ao famoso monumento. Como era possível, metemo-nos ao caminho.
A Sagrada Família é um dos ex-líbris mais famosos de Barcelona e a obra de Gaudi mais célebre, embora não acabada. O templo da Sagrada Família possui pináculos com mais de 100 metros, com decoração de cores brilhantes. Como nunca foi concluída, os guindastes fazem já parte da paisagem.
De regresso houve tempo ainda para passar no Arc del Triomf, de autoria de Josep Villaseca, com um estilo semelhante ao Mudéjar, o qual terá servido de entrada para a Exposição Internacional, que aí ocorreu em 1888.
Já nas Ramblas, caminhámos em magote no meio da multidão, sempre a olhar para o lado para não nos perdermos uns dos outros e como forma de nos protegermos dos amigos do alheio que estão por todo o lado (uns colegas do autocarro foram mesmo assaltados à saída do metro sem que dessem por isso).
Nas Ramblas os homens estátua, os dançarinos de hip-hop, os retratistas e caricaturistas, cantores, vendedores ambulantes e outros, animavam a noite, que começava entretanto a cair. Não havia indícios que essa agitação fosse acabar tão cedo.
Sentíamo-nos contagiados pela alegria efusiva que emanava da cidade, embora também muito cansados (todo o longo circuito que falei foi feito a pé). Barcelona é mesmo a cidade da folia, da expressão das artes, da liberdade, da música, do futebol, do espírito olímpico! É sempre fabuloso visitá-la…sobretudo se ecoar nos nossos ouvidos a espectacular voz de Freddie Mercury «BARCELONA!!!!, VIVA BARCELONA».
Fotos CM (com excepção da das ramblas e do Palau de La Musica Catalana)

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